segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A noiva vai feia e é preciso dizê-lo

Hoje apetece-me falar de noivas.
A época dos casamentos tende a abrandar com a chegada do Inverno pois noiva que é noiva gosta de ter o céu azul, o Sol a brilhar e 30 gloriosos graus a cozer os convidados nas suas melhores farpelas.
Noiva que é noiva gosta também de ter o mais lindo dos vestidos pendurado no mais magro dos corpos. Depois de meses e meses de dieta, de inevitável mau feitio, de quase derrubar a mais sólida das relações, sentir-se uma princesa é o mínimo.
Lambem revistas, procuram recortes que fizeram aos 13 anos e que deixaram entalados no diário cor-de-rosa, peregrinam pelas lojas do país, sempre em busca do pedaço de tecido que as fará sentir tão especiais como elas sabem que querem ser e estar.
E, com alguma sorte, no dia abençoado, lá vão elas, a desfilar orgulhosamente o modelo escolhido com as amigas, as madrinhas, a mãe ou a sogra, por entre muitos risos e algumas lágrimas. Um segredo fofinho que guardaram do maltratado noivo durante meses, para “não dar azar”.

Na maioria dos casos diria que corre bem. Ou que é normal. É um vestido. De noiva. Ponto.
Mas depois há as exceções. As gloriosas e amadas exceções são os vestidos que revelam que a noiva afinal foi criada num circo de leste e que chegou para arruinar a reputação do maridinho junto do chefe, dar material de conversa a todos os amigos e afastar para sempre aquela tia do interior, solteira e sem filhos, que só foi convidada porque tem a conta bancária recheada e já vai no terceiro cancro. E logo agora, quando deste é que ia ser.

“Ah, porque uma noiva é sempre linda e vai radiante e coiso”
Não, não. Desculpar-me-ão mas isto é um mito alarve e é preciso dizê-lo. Está porventura ao nível de “os bebés são sempre lindos” ou “o tamanho não importa”.

Há por aí muita noiva que devia ser abatida à catanada ou, vamos lá, no mínimo, violentamente insultada por ferir olhos de familiares e amigos com exibições de mau gosto para além do humanamente aceitável.
Bem sei que gostos não se discutem, mas caramba, alguém quer argumentar a favor de algum destes modelitos? Hã? Alguém? Vamos lá então a isto.



Vestido “Quando contei ao meu pai que estava grávida, ele obrigou-me a casar. Ele vai ver: quem ri por último, ri melhor!”.
Claramente, ninguém se riu.



Vestido “Onde é que começa a noiva e acaba o bolo?”.
Isso, filho, continua a alimentá-la e depois diz que um dia acordas achatado entre uma caixa de frango frito e 7 quilos de tecido mamário.



Vestido(s) “Já que vai casar com um médico ginecologista, por que não fazer um casamento temático?” ou “Um desastre nunca vem só #1”.
Pena não mostrarem a sugestão para o fato do noivo.



Vestido “Podem tirar a noiva do bar de strip mas nunca tirarão o bar de strip da noiva”.
Por sorte, na fotografia não conseguimos ver o vestido de tule azul que esvoaça ali ao lado. "Um desastre nunca vem só #2."



Vestido “O branco faz-me mais pesada. Não tem aí nada num tom mais escuro? Tem? Que bom, então levo mais uns metros de pano e trato também do fato do noivo. Ele vai ficar radiante!”
Atentem na expressão do noivo. Radiante? Parece-me que não.

 

Vestido “Oh ‘mor quando eu disse que gostava que o vestido tivesse decote não era bem isto…”.
Por outro lado, assim ninguém repara na franja do noivo.


 
Vestido “Não andei a comer salada de rabanetes com sumo de limão nos últimos 15 meses para me tapar com um vestido! Tragam-me uma mão cheia de flores de pano que eu arranjo aqui qualquer coisa." 
Alguém que diga ao noivo que lá por usar a camisa do irmão mais velho, não precisava de levar as calças do irmão mais novo.



Vestido “Gado bovino, TUDO BEM! Gado caprino, NADA CONTRA! Gado suíno, SIM SENHOR! Mas é com a minha ovelha que eu quero tar, faxabôôôôr!”


E dizem vocês “Mas oh maravilhosa Mulher de Sonho, claramente estas imagens não são de casamentos portugueses. Isto cá não é assim.”
Ai não? Ai não? Pois saibam os estimados leitores que esta Mulher de Sonho já assistiu ao vivo e a cores (e que cores) a um casamento folclórico. Este texto nasce da dor. Na carne.

Entre o vestido encarnado e dourado e os centros de mesa pouca diferença encontrei. E o casamento nem era no Natal (pronto, podia ser um tema e aí tentaria compreender) (não ia conseguir, mas tentaria) (ninguém conseguiria).
Aquele vestido violentou-me as córneas uma e outra vez, durante horas, e acho até que cheguei a ver o padre a rir, quando a noiva se aproximou do altar.

O animado casal entretanto já se divorciou, a noiva já voltou a casar (será das pirosas que eles gostam mais?) e relataram-me que, neste segundo, a coisa foi mais moderada (a esse eu não fui) (o meu oftalmologista desaconselhou).

Portanto, noivas do meu país, tende lá atenção ao que querem deixar registado no dia do vosso casamento. Não adianta marcar copos de água com 1 ano de antecedência e escolher o presente mais fofinho (ainda que irremediavelmente inútil) para distribuir aos convidados se tudo o que nos vamos lembrar é que a noiva ia vestida de couve-de-bruxelas albina ou de prostituta de beira de estrada. Pode ser? Vejam lá isso.


3 comentários:

  1. Acerca da segunda noiva: http://www.youtube.com/watch?v=cHCPh_Ww3yk

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  2. Caro Piston Homem, saberá o caríssimo que essa senhora é a quinta noiva? Como é fofinho e redondo o mundo das noivas morbidamente obesas.

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  3. Tenho um nível de escolaridade muito reduzido.

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