terça-feira, 15 de abril de 2014

Qual é coisa, qual é ela...

...que atirada à cabeça, ainda aleija?

Se era para me fazer sentir jurássica adulta, bastava lembrarem-me que na adolescência as paredes do meu quarto eram forradas a Tom Cruise, Michael J. Fox e Mel Gibson.

Que andei - orgulhosa - de telemóvel Alcatel. E antes disso, de cartões de telefone. Para usar nas cabines. Só quando não estava em casa, com o meu telefone fixo. Mesmo fixo, na sala.

Que sonhava ter umas calças de ganga da Uniform. E um casaco de penas da Duffy. E uma mochila Monte Campo.

Que ouvia a Rádio Cidade, que era animada por brasileiros. Numa altura em que o António Sala ainda tinha bigode. E a amiga Olga não parecia que tinha passado por um túnel de vento.

Que na escola se falava de telenovelas. De telenovela. Porque só havia uma de cada vez e todos a víamos. Havia cadernetas de cromos e tudo.

Que as televisões (ou os televisores) tinham uma bossa atrás. E uma antena, que manuseávamos com pinças, para garantir que não havia um fantasma verde por cima do Pedro Mourinho, no Caderno Diário.

Quando todos tínhamos um cartão do clube de vídeo. E um rebobinador.

Se era para me fazer sentir madura nostálgica, não havia necessidade disto.


Monstrozinhos.
Era já uma colher de óleo de fígado de bacalhau pela goela abaixo.

19 comentários:

  1. ADORO este vídeo. Só assim eu vejo o quão vintage eu sou. Eu ainda sou do tempo de andar com uma chavinha de estrela no bolso para quando ia a casa dos meus amigos ser o único que conseguia meter aquele jogo mais complicado, que demorava séculos a entrar e que mesmo no fim aparecia a mensagem "R tape loading error" em Courier New! E o orgulho que eu sinto disso?

    O meu primeiro Walkman foi comprado com o meu dinheiro de um Verão a trabalhar com o meu pai, a fazer caixas de cartão e a enchê-las de frascos para mel vazios. Foram muitos cortes do cartão na mão e algumas nódoas negras por carregar as caixas cheias de frascos até aos carros dos clientes. Nem sempre acertava no caminho. Em Agosto antes de ir de férias para o Algarve, comprei o walkman. Preto. Lindo. Com Mega Bass (lembras-te?) porque o que eu gostava mesmo era de ouvir Metallica, Sepultura, Anthrax. E Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains e Smashing Pumpkins também. Eu era um fixe!

    Não gostava de posters no quarto, mas os meus cadernos e dossiers estavam todos forrados com as miúdas do Baywatch e dos livrinhos da Reef que vinham quando comprávamos uma t-shirt ou uns chinelos.

    Tive um OneTouch Easy. Amarelo. E outro Cinzento. E depois um Nokia 5110 e um 3310.

    Eu tive umas calças de ganga da Uniform. E um blusão de ganga também. O meu sonho era ter umas calças de ganga da Energie. Nunca tive. Mas tive uma mochila que usei e usei e usei até se rebentar o fundo uns 5 ou 6 anos depois.

    Eu ouvia a Super FM e a Rádio Energia... :)

    Eu não via telenovela. Via o Já Tocou e o Parker Lewis :p E não tinha cadernetas de cromos. Eu ERA um cromo que coleccionava cartões de basquetebol.

    E eu tinha um cartão do clube de vídeo. Era o sócio número 27 :)

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    1. Fia o meu upgrade ao teu post...

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    2. Uau, Silent! Cambada de vintages, é o que nós somos.

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    3. Agora é que vi a gralha...

      Não é "Fia". É "Fiz". E fiz no meu blog, por acrescento ao comentário.

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    1. Nada disso. O retro está imenso na moda. Somos como que peças de coleção. Daquelas que se leiloam por milhões.

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  3. Caraças, do que te foste lembrar. Também sou do tempo em que se comprava o "Credifone" para ligar para casa. Parece que foi há 200 anos. E sim, também gravava as minhas musiquinhas na Rádio Cidade.

    Mas no meu tempo já não se usava isso das "colheres de óleo de fígado de bacalhau". Numa altura ainda tomei, mas já era em cápsula, e acho que foi só um frasquinho recomendado pela médica de família.. lol :)

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    1. Eu ainda tive um bip!
      E, sim, tomei em comprimidos mas a minha mãezinha falava-me sempre do óleo, mesmo óleo. Nem quero pensar.

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  4. Não me relaciono com a maior parte das coisas que escreveste no texto porque já nasci nos anos 90! Mas o cartão do clube de vídeo tive e o walkman também! ;)

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    1. Perdeste muita coisinha boa. E muitas mais deprimentes e assustadoras :-)

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    2. Por acaso tenho pena de não ter crescido nos anos 80! E sou completamente fã de toda a cultura dos 80's e louca pela música dessa época! :D

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  5. Eu também tive um walkman, adorava! Se bem que se tornou obsoleto bem rápido (sou de 89, o CD Player - outros obsoletos - chegaram quase logo a seguir a meu walkman). Bem parti o coco a rir com o vídeo!

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    1. O walkman era um sonho! E dava para prender no cinto das calças. Não havia nada melhor do que andar a exibir aquele monstro de plástico.

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  6. Eu bebi isso...ainda tenho pesadelos ocasionais sobre o assunto.

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    1. Mas quem sabe se não é por isso que agora és um panda (e/ou um coelho) de pelo sedoso?

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  7. Anónimo16:15

    Não foi assim há tanto tempo. As tecnologias é que se renovam à velocidade da luz.
    Eu ainda sou do tempo dos rádios a válvulas... tive um, montado por mim, mas nunca consegui fazer a caixa. Carpintaria foi sempre o meu ponto fraco. xD

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  8. Uau...aqui em casa havia um walkman para mim e para a minha irmã. E havia um rádio gravador e nós comprávamos cassetes virgens para gravar as músicas que gostávamos directamente da rádio. E tinha de ficar tudo num silêncio absoluto porque se não estragava a gravação. Tínhamos de carregar em 2 botões, no play e no record e ficava tudo caladinho. Até os meus pais entravam na onda e saíam do pé de nós para gravarmos as músicas que queríamos. E às vezes até ligávamos de propósito para os discos pedidos das rádios para pedir as músicas que queríamos gravar. ;) ;) Ah, saudades desses tempos.
    beijinho :)

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    1. Eu, que era uma marrona do pior, uma vez gravei a matéria para um teste numa cassete dessas, para depois ir ouvindo enquanto adormecia :-D

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