sexta-feira, 22 de agosto de 2014

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Promoção para grupos?

Começo a achar que isto da morte de figuras públicas beneficia de um qualquer desconto de quantidade.

Entregaram o negócio a um grossista? Há um cartão onde se acumulam pontos? Estão a dar Audis?

E também dá para anónimos...?

Digam lá. A sério.
Tenho aqui uma pequena lista.

 


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Morreu-me o Robin Williams

Há pessoas que morrem. E há pessoas que nos morrem.

Ontem morreu-me alguém.

Estranha, esta familiaridade que ganhamos com quem não conhecemos. Como podemos sentir tanta tristeza e fazer eco por dentro quando nos falta quem nunca tivemos.

Mas acontece.

A mim morreu-me o Robin Williams. E eu já tenho em mim o peso da
saudade de tudo o que ele já não fará.

Merda.



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Diz que foi um hiato

Mas diz também que ainda não acabou.

hi-a-to
(latim hiatus, -us, abertura, boca aberta)
substantivo masculino
1. Encontro de duas vogais que não formam ditongo
2. Fenda
3. Interrupção entre dois acontecimentos
4. Lacuna, falha
5. Espaço entre os lábios da corola

Estou portanto numa fenda, numa falha, num espaço entre lábios ou, simplesmente, numa interrupção. Imaginem o que mais vos fizer pipilar o cérebro. Eu quero-vos sempre a pipilar.

O meu (cérebro) hoje fez-me sonhar que estava a dar consultoria a um restaurante chinês. Para lhes aumentar a clientela. E olhem que estavam ali boas observações. Talvez tenha que arranjar forma de considerar uma mudança de carreira durante este meu encontro de duas vogais que não formam ditongo (quem não percebeu e acha que andei a beber ácido, leia o número 1 (acima) e depois tente manter o ritmo) (que isto aqui não é para meninos) (meninos!).

Os que de vós forem pacientes cá me (re)encontrarão em breve.
Pois que, ao contrário de Sebastião, essa bicha monárquica, esta (vossa) Mulher de Sonho voltará!

Até lá (e depois também) façam muito amor e comam o que vos fizer bem à alma (que no fundo pode ser uma redundância).

I’ll be back.



terça-feira, 3 de junho de 2014

Dão-se alvíssaras

Sou uma fraca, é o que eu sou.
Uma prisioneira da ternura e dos afetos.
Uma maricas.
Uma romântica.
Uma sentimental.
Uma pasta gosmosa feita de corações de gatinhos bebés a flutuarem em nuvens de algodão-doce cor-de-rosa ao som de harpas tocadas por anjinhos bochechudos que cheiram a jasmim.

Às vezes sou um estivador, outras tenho 5 anos e acredito em unicórnios.

Sou a maior, de peito empinado, até me darem uma murraça no estômago com uma história destas.


Quem não se emocionar é um calhau da calçada.
(daqueles que nos comem os saltos)
(centenas de euros em sapatos e depois vem a calçada à portuguesa - "ah porque é típica e tal" - e fico descalça na Avenida da Liberdade)
(se metessem a calçada onde o Sol não brilha...)

Mas, pronto, o amor mata-me.
Não é original, mas é o que é.

Um dia quero isto. O amor, não o Alzheimer.
Será que ainda há...?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Plenty of satisfaction 'cause I’m having a good time

Olhando para o meu Facebook, sinto que a única pessoa que não foi ontem ao Rock in Rio fui eu.
Imagino o pobre do Mick, olhando a multidão (através das cataratas), desesperado à procura.
Não lhe dei a satisfação.
Sou mesmo má.

Por outro lado, sou mesmo boa e vou ficar ainda melhor.
Quatro treinos já feitos esta semana. O quinto acontecerá amanhã.
Não consigo lavar os dentes sem deitar uma lágrima, mas quero cá saber.

Já vou conhecendo os pintas do ferro.
Já me ajudam quando faço figuras de urso à procura da barra ou do banco ou da máquina com que preciso de me castigar a seguir.
Já se riem menos com os pesos ridículos que vou levantando.

Acho bem.
Daqui a umas semanas, logo se calam.

Amanhã vou treinar a outro clube. Teme-se o pior (devia haver um mapa, como os do metro de Londres, a identificar as máquinas).
Mas vergonha é coisa que não me assiste. Não quando tenho um objetivo a alcançar.

E por falar em coisas boas: e o anúncio do NOS, com o Don’t Stop Me Now, dos Queen? Caramba!
AMO os Queen de paixão, não consigo largar o anúncio. Não é pela malta a correr, feliz, por ter tv cabo. É a música. Esta música. Não há igual.
Dava um dedo do pé para poder ter visto um concerto deles.
Às vezes simplesmente nascemos tarde demais.

Tenham todos um excelente fim-de-semana, sim?


 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

My eyes! My eyes!

Eu não sei que raio se passou aqui...


...mas tenho o cérebro a latejar com o choro de centenas de memórias.
Elas querem saltar para uma banheira e lavar-se compulsivamente até isto passar.

A minha amiga linda e angelical?
A princesa de cabelo dourado, sempre pronta a usar um vestido de gala e a ser a-mai-linda da festa?
A miúda prática, a quem se vestia um fato de banho tropical e se mandava dar uma volta até à praia no seu bólide cor-de-rosa?
Foi nisto que te tornaste, amiga?

E o mais triste é que todas nós (mulheres que brincaram com Barbies) sabemos que o Ken não tem ali nada. Nada!
O Ken é uma farsa. Um homem alto e de sorriso impecável que apresenta um edema ao nível dos genitais.
Um inchaço.
Um engodo.

Pode argumentar-se que também a Barbie não é uma mulher completa. Que não está equipada para receber a dádiva do amor - por assim dizer.
Mas eu acho que ela é só muito virgem. Muito, mesmo muito. Daquelas mesmo mesmo virgens.
E por este andar, também não é agora que vai deixar de ser.

Vejamos as próximas edições, já disponíveis nas lojas.

“Ai, Ken, afinal a Nancy estava enganada: anal não custa nada!”
Barbie Não Sabe O Que É Um Pénis


“No Dia da Criança leve a magia do bondage para sua casa.”
Barbie Dá-me Com Força e Depois Vai Regar a Planta


 
“Ó mãããeee, a Maria Rita e a Mafaldinha podem vir cá brincar amanhã? Deixa láááá. Queríamos tanto fazer um bacanal.”
Barbie Mas De Quem É O Sapato Que Encontrei Aqui Dentro?


Os mais alternativos, descansem, que também temos diversão da boa para vocês.


Barbie Chega A Casa Mais Cedo E Responde Ao Clássico “Isto Não É O Que Parece”


Barbie São 50€ Pelo Number Um e 100€ Pelo Number Two
(gato não incluído)


Barbie Psicopata Tem Um Problema de Hoarding
(vide TLC ou encontre mais informação aqui


Que tal?
Não são maravilhosas? Claro que são.
Mas, com a vossa, licença, agora vou só ali passar os olhos por água e tomar um duche frio com 2 gotinhas de lixivia. Pode ser?

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Michelle, filha, 'tás cá dentro

Comecei esta semana o plano de treino mais intenso no ginásio.
Operação Adriana Lima (ou Bacalhau Seco) (ainda não me decidi quanto ao nome) está em marcha.

Acontece que quando nos dizem que o ginásio faz a malta ficar elegante, não explicam que para lá chegar, depois de um treino de pernas, caminhamos pela rua como se tivéssemos 90 anos, as juntas coladas e os ossos carcomidos.

Dizem também que o exercício nos faz sentir melhor, mas eu cá ainda estou na fase de querer chorar de cada vez que preciso de coçar o nariz.

De repente dou conta que - na vida - tudo o que eu preciso está em prateleiras altas ou ao nível do chão.
Todos os sítios onde preciso de ir ficam num prédio sem elevador e, no mínimo, no segundo andar.
E desde quando é que todos os meus amigos têm uma carreira de sucesso na comédia? Querem saber? Desde que os meus abdominais foram alvo de uma chacina e que dar uma gargalhada pode ser o início de uma crise de choro.

É suposto ganhar-se boa postura. Eu pareço um rinoceronte bêbado. Ou um homem de sapatos de salto alto no Carnaval de Torres.

Fui ao supermercado e, sem grande surpresa, constatei que todos os artigos na minha lista estavam nas prateleiras de baixo. Ou mesmo na última de cima.

Como tenho um piquinho de masoquista ainda consegui bater com o carrinho numa fila de sabonetes líquidos que prontamente mergulharam pelo corredor fora. Cabrõezinhos. Parece que ainda os estou a ouvir a rir, com as suas vozinhas fininhas e cheiro a aloé vera.

Com esforço baixei-me para os apanhar. Sabem a Michelle de Brito? A tenista portuguesa que urra quando joga? (se não sabem, vejam aqui)
Era isto, quando me tentei levantar a seguir.

Hoje é treino de ombros e abdominais.
Proíbo-vos de escreverem coisas com graça amanhã. Ou de me trazerem um sobrinho que queria cavalitas.

Tende dó.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Last woman standing. In green.

Quem me conheceu na infância apostaria um rim que daquele gafanhoto desajeitado sairia a futura bibliotecária do concelho.

Não estou a falar de aparências, apesar de reconhecer que não era o fruto mais atraente da colheita. Os óculos, o cabelo sempre atado num rabo de cavalo, o uniforme do colégio. Tudo a conspirar para que me tornasse invisível.

Sempre consciente dos desafios externos, a timidez ao primeiro impacto fazia com que me transformasse numa parede de azulejo se estivesse em frente a uma parede de azulejo. Um camaleão social. Uma nódoa.
Uma geek.

O que ficava - e que ainda vejo em fotografias antigas - era a miúda de nariz enfiado num livro. Sempre de nariz enfiado num livro.
Para onde eu ia, eles iam. Aventuras, romances, mistérios, quadradinhos.
Eu estava, eles estavam comigo.
Praia, viagens, quarto, café, intervalo do cinema. Devorava-os à velocidade que os tinha.

Quem tivesse que adivinhar, adivinharia um futuro sombrio.
E a julgar pelas aulas de educação física para as quais me arrastava pesadamente, e pela infame gazeta que passei a fazer à ginástica rítmica (já se adivinhava um pequeno espírito rebelde), dir-se-ia que aos 20 anos estaria um cachalote, aos 25 um mamute e aos 30 a passear pelo shopping numa coisas destas.


Mas acontece que nem sempre o que parece que vai ser, é.
E um dia, sabe-se lá porquê, a miúda começou a mexer-se (e a falar dela na terceira pessoa, como um jogador de futebol).

Operou os olhos, guardou os livros na mesa de cabeceira e fez caminhadas e andou de patins em linha e arriscou o ski e fez mergulho. Aprendeu a andar de bicicleta sozinha. Ficou com os tornozelos em sangue, mas nunca desistiu.

E quanto mais se mexia, e mais percebia que a geek que era podia conviver com a miúda em que se estava a tornar, menos medo tinha de experimentar coisas novas. E então correu quilómetros, viu glaciares no topo de montanhas que demoram dias a subir, mergulhou em cavernas onde as garrafas batem no teto, desceu pistas vermelhas em cima de mini-skis, e bebeu água da torneira no meio de África.
E gostou.

Desistir não é opção. É um conceito que não me assiste.
Já desisti de pessoas (de poucas e sempre e só no limite das forças) mas de mim, nunca.
Nunca pensei que não fosse capaz. Nunca achei que, se eu quisesse mesmo, MESMO, não conseguiria.

Tenho dentro de mim uma força que me faz acreditar que se estiver numa praia e vier um tsunami, eu vou sobreviver. Pendurada numa palmeira, cabelo colado à testa, duas mamas fora do bikini e a chorar baba e ranho pela mamã - mas lá estarei, pronta para tudo.

E é por acreditar tanto nisto, que ontem comprei uma sacada de brócolos. Esse legume do demónio. E juro-vos aqui - eu seja ceguinha e todas essas coisas - que os vou conseguir comer todos.
E sorrir no final.
Com metade de um dente coberto de verde.
Cheia de charme.

Como a geek que no fundo, bem lá no fundo, ainda sou.



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Parou tudo!

Comprei uma embalagem de proteína.

E quando eu digo isto não é uma forma alternativa de dizer que fui ao talho ou à peixaria ou que tenho uma palete de cogumelos no frigorífico.
Não, não.

O que esta Mulher de Sonho fez foi comprar uma daquelas cenas em pó para misturar na água e que diz que faz bem à pessoa que treina.
E eu vou ser pessoa que treina. Ai, vou.

Nem que isso me mate.
Mas eu não passo deste Verão sem estar na melhor forma da minha vida.

Achavam que eu já era de sonho?
Abram os olhos, mortais!
Vou ser o bacalhau seco mais gostoso de todo o sempre.
Muahahaha!

(estou a rir de cabeça atirada para trás e a afagar um gato no colo)
(mas quem é que deixou um gato no meu gabinete?)
(e vamos lá a saber: os vossos gatos também gostam de sopa e de oreos...? é que o meu - o outro - está claramente confuso no que diz respeito à nutrição)

A proteína é de chocolate.
(old habits die hard)
(gosto do Bruce Willis, mesmo sem cabelo)

Sim, dormi pouco.



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Não chega já?!

É que a mim ensinaram-me que na segunda quinzena de Maio é para estar calor e ir à praia sem banheiro, e talvez comer uns tremoços na esplanada, mesmo quando já não é de dia.

O meu organismo não está a acompanhar e anda a querer comida de Inverno, para ganhar banha e poder ir dormir para a gruta até à Primavera.

Ontem comi um croissant com creme. E um queque de maçã.
E pipocas no cinema.

Se o tempo continua assim, este ano vou fazer praia patrocinada pela Nivea.
Quem é que ainda é do tempo da bola azul?

Com tanta petição online não há nada para isto?
Onde é que estão as causas realmente importantes?

Se eu começar a separar o lixo, esta merda volta ao normal?
Já estou por tudo.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Socorrista encartada mete a mão na cidadania

Sabem o teste de Primeiros Socorros de que falei ontem? Tive 94%.
Detesto falhar.

Se são como esta Mulher de Sonho e "põem (tudo) quanto são no mínimo que fazem" (vénia, Fernando António), e se ainda não perceberam em quem vão votar nestas Eleições Europeias (que são já no Domingo), aproximem-se mais.

Há um site onde podem perceber com que partidos têm maior ou menor correspondência de ideias. Respondem a questões simples, numa escala de concordo totalmente a discordo totalmente e no final aparece o gráfico. Fácil, certo?
Eu fiz e bateu no lado para o qual me costuma tombar o sentido político (Partido dos Cutelos Enferrujados).

Quem quiser experimentar, é aceder aqui.

Se forem como eu e mudarem de casa todos os anos - mais semestre, menos semestre -, e se já não fazem a mínima em que escola devem entregar o vosso voto, podem ligar para a linha de apoio ao eleitor. É o 808 206 206. Tenham à mão o número de cartão de cidadão ou BI e data de nascimento.
Eu fiz isso e em minuto e vinte tinha a informação toda. Até a secção de voto!
E só demorou mais porque o tipo que me atendeu estava numa dieta de palavras: dizia metade e a outra metade ia para dentro. Pessoas, pá!

Assim sendo, não há desculpas para no Domingo não irem exercer o vosso direito. Nem que seja um voto de protesto. Mas votem!

Sou mais que vossa mãe.
(se fosse, seria uma MILF)
(sou tão convencida)
(não sou nada)
(sou realista)


terça-feira, 20 de maio de 2014

Quer sobreviver? Pergunte-me como.

Lembram-se da formação de Primeiros Socorros de que falei aqui? Amanhã tenho teste. Ponto - como se dizia na escola.

E porque acho importante fazer revisões, e como este é um tema que pode salvar vidas, aqui fica uma amostra muito piquena do que se aprende numa formação destas. São umas quantas ideias genéricas, só para vos abrir o apetite.
Estudar Primeiros Socorros devia ser obrigatório.

Não precisam de agradecer.

1. Queimaduras
Se se queimarem em casa (no forno, no ferro, no óleo, na vela que era para ser romântica mas que vos deixou a praguejar como um estivador) não vão a correr deitar manteiga ou gelo ou azeite.
Ponham a zona queimada debaixo de água corrente até passar a dor. Até passar. Não há tempo definido. Vão estar a interromper o processo de queimadura e a evitar que continue a fazer estragos em zonas mais profundas.

Se não fizer bolha, é de primeiro grau. Pode ser tratada em casa, com Biafine ou Bepanthene.
Se fizer bolha, vão ao hospital ou ao posto médico. É de segundo grau e queimou epiderme e derme.

Não se atrevam a rebentar as bolhas! A menos que queiram abrir-se a novas experiências. Daquelas más.

E a propósito: agora que anda tudo feliz a tirar o pó às sandálias e que a ocasional bolha aparece - que aparece - nada de alfinetes ou de agulhas aquecidas. Se estiver mesmo cheia e pronta a rebentar, prantem-lhe um Compeed. Nunca falha! Ficam com pés de princesa.

Se a queimadura for mais profunda, de terceiro grau, pode deixar a pele tipo couro. Não há dor porque as terminações nervosas faleceram. Not good.

Se no casamento da prima lá da terra, o padrinho do noivo - já de camisa para fora das calças e meio de lado - acabar o Apita o Comboio em cima de uma tocha, não o deixem correr. Isso só vai alimentar o fogo e é uma corrida que ele vai sempre perder. Para extinguir as chamas é fazerem-lhe uma placagem e rebolá-lo no chão. Até apagar.
E depois pedir os talheres de trinchar e servir com caldo verde, broa e batatinha frita.

2. Intoxicações
Se alguém sofrer uma intoxicação ou estiver exposto a um veneno ou picada de animais (melga não conta, a menos que seja uma melgzilla), liguem para o CIAV (Centro de Informação Antivenenos). O número é o 808 250 143 e quem atende do outro lado são médicos que saberão indicar a melhor forma de atuar.

Se a intoxicação for com medicamentos, guardem as caixas e/ou as lamelas. Se não as encontrarem, espreitem no lixo ou nas janelas. Quando não é acidental, é frequente serem deitadas fora. Saber o que foi tomado e em que quantidade, pode fazer a diferença.

Se for por ingestão, nunca provoquem o vómito. Se fez estragos a descer, não queremos que os repita a subir.

Se for na vista, é lavar com água corrente durante 15 minutos, evitar fechar os olhos e seguir para o hospital. Nada de soro. Água é o melhor.

Atenção aos produtos de limpeza em zonas onde as crianças têm acesso. As embalagens são (estupidamente) coloridas e apelativas. Um miúdo não saberá distinguir o Skip de um batido.
Cuidado também para não juntarem tudo o que é para manter fora do alcance num mesmo sítio. Tipo o pesticida ao lado do xarope para a tosse. Não.

3. Crise convulsiva
Se assistirem a uma crise convulsiva (quem é que não viu o Poltergeist?) não tentem conter a vítima. A tendência é frequentemente essa. Mas não o façam. Os movimentos são involuntários e podem magoar a pessoa. Procurem, sim, afastar objetos onde se possa aleijar e protejam-lhe a cabeça e os membros.

Nada de pôr coisas na boca, para prender a língua. Mais depressa fazem obstruções com isso do que se engasgam na língua.

Quando terminar, nem pensem em dar copinhos de água ou bolachinhas. Pois se eu, sem espasmos, não consigo comer uma bolacha de água e sal sem ficar com meia bolacha feita em papa colada ao céu da boca - imaginem depois de andar aos saltos, a espumar.

4. Reação alérgica
Se forem à praia e a mãe Natureza vos brindar com um abraço de alforreca, nada de andar a fazer xixi para cima uns dos outros. Seus porcos. É mergulhar a zona afetada em água fria. E ter calminha. Homens, não vão morrer disso.

Se a coisa for mais intensa e os mimos tiverem sido de peixe-aranha ou de ouriço (malta mais antipática) é o contrário: mergulhar a zona afetada em água quente. E tirar os picos num serviço médico.

Não deixem que a vossa Tia Alcina se ponha com ideias. "Ai e tal, a tia trata". A tia vai bordar um pano de tabuleiro ou fazer um pudim, que é a especialidade dela. E vocês vão tratar disso com quem sabe, no centro de saúde ou no hospital. E depois comem o pudim e levam o que sobrar para casa, porque estão cheios de dores e ela não vai ter coração para dizer que não. Aprendam, que eu não duro sempre.

Havia tão mais para vos contar.

Se gostam do tema, sugiro que vejam os vídeos do INEM no YouTube. Podem encontrá-los aqui. A interpretação é uma comédia mas as situações são dramáticas com picos de ação. Entretenimento com aprendizagem.

Se tiverem filhos com idade para isso, vejam com eles. Os miúdos alertados para estas questões podem um dia salvar-vos a vida.
Se já souberem ler, não é má ideia ter um papel com a vossa morada, junto ao telefone de casa. Se um dia se sentirem mal e eles ligarem o 112, vão precisar de dar essa informação. E olhem que é muito frequente eles não saberem.

Em situação de emergência, cinco minutos podem ser a diferença entre voltar a ver o Ronaldo a marcar pela seleção ou trocar impressões técnico-táticas com o Eusébio.
Vejam lá isso.





segunda-feira, 19 de maio de 2014

Senhoria à força recusa via do crime

"Viver na cidade é fantástico", disseram eles.
"Nunca mais terás o tormento das filas e das portagens", acrescentaram eles.
"Campo de Ourique é um bairro tão agradável!", exclamaram eles.
“O comércio, os jardins, o rio mesmo ali ao lado”, venderam eles.
"Uma casa antiga, cheia de charme, num sitio vibrante" concluíram eles.

O que eles nunca disseram, nem sequer insinuaram, foi a existência de um bairro paralelo, de um condomínio miniatura, de uma família com 50 milhões de indivíduos. Todos sem qualquer noção de etiqueta ou da mais básica educação. Todos a aparecer à hora da refeição.
50 milhões de formigas residentes entre as tábuas do meu prédio com o desejo ardente de partilhar refeições comigo. Voluntária ou involuntariamente.

Detesto matar animais.
Já passei muito tempo a convencer aranhas a subir para metades de folhas de revista que depois serviram de plataforma para uma saída de varanda.
Já fiz figuras de urso a encaminhar moscas para janelas. E o meu gato a implorar que lhas servisse como lanche. E eu, cruel, a esbracejar e a apontar e a fazer de espantalho/cão pastor/doente mental.
Até melgas já me torraram horas de sono por não lhes querer fazer liftings com Dum Dums e seus aparentados.

Ainda não aconteceu deparar-me com baratas (as filhas de Satanás) mas aí também não haveria dúvidas. Eu sairia (histérica e aos gritos, direção A2 Sul) e elas podiam ficar com a casa. Para sempre.

Mas agora, confrontada com esta vaga de penetras de antenas, que à mínima migalha mobilizam primos em vigésimo quarto grau, que raio fazer? Até o pólen que uma jarra de flores deixou numa mesa de apoio, já lhes serviu de banquete. Pequenas boquinhas com cantos coloridos, olhos esbugalhados e coraçõezinhos a palpitar de alegria. “Aaahh, pólen, que delícia”.

E o meu gato a olhar, feito parvo, sem saber o que fazer perante uma fila de cabelo escuro que se movimenta das tábuas do chão até [...] (preencher com qualquer coisa que esta malta possa levar para casa).
“Mas que merda de moscas são estas? Voem, putas, que assim não tem graça”.
E como elas não voam (embora já tenha visto uma a andar no teto) ele lá fica de olhos presos, na esperança vã que uma ganhe asas e lhe dê uns minutos de luta.

Mas que raio faço eu, pergunto, quando pousar uma taça com despojos de pipocas se torna impensável e parece que vivo numa casa de obesos em recuperação, onde a comida tem que estar a cadeado?

Alguém sabe como convenço esta malta a mudar-se para a Padaria Portuguesa? Se lhes deixar um mapa pequenino ao pé de uma bolacha, elas vão?

Quem pode ajudar esta senhoria à força, que não quer recorrer ao crime, mas que deseja não ter a sua casa partilhada com ladrões de 4 milímetros?

Help?



sexta-feira, 16 de maio de 2014

A vida é um jogo

Uma das grandes vantagens que tenho encontrado em estar viva é aprender a viver.
Parece óbvio? Não é.

Todos começamos nessa premissa.

Aprendemos os básicos: a chorar para nos darem de comer, a chorar porque não queremos cocó na fralda, a chorar porque nos doem as entranhas ou porque temos aliens albinos a trespassarem-nos as gengivas. A chorar para nos darem atenção.

Depois subimos um nível e queremos aprender os nomes das coisas para que nos possam ser dadas rapidamente. E saber dizê-las é espetacular. Ou gritá-las, esponjados no chão do corredor das gomas do Pingo Doce. Percebemos que se conseguirmos andar, nem precisamos da boleia de colos ou de ovos ou de carrinhos. E podemos fugir da mãe e do pai e perseguir pombos, só porque é giro vê-los lançados em bando no ar. Até ao dia em que levamos com um excremento no nariz. E choramos, porque já deixámos claro que não queremos conviver com dejetos. Sobretudo com os alheios.

Aprendemos que o mundo é melhor quando podemos passar horas no quarto a ler. Ou a somar os números da data de nascimento do colega de turma de quem gostamos. Porque vimos numa revista que se for igual a x ele será nosso para sempre.

Aprendemos, de coração partido, que sabemos amar. E depois de sarado, aprendemos que afinal não são só palavras - o tempo cura mesmo.

Um dia somos quase crescidos e sabemos conduzir uma máquina com combustões e circuitos que não compreendemos mas que aprendemos a dominar. Uns melhor do que outros.

Saímos da universidade cheios de ganas, porque aprendemos coisas sobre coisas. E depois temos um emprego e descobrimos que afinal ainda há tanto para aprender.

Apaixonamo-nos uma e outra vez e aprendemos a fazer caminhos em paralelo ou a encontrar estradas alternativas, quando à principal se lhe acaba o alcatrão. Com sorte, aprendemos a comunicar, a ouvir e a saber quando estar calados.
Aprendemos a aprender os outros.

Pelo caminho, os mais atentos aprendem a viver. Outros, persistem nos erros. E estão apenas vivos.

Os meus anos deixaram que aprendesse que importante, mesmo importante, é estar feliz.
Estar feliz. Não ser feliz, porque ser feliz parece tão mais permanente e “esta insatisfação” - como cantava Variações - ainda não a consegui dominar.

Mas aprendi que estar feliz é estar com os que gosto. É ler. É escrever. É ouvir música. É viajar. É mergulhar. É o Sol, e a praia, e as gaivotas que se juntam à beira da água quando o horizonte engole o dia e se veste uma camisola por cima da pele com sal e se come um petisco num bar de praia. É o toque de quem nos sabe tocar. É um abraço. Ou muitos abraços. É uma conversa com alguém que nos entende. E que nos faz rir. É o silêncio quando se está em harmonia. Ser feliz é dar a mão. É ter a família com saúde. É correr. É o ronronar de um gato e o amor de um cão. É comer (muito) bem. E depois dormitar à sombra. É Pessoa, é Saramago, é Borges, é O'Neill, é a mensagem ou a melodia ou a enormidade de canções que se nos entranham.

O que os meus anos deixaram que aprendesse é que o tempo é pequeno para estar longe do que me faz feliz. Que vale a pena correr e sentir e arriscar. E dar tiros no escuro. Porque um dia vamos aprender que a vida passou demasiado depressa e que estar vivo é diferente de viver.

Por tudo isto, talvez no Domingo, arrisque, e vá ao estádio ver a bola.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

0h50

Nota mental: oferecer pantufas à porca da vizinha de cima.

Revisão à nota mental: considerar a aquisição de cutelo.

Adenda à revisão da nota mental: enfiar pantufas e cutelo num embrulho muitolindo, com um laço muitobrilhante, e ir deixá-lo no tapete da entrada dela com um cartão que diga apenas "livre arbítrio".

Perturbador, sim, mas com um toque de bíblico.

Agrada-me.



terça-feira, 13 de maio de 2014

Ereções ao engano. Orgasmos musicais. Pérolas suínas.

Ontem enviei um email de trabalho para duas pessoas que coordeno. Dois homens.
Na última frase escrevi “quando chegarem à ereção, liguem a x pessoa”.

Juntem o c*brão do acordo ortográfico (recepção passa a receção) com o teclado mais rápido do distrito (esta Mulher de Sonho) e dá nisto.

Se estivéssemos nos Estados Unidos já estava na rua com um processo por assédio.

E numa nota não relacionada: conhecem as ADAM? Claro que não conhecem.

As ADAM são uma banda holandesa que um dia se lembrou que giro, mesmo giro, era cantar uma linda canção enquanto inseriram um vibrador em suas cavidades amorosas e eram filmadas.

“Go to Go” foi o tema escolhido. Ora peguem lá o vídeo.

E o que as meninas desafinam, ali mais para o final?
Que falta de profissionalismo. Sinceramente.

Entretanto não sei se acredito na veracidade disto. Esta malta da música já não sabe o que mais fazer. Ele é barbas, ele é orgasmos, ele é cemitérios, ventoinhas com fumo e notas na tromba.

E a verdade é que sabemos que há por aí muita mulher fingidora a fazer o teatrinho por bem menos (falei disso AQUI).

Já sei que vão desembainhar as vossas espadas argumentativas e querer lançar-se num duelo de perceções mas desengane-se o homem que acha que percebe quando está perante uma encenação desta natureza.
Ou a piquena é mesmo mázinha ou, meus amigos, vós sois amorosos e dão imenso jeito para carregar sacos e mudar lâmpadas, mas não.

Ficamos portanto na dúvida.
Ou então somos pragmáticos, como um amigo meu que costumava dizer (a sorrir) “Eu quero lá saber! O que interessa mesmo, mesmo, é um gajo vir-se”.

Hã?

Pérolas.
De porcos.



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Desl@rgueM-m3!

P@rqu3 h0je é di@ de mudaR a pa55word do pC de tra6alho – o qu3, de ac0rdo c0m a pol1tica d3 se9urança d@ empr3sa, tem0s qUe f@zer demas1adas v3zes, e obedeCendo a dem@siadas re8ras – est0u a pond3rar agr@far uM bloc0 de post/its à t3sta de alguéM.

Só naquela.
Para libertar pressão.



Pelo na lantejoula

Mais do que pelas habituais pontuações politicó-geó-coisó-corretas (não entendo como não espetaram com a Ucrânia no pódio) (embora sexto lugar não seja mau) (e a Rússia ficou em sétimo) (clássico), e mais do que por questões de sexualidades mais ou menos assumidas (já chega disso, não?), a Eurovisão 2014 ficará marcada pela importante temática da liberdade capilar.

Era um debate que se impunha. E ele aí está.

Este ano, este colosso europeu de audiências (alguém viu...?) foi ganho pela Áustria. E quem levou o país à vitória, com o tema "Rise Like a Phoenix", foi a cantora Conchita Wurst.
Que é um homem.
De cabelo comprido.
E barba.

Ei-la.


Não me interessa abordar aqui a liberdade que qualquer macho deverá ter no momento de decidir que roupa usar num evento destes.
Calças ou vestido de lantejoulas, o que importa é que se sintam bonitos.

Podíamos debater (durante horas) as unhacas de gel da menina. Mas aposto que coçam costas com uma categoria olímpica e por isso quem sou eu para questionar a opção?

Interessa-me sim louvar o momento histórico em que uma barba subiu ao palco, combinada com uma melena comprida e um vestido dourado, e o palco não era da família Cardinali.

A visionária Madonna já tinha dado uma perninha na causa, em março, exibindo esta cabeluda axila no seu Instagram.


A legenda era "Long hair don't care". Qualquer coisa como "Sou uma badalhoca mas tenho um namorado de 20 anos". Vai buscar!

Mas agora, meu amigos, agora deu-se um salto de gigante.
De igualdade de oportunidades. De inclusão. De liberdade.

E por isso, hoje, em várias aldeias de Portugal aplaude-se de pé.


Meus amigos, a liberdade capilar chegou.

Tenham medo.
Tenham muito medo.

Para quem, não viu e ouviu a atuação (todos?) aqui têm.


Que pulmões.
Que garra.
Que maquilhagem.
Que barba.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vai, Ana, vai mas por favor não voltes

Há momentos na vida em que sentimos que as palavras que conhecemos não chegam.
Não há como juntar o abecedário em algo que traduza verdadeiramente o que estamos a sentir.

Cai-nos o queixo e o pescoço e o tronco e ficamos alinhados ao chão, de alma tombada.

Como uma cena de filme de terror que nos impressiona até aos ossos mas para a qual, apesar da mão à frente da cara, não conseguimos parar de olhar.

Vejam ou não vejam o vídeo que vos apresento AQUI. É convosco.

Saibam de antemão que é uma decisão que devem tomar considerando que, se o virem, o mundo como o conhecem mudará.

Prossigam avisados e com máxima cautela.

Estes minutos da vossa vida nunca poderão ser recuperados. Depois não venham cá dizer que não foram avisados.

Caramba.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

E nós, em pé

Quantos de nós percorrem, como almas penadas dos afetos, os solitários caminhos dos desencontros amorosos?

Quantos acordam no final de um jogo de cadeiras?
A música, parou.
Passam-se os olhos pela sala e, até onde a vista alcança, todos estão sentados, aninhados num compromisso, olhos postos no futuro, regaços mornos, barrigas cheias, projetos, planos. Vida.

E nós, em pé.

Quantos riem de boca aberta ao vislumbrar no horizonte frondosos oásis de afeto?
Cantos da boca esbranquiçados, secos e colados da ausência. Pernas e pés cansados do caminho. Almas já plenas de esperança, capazes de saborear mesmo de longe a plenitude do encontro.
E no minuto seguinte, o pontapé seco e bruto da realidade, mesmo no estômago, acompanha três silabas que ferem: miragem.

Quantos corações - gigantes, cheios, a transbordar - batem em peitos de gente zombie? Gente que, por ter morrido uma, duas, dez vezes no amor, não sabe mais o que fazer, esquecida das regras de ser só emoção e deixar o gosto de cérebro para outra gente zombie. Da que é a fingir.

Quantos sonham com o sorriso de alguém que já conhecem? Com o calor do abraço que adivinham? Com o gosto de um beijo de amizade reconvertida em amor? Que nunca chega.

E nós, em pé.

Olhos postos na sobrevivência, nesta selva que agora é feita de casas verticais, de máquinas que não sabemos como funcionam, de carreiras, de barbas aparadas e de dermes imaculadas com as curvas certas nos sítios certos - e meio perdidos, seguimos à procura de quem nos envolva em braços que dizem que pertencemos. Que podemos ser. Que não faz mal falhar. Que ali descansamos.

Mulheres que amam homens que amam outras mulheres. Homens que amam homens e têm medo. Amigos que amam amigos. Amores destruídos que se querem recuperar. Famílias que já não são. Desencontros.

E nós, em pé.

E o tempo passa e cada vez se arrastam mais os pés e mudar a vida seria tão difícil e é preciso repensar tudo e depois alguém diz o que não se quer ouvir e pensa-se que o caminho é demasiado longo e talvez se viaje melhor de braços soltos e afinal o silêncio é de ouro e eu não quero apanhar cuecas sujas.

E então seguimos, a fazer eco, porque afinal somos meio vazios quando estamos vazios, e continuamos, dizendo que assim é que é.

Até um dia aparecer alguém com uma cadeira.
E nos sorrir.

E nós, em pé,
lhe sorrirmos de volta.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Inquietações do foro naturista

Na semana passada fui à praia. Mas não fui a uma praia qualquer.
Na semana passada fui a uma praia de nudistas. E regressei com perguntas. Com muitas perguntas.

Por que é que numa praia de nudistas a idade dos homens é inversamente proporcional ao cuidado aplicado no estender da toalha e consequente apresentação pública de ânus e escroto (tamanho “eu não sabia que podiam ser assim TÃO descaídos” ou “ai que ele tropeça naquilo, ai que ele tropeça” ou “ó senhor, vire isso para lá!”)

Por que é que há sempre um tipo a pôr creme protetor nos genitais em múltiplos temporais de 10 minutos? Compreendemos que não queira escaldar as joias da coroa, mas quando o creme já foi absorvido (até aos espermatozoides) talvez esteja na altura de estar quietinho.

Por que é que tantos homens pousam os sacos, tiram as calças e os calções e ficam a espetar o chapéu na areia só de t-shirt? É o tipo de jogo de escondidas que dispensamos. Quem é que quer ver o pénis do vizinho a gritar “cu-cuu”…?

Por que é que ninguém se bronzeia de rabo para cima?
Nem de pernas fechadas?

Por que é que só as mulheres é que vão à água? (esta eu sei, seus pequenos friorentos)

Mas - mais importante do que tudo isto - por que é que na praia dos nus o vendedor de areal não vende bolas…?

Ora.




terça-feira, 6 de maio de 2014

Última hora: o fim está próximo

Ser distraída não é deixar as chaves na fechadura por dentro quando saio de casa.
Não é guardar revistas no frigorífico, não é dizer três vezes bom dia à mesma pessoa no corredor da empresa, não é passar a porta de casa porque vou a pensar no jantar.

Ser distraída não é sequer abordar um carro no estacionamento que jurava ser o meu e não perceber o que raio faz uma cadeira de bebé no banco de trás. E o carro ser de cor diferente.

Não.

Ser distraída é ir à casa de banho do ginásio, e depois de fazer o que há para fazer, passar os quatro minutos seguintes numa luta corpo a corpo com a fechadura, mandar mensagens a dizer que finalmente sou uma princesa fechada num castelo (embora dispensasse a loiça sanitária), amaldiçoar a reduzida dimensão das minhas vísceras e no momento em que me conformo que só uma solução à MacGyver (com o elástico de cabelo, os atacadores dos ténis e o piaçaba) me poderiam valer, perceber que nunca cheguei a destrancar a porta.

Não há caminho mais longo do que aquele que se faz ao sair de uma casa de banho onde se esteve aos encontrões à porta e junto ao qual está uma fila de mulheres à espera.



terça-feira, 29 de abril de 2014

Anatomias pelos olhos dentro

Comecei ontem um curso de Primeiros Socorros.

Enfartes do miocárdio?
Amputações acidentais?
Empalamentos?
Nada temam. Mulher de Sonho estará (brevemente) apta a intervir!

Coisas que já aprendi:
Toda a gente que faz um curso de Primeiros Socorros quer partilhar eventos bizarros da sua vida.
Toda a gente que faz um curso de Primeiros Socorros quer partilhar eventos bizarros da vida de um tipo que tinha um primo que ficou sem um braço a comer brócolos.
Toda a gente que faz um curso de Primeiros Socorros quer treinar massagem cardíaca e respiração boca a boca.
Toda a gente que faz um curso de Primeiros Socorros repensa a sua decisão quando o formador fala em usar máscara para evitar aspirar (engolir) o vómito da vítima.

E mais.
Tenho bradicardia. Mas não faz mal. Dá-me charme.
Os meus soluços não se intimidam com imagens de sangue a sair às golfadas.

Já vos tinha dado conta que sou a Rainha dos Soluços, certo? Para quem não sabe, pode ficar a saber aqui.
E portanto, protagonista que gosto de ser, ontem estive uns bons 10 minutos a dar ritmo ao curso.

Formadora: "Blablabla sangue arterial"
Mulher de Sonho: "hic"
Alunos: "ahahahah"

Formadora: "Blablabla estado de consciência alterado"
Mulher de Sonho: "hic"
Alunos: "ahahahah"

Formadora: "Blablabla penso compressivo"
Mulher de Sonho: "HIIICCC"
Alunos e formadora: "AHAHAHAHAH"
Mulher de Sonho: (a mudar de cor, tipo camaleão drogado, numa tentativa patética e frustrada de se camuflar na cadeira)

De maneiras que nas próximas semanas irei dando conta das maravilhas do mundo do socorro (que as há), mas apenas se não estiver muito ocupada com infografias de corpos humanos demasiado bem representados.
(a sério, quem é que precisa de ver uma pila quando se está a estudar veias e artérias?)

Temos formadora marota.


Esta é para os homens publicarem nos seus facebooks
(quem é amiga, quem é?)


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pânico na farmácia

A Lei de Murphy diz que, podendo correr alguma coisa mal, ela correrá sempre mal.
Já vos tinha falado disso aqui, embora naquele dia o Universo estivesse claramente distraído.

E por que razão vos digo isto?
Porque tenho uma amiga que não consegue evacuar e por isso saiu da farmácia na sexta-feira com um tubo de Hirudoid.

Faz sentido? Faz.

Porque a minha amiga, giríssima e vaporosa, mas presa dos intestinos há anos, tomou a decisão de ir comprar Dulcolax na semana passada.
Decidiu-se, animada com a publicidade deste laxante. Anúncio simples mas eficaz porque, com recurso a relógios em barrigas de mulheres sorridentes, nos recorda como é agradável todo o processo de defecar.
(todos sorrimos durante e/ou depois)
(quem não sorri é ingrato)
(é tão bom, tão bom, que em vez de number two, os americanos deviam chamar-lhe number one)
(na batalha da boa disposição, nem o mais vigoroso dos xixis tem hipótese contra o mais reles dos cocós)
(fact)

E foi assim, animada e esperançosa, que a minha amiga, giríssima e vaporosa, entrou na sexta-feira numa farmácia.
Fato impecável, sapatos de salto alto, entupida de fezes até ao ânus.

Tirou a senha e aguardou que chamassem o seu número.

A farmácia estava cheia.
Vários farmacêuticos tentavam escoar os velhos e as grávidas. Duas farmacêuticas e um farmacêutico de meia idade. Gente feia e com ar cansado.

A minha amiga lutava com o constrangimento de anunciar a um desconhecido que os seus movimentos intestinais têm a regularidade da passagem de cometas.
Mas - racionalizou - os farmacêuticos estão habituados. Entre cremes para hemorroidas e pedidos de Viagra, de certeza que já viram de tudo.

Sacudida violentamente da sua racionalização, foi em intenso choque que a minha amiga viu e ouviu um tipo de bata branca, alto, moreno, de lábios grossos e olhos amendoados, chamar o número 38. E o número 38 era o dela.

Tinham chamado reforços e o farmacêutico Adónis aguardava com um sorriso quente do outro lado do balcão, enquanto ela arrastava os pés na sua direção. Os pés e quilo e meio de bolo fecal.

Em desespero de causa, quiçá contaminada pelo fermentar de alimentos consumidos pelo Natal, o que ocorreu a esta minha amiga, giríssima e vaporosa, forrada por dentro a castanho, foi pedir-lhe um tubo de Hirudoid e corar enquanto o fazia.
Como se o Adónis lhe visse as entranhas. Como se ele lhe adivinhasse o entupimento.

Pagou, fugiu e mandou-me uma mensagem do carro.
"Homens bonitos deviam ser proibidos de vender laxantes. Precisas de Hirudoid?"

De maneiras que hoje, saindo do trabalho, vou-lhe comprar Dulcolax gotas (que diz que é mais eficaz do que em comprimidos) e podem mandar todos os Adónis que tiverem no armazém que eu não sou cá mulher para ter vergonha do meu cocó. Nem do meu, nem do da minha amiga.
Giríssima e vaporosa. Cheia de merda até aos olhos.




sexta-feira, 25 de abril de 2014

Fazia-se na mesma mas em mais bonito

Neste dia de celebração, para não parecer que me apanhei de feriado e lancei âncora no sofá, e já que hoje a liberdade anda na boca de toda a gente (grande porca), aqui vos deixo algumas interpretações fofinhas do que é afinal este conceito. O de ser livre.

 


 
 
Encham-me os jornais e os telejornais de retrospetivas de quatro décadas, andem lá pelas ruas a gritar palavras de ordem ainda atuais, entupam-me os tímpanos pela milionésima vez com as mesmas canções. Mas pordeus não me agitem cravos à frente do nariz.
Se há flor que me mexe com os nervos são os pindéricos dos cravos.

Então não se fazia uma revolução tão mais bonita com tulipas? Com frésias? Até com jarros?
“Ah e tal mas isso também faz parte da liberdade. Podermos poluir com flores horrorosas tudo o que é cartaz e folha de revista. Porque somos livres.”

Não dá para falar convosco.
Adeus.



quinta-feira, 24 de abril de 2014

E se um dia alguém tropeça na ficha?

Isto do virtual é tudo muito bonito mas não se esqueçam é de viver.
Ponham os olhos nisto.


De cada vez que estão de nariz enfiado no telemóvel, a registar para a posteridade o prato de sushi que estão prestes a comer (e a defecar umas horas depois) (se forem sacanas sortudos sem prisão de ventre), há uma Mulher de Sonho que vos passa ao lado. E vocês não querem isso.
Mesmo.

Toca lá a registar mais com os olhinhos e menos com cenas retangulares que um dia se esquecem numa frutaria e depois óvalha-medeus que lá se foi a memória.

Ide para casa e jantai com a vossa pessoa, olhos nos olhos. Sem tecnologia, só com amor.
(podem cozinhar a comida)
(ou não - é lá convosco)
(depois não se queixem é que arranjaram uma ténia)

Ide.

Sou tão mulher #7

Eu não tenho uma explicação. Eu não sei como o conseguiria provar. Eu compreendo que pareça estranho.
Mas eu juro que há dias em que eu não tenho nada para vestir.

Há manhãs em que, ao abrir o roupeiro, constato em choque que toda a minha roupa foi trocada por peças parecidas mas em tamanhos diferentes, em tons distintos, em tecidos estranhos.

Há dias em que, por mais combinações que ensaie, por mais que regresse a modelos comprovados, por maior que seja a pilha das peças rejeitadas, eu simplesmente não tenho nada para vestir.

E podem vir tentar demonstrar, por a+b que, sim, que está ali a blusa que fez sucesso na semana passada, que aquelas calças estão praticamente por estrear e assentam bem, que sapatos pretos de salto alto nunca comprometem - blábláblá. Eu estou a ouvir. Mas o espelho está a gritar-me de volta que pareço uma linguiça metida numa mini-saia.

Há dias em que uma mulher acorda e não tem nada para vestir. É um cliché? Talvez. Mas é a verdade.

Nada assenta. Nada combina. Tudo fica demasiado curto ou apertado ou justo ou largo ou está visto que tenho que ir às compras.

É um desespero, senhores. Um desespero.

Para quem vive sozinha, como eu, são momentos difíceis de ultrapassar mas lá interiorizamos que naquele dia seremos um espantalho patético e grotesco e prosseguimos.
Feridas de morte na alma, mas prosseguimos.

Mas para quem partilha seu roupeiro, seu pedaço de céu, com espécime do género masculino, o sofrimento é incalculável.
Pobres mulheres, a vossa cruz é demasiado pesada. O meu pensamento está convosco nessas horas de desalento.

Pois qualquer mulher em frente ao enorme abismo que é um roupeiro sem nada que se vista, está apenas a uma frase de distância de dar um passo em frente.

Esta (e suas variantes) é a frase: "Como não tens nada para vestir? E o que é isso TUDO? Vá, deixa-te lá de frescuras e despacha-te. Viste as minhas chaves?"
(é minha convicção que qualquer diálogo doméstico termina sempre com um homem a perguntar pelas suas chaves/telemóvel/carteira/peúgas)
(e com uma mulher a dizer-lhe onde estão)
(seis sentidos? nem pensar! são sete - no mínimo - a contar com este sonar doméstico)

Homens que me leem, sejam pacientes nestes momentos de dor. Eles vão acontecer. As vossas mulheres precisam que as oiçam, que as confortem. Que regressem a casa com um presente.

Mulheres, estamos juntas.
A sentirmo-nos desesperadas e perdidas, mas juntas.




quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mulheres 2.0

A partir de que momento é que uma mulher é tão moderna e emancipada que, num espaço comercial sueco, oferece ajuda a um homem de braços carregados de embalagens?

De ontem. A partir de ontem.

Fresca e segura lá seguia esta Mulher de Sonho, numa missão para comprar mais equipamento de apoio para o seu atafulhado composto roupeiro.

Eis que meus pestanudos olhos batem num espécime masculino que se debate, aflito, com sete ou oito artigos de nomes familiares e espetaculares como kalanchoe, försiktig ou tvingen. Entre eles, duas tigelas.

Num ato de bravura tola, o macho tenta tirar um carrinho do dispensador de carrinhos (ou lá como é que se chama àquela geringonça na parede que vomita carrinhos planos). Fá-lo, usando um dos pés. Deixando-se ficar ainda mais à mercê da força da gravidade.
Meu amigo, ninguém espera que um flamingo consiga fazer isso e ele está muito mais tempo ao pé coxinho. Sinceramente.

Então Mulher de Sonho intervém.

Não ia a cavalo, mas faz de conta
(cada um vive os seus momento como quer)

“Precisa de ajuda?”, sussurrei num tom morno e sensual.
Espanto. Uns segundos de silêncio.
“Ah... errr... não, deixe estar, obrigado”, respondeu o macho, claramente embaraçado pelo espetáculo amador de equilibrismo e sobretudo pela inversão dos papéis.

Novos segundos de silêncio, animados pelo tic-tac-ar de uma planta a tentar equilibrar-se numa almofada.

Resignada, encolhi os ombos, sorri e afastei-me.
Enquanto bamboleava as ancas, corredor fora, pensei "Isto não acaba bem".

Ainda consegui ouvir as tigelas a cair.


Menino.
 
 

terça-feira, 22 de abril de 2014

São doenças, senhores. São doenças.

O Jornal i dá-nos hoje conta de uma juíza do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa que, em 2010, deixou acumular mais de oito mil processos. OITO MIL.

Mais do que discutir o estado da justiça em Portugal, os processos que entretanto prescreveram ou o desfecho do processo disciplinar a que foi sujeita esta juíza (e que resultou na atribuição de um auxiliar) (ahahahah) (não tem graça nenhuma), parece-me que importa aferir – tendo em conta que o candy crush saga ainda não existia – o que raio provocou esta acumulação.

Digo isto, influenciada pelas hordas de seguidores do jogo. A quem não basta jogá-lo: é preciso partilhá-lo nas redes sociais, exibindo o nível em que se está. E enviando convites. Muitos convites. Demasiados convites.

Falo mesmo sem conhecimento de causa. Eu nunca vi o jogo mais gordo. E nem quero. Eu tenho lá vida para andar com trabalho atrasado!

Mas dizia, será este um caso de hoarding (em português, de acumulação compulsiva)? Terá esta juíza uma patologia grave? Estaremos a ver tudo isto mal?
Para quem não sabe, esta condição psicológica resulta numa incapacidade de se desfazer de objetos colecionados.
Resulta também em vários programas no canal TLC.
(sim, também gosto de trash TV)
(nunca a expressão trash TV foi tão bem aplicada)
(momento Badaró)

Os acumuladores vivem rodeados de objetos sem qualquer utilidade, alguns até perigosos (como comida podre ou falhas no sistema judicial) e dificilmente conseguem quebrar o ciclo de acumulação, arrastando familiares e amigos para dramas domésticos com cheiro a urina de ratazana.

Já estou mesmo a ver o desfecho deste caso: tribunal cheio de câmaras de televisão, uma equipa de limpeza a escoar papel à pazada e a juíza, lavada em lágrimas, a soluçar que não se consegue desfazer do processo XYZ, que prescreveu há 3 anos e que entretanto já perdeu meia página para um galão tombado e outra meia para a maionese apodrecida de uma tosta de atum comprada em janeiro.

Pobre auxiliar.
Espero que tenha candy crush saga no telemóvel. E facebook.