segunda-feira, 18 de novembro de 2013

If you suck it, he will come

Tenho várias amigas que não gostam de fazer sexo oral. Gostam de receber (algumas também não gostam, mas sobre isso falamos noutro dia) mas não gostam de fazer. Não fazem. Ponto.

Não gostam do aspeto do sexo masculino. Acham “feio”. Não gostam do cheiro. Não gostam do sabor. Não gostam de eventuais fluídos. Não gostam da pele. Não gostam dos pelos. Muitas, a maior parte, diz não gostar da “submissão”. De se sentirem “inferiorizadas”, “rebaixadas”.
Faço questão de abrir aspas em palavras que são citações diretas, e que estão tão longe da minha opinião que quero destacar isso mesmo.

Sei de mulheres que estão ou que passaram anos - muitos anos - em relacionamentos sérios, namoros e mesmo casamentos, relações em que há, ou em que havia, muito amor e respeito mútuo, e que ainda assim se recusam a fazer sexo oral aos seus homens. Mulheres urbanas, inteligentes, desempoeiradas, sexualmente libertas (no que diz respeito aos restantes pratos da ementa), mas que acham lamentável que alguém naquela relação gostasse que o seu órgão sexual fosse lambido e chupado e tratado como o importante centro de prazer que é.

Eu não entendo estas mulheres.

Irei tentar desconstruir a questão, tomando como referência a pessoa de quem se gosta. Não vamos generalizar para o felácio universal, do encontro ocasional. Não. Falemos apenas do namorado, do marido, do companheiro.

Compreendo que se estabeleçam níveis mínimos de higiene e de embelezamento, se isso não estiver garantido. Não estou a ver um homem que, mediante a afirmação “se estiver lavadinho, eu meto-o na boca” ou “vamos lá a controlar a pequena Amazónia púbica que aí tens, ou vou passar os próximos minutos a catar a língua e a ter vómitos secos”, não corresse para a casa-de-banho de cauda a abanar. Experimentem trocar sexo oral pela lavagem da loiça do jantar. Ou a do carro. Até isso me parece que funcionaria. Por isso, tiremos esse argumento do caminho. Se a questão é essa, é ultrapassável em menos de nada.

Se acham que é feio, cresçam! Em primeiro lugar, é tão feio como um cotovelo ou tão fofinho como uma barriga. É uma parte do corpo. Por si só, tem um valor estético relativo. Presa à pessoa de quem gostam, é suposto ter a atenção que merece. Peguem lá num espelho, sentem-se num bidé e olhem para os vossos pipis. Hã, que tal?

Se são os fluídos, podem sempre usar um preservativo. Plastifiquem a coisa e libertem-se da questão.
Senhores, não será bem o mesmo, bem sei, mas antes assim do que nada, certo?
Compreendo que os sabores e os odores possam incomodar mais umas pessoas do que outras. Eu, por exemplo, não posso ver ninguém a vomitar sem correr a juntar-me a ela. Sou uma enojadinha invejosa. Mas esta é uma boa solução. Para as corajosas, até há preservativos com sabores (sim, corajosas, porque aquilo não sabe a nenhum morango que eu alguma vez tenha comido).

E depois, vem a parte mais complexa: a da “submissão”. Esta parece ser a mais difícil de contornar. Não é plastificável, aparável ou perfumável. Mas vamos lá, pensem comigo: o pénis do vosso homem está dentro da vossa boca. Aquele pedaço de carne que os faz uivar de dor mediante a mais inofensiva das pancadas está na vossa boca. As jóias da coroa. O abono de família. Tudo na vossa boca. Na vossa boca há dentes (na maior parte dos casos) (se não os tem, veja os parágrafos acima e façafavor de ir ter com o seu homem) (já!). A dentição humana é constituída por 32 dentes. Alguns verbos que se podem aplicar ao papel dos dentes são: dilacerar, perfurar, cortar, esmagar e triturar. Tudo isto à distância de centímetros da zona mais sensível do corpo masculino. E falam em “submissão”??
Estarei a ver mal, ou um homem sujeitar-se a uma valente dentada ou a um puxão a seco de uma mulher mais afoita, destreinada ou pouco experiente, é que é a verdadeira submissão? Quando está (literalmente) nas nossas mãos, o prazer de alguém, como é que poderemos estar a ser submissas? Quando controlamos o ritmo e a intensidade do prazer de outra pessoa, simplesmente pela cadência ou velocidade com que lhe tocamos, como não sermos nós a ter total controlo? Como?

Procuro não julgar e aceitar a sexualidade como cada um a vive. Quando falo com amigas sobre este tema, tento compreender qual o ponto de vista de cada uma e de que forma poderia a questão ser ultrapassada. Não tanto pelos homens cujas pilas não estão a ser chupadas, mas sobretudo pelas mulheres que, presas a preconceitos idiotas, vivem intimidades menos completas e relacionamento menos felizes.

Porque o sexo oral faz um homem feliz.
Acreditem. Eu sei.

 
 

16 comentários:

  1. Interrompo a leitura para, com um "clap clap clap" bem sonoro, arriscar-me a dizer que as mulheres também devem ficar felizes quando o homem fica feliz com o sexo oral. Porque se os homens devem fazer tudo para tornar uma mulher mais feliz, o mesmo se passa com as mulheres e respectivos homens!

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  2. Não podia concordar mais ! Ver o homem que está à nossa frente, "submisso" a nós contorcer-se de prazer deve por si só estimular-nos e dar-nos prazer a nós (mulheres) também. Nada é mais sensual do que saber que aqueles gemidos loucos de prazer são por mérito nosso !

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  3. totalmente de acordo. pode ser nojento e tudo e mais alguma coisa, mas é parte do corpo da pessoas que se ama e, por isso deve ser amado como tudo o resto.
    eu, homem, enquanto a fazer sexo oral, faço-o com todo o prazer, pelo prazer que proporciono (ou tento) e precisamente pelos cheiros e fluidos. nada melhor que ter todo o "sexo" dela e toda ela ali na boca. nem quando me diz, estou com o período, isso me incomoda, gosto incondicionalmente e, por isso, não tenho nojo da menstrução.

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  4. Bem.. o que eu me ri com este post!! hahaha! está mto bem escrito e argumentado! :) 100% de acordo! :)

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  5. Anónimo02:03

    Sou homem de desejos eróticos intensos e não poderia passar sem o sexo oral, mas curiosamente, ou talvez não, prefiro fazê-lo que recebê-lo.
    Contudo, só mediante uma atempada e eficiente higiene por parte dela pois incomodam-me os aromas provenientes de um menor cuidado higiénico por parte dela, mas à parte isso sou insaciável a proporcionar sexo oral à mulher que ame.
    Uma vez, consegui estar três horas com a boca e língua enterradas numa vagina. Segundo ela, e nada me leva a pensar o contrário dada a minha sabedoria, conseguiu ter quatro orgasmos

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    1. Três horas e quatro orgasmos? Queres uma medalha por isso? Pífio!

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  6. Anónimo16:36

    Eu não! Foi apenas um mero comentário e cada um interpreta-o como quiser.
    O que eu quero, aliás, tenho sempre, é o amor incondicional de uma mulher realizada.

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  7. Anónimo16:40

    E uma mulher realizada, se não sabes devias saber, torna a vida de um homem um perpetuar de felicidade sem paralelo
    Isto eu sei, tu sabes distinguir quem merece ou não, medalhas. Lá está! Cada um goza a felicidade como a interpreta.

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  8. 3 horas de sexo oral?
    No final dessa sessão com a companheira imaginária ainda sobrou alguma parte de vulva-pós-abrasão ou a derradeira estocada minetal já ocorreu ao nível dos pulmões?
    Só 4 orgasmos em 3 horas? O grau de eficácia é embaraçoso.

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  9. Anónimo18:00

    Imáginaria...fale por si.
    O que se passou ou não passou, o que sobrou ou se gastou, não é da sua conta.
    Caro senhor, morra e deixe viver, sobretudo quem não conhece e que, muito provavelmente, está muito acima da vulgaridade dos seus conhecimentos.

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  10. Caro anónimo,

    Não acha que está a ser muito radical para uma pessoa sexualmente tão bem realizada e sem frustrações abaixo do equador?
    Ao pé de si sou apenas um mísero insecto, um irrelevante ser, incapaz de manter o interesse de alguma mulher por mais de 5 minutos (quanto mais 3 horas).
    Como é que está o tempo na Praia da Rocha? Céu nublado com ocasional precipitação de unicórnios?

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  11. Anónimo23:17


    Caro Piston Homem
    A minha radicalidade é proporcional à sua curiosidade inaceitável.
    Tanto quanto eu saiba, ou me aperceba, não me recordo de lhe ter dirigido a palavra.
    Limitei-me a inserir um comentário num texto de um blog cuja existência desconhecia absolutamente, mas que, por mero e fortuito acaso, descobri enquanto andava por aqui.
    Tanto pela temática do post como pela beleza descritiva do mesmo, na maior sinceridade participei comentando.
    Não esperava decerto ser questionado por quem não tem o direito de me colocar questões. Comentei e mandam as mais elementares regras da boa educação que o senhor ficasse no que lhe parecesse, assim como eu fiquei no que me pareceu sobre os comentários com que me deparei.
    Mas e já que tanto insiste, vou abdicar, – parcialmente – da minha radicalidade e satisfazer em parte a sua curiosidade. Sou um cidadão do mundo, sou um filho do destino, nenhum país me viu nascer e nenhum saberá onde morrerei. O meu habitat é muito vasto e abrange os dois hemisférios.
    Dou por terminada a minha participação por aqui, com grande pena minha, mas diatribes e epigramas não fazem parte do meu vocabulário quando trato com homens. Nas mulheres aceito-os sem relutância. São género que aprecio sobremaneira e dificilmente lhes recuso quaisquer caprichos. Já nos homens, ou em quem se assume como tal, dou e exijo frontalidade, que é assim a modos de como quem diz; fica muito mal um homem de canastra à cabeça.

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  12. Faço e gosto que me façam. Acho que é algo natural entre duas pessoas que se amam e se esforçam por fazer o outro feliz. Vejo muitas pessoas infelizes por as relações terem terminado mas enquanto duraram não valorizaram o suficiente o que era importante para o outro e para si próprio. Acho também que o bom sexo oral, tal como o bom sexo em geral, precisa de prática entre dois amantes para ser (ainda) melhor.

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  13. Ena, adorei este post!

    Abraço

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  14. Karen17:19

    Grande post, mas miserável 3h (seguidas?) para 4 orgasmos...
    Mas lá está, cada corpo a sua sentença.
    Mas tenho pena.

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  15. "Quando está (literalmente) nas nossas mãos, o prazer de alguém, como é que poderemos estar a ser submissas? Quando controlamos o ritmo e a intensidade do prazer de outra pessoa, simplesmente pela cadência ou velocidade com que lhe tocamos, como não sermos nós a ter total controlo? Como?"

    Achava que SÓ eu pensava assim. Dá cá um abraço, mulher! __(^.^)__

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