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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pânico na farmácia

A Lei de Murphy diz que, podendo correr alguma coisa mal, ela correrá sempre mal.
Já vos tinha falado disso aqui, embora naquele dia o Universo estivesse claramente distraído.

E por que razão vos digo isto?
Porque tenho uma amiga que não consegue evacuar e por isso saiu da farmácia na sexta-feira com um tubo de Hirudoid.

Faz sentido? Faz.

Porque a minha amiga, giríssima e vaporosa, mas presa dos intestinos há anos, tomou a decisão de ir comprar Dulcolax na semana passada.
Decidiu-se, animada com a publicidade deste laxante. Anúncio simples mas eficaz porque, com recurso a relógios em barrigas de mulheres sorridentes, nos recorda como é agradável todo o processo de defecar.
(todos sorrimos durante e/ou depois)
(quem não sorri é ingrato)
(é tão bom, tão bom, que em vez de number two, os americanos deviam chamar-lhe number one)
(na batalha da boa disposição, nem o mais vigoroso dos xixis tem hipótese contra o mais reles dos cocós)
(fact)

E foi assim, animada e esperançosa, que a minha amiga, giríssima e vaporosa, entrou na sexta-feira numa farmácia.
Fato impecável, sapatos de salto alto, entupida de fezes até ao ânus.

Tirou a senha e aguardou que chamassem o seu número.

A farmácia estava cheia.
Vários farmacêuticos tentavam escoar os velhos e as grávidas. Duas farmacêuticas e um farmacêutico de meia idade. Gente feia e com ar cansado.

A minha amiga lutava com o constrangimento de anunciar a um desconhecido que os seus movimentos intestinais têm a regularidade da passagem de cometas.
Mas - racionalizou - os farmacêuticos estão habituados. Entre cremes para hemorroidas e pedidos de Viagra, de certeza que já viram de tudo.

Sacudida violentamente da sua racionalização, foi em intenso choque que a minha amiga viu e ouviu um tipo de bata branca, alto, moreno, de lábios grossos e olhos amendoados, chamar o número 38. E o número 38 era o dela.

Tinham chamado reforços e o farmacêutico Adónis aguardava com um sorriso quente do outro lado do balcão, enquanto ela arrastava os pés na sua direção. Os pés e quilo e meio de bolo fecal.

Em desespero de causa, quiçá contaminada pelo fermentar de alimentos consumidos pelo Natal, o que ocorreu a esta minha amiga, giríssima e vaporosa, forrada por dentro a castanho, foi pedir-lhe um tubo de Hirudoid e corar enquanto o fazia.
Como se o Adónis lhe visse as entranhas. Como se ele lhe adivinhasse o entupimento.

Pagou, fugiu e mandou-me uma mensagem do carro.
"Homens bonitos deviam ser proibidos de vender laxantes. Precisas de Hirudoid?"

De maneiras que hoje, saindo do trabalho, vou-lhe comprar Dulcolax gotas (que diz que é mais eficaz do que em comprimidos) e podem mandar todos os Adónis que tiverem no armazém que eu não sou cá mulher para ter vergonha do meu cocó. Nem do meu, nem do da minha amiga.
Giríssima e vaporosa. Cheia de merda até aos olhos.