terça-feira, 18 de março de 2014

Sou tão mulher #3

Ontem arrumei a minha caixa dos sacos. A caixa onde guardo os sacos "bonitos".

Todas as mulheres têm uma caixa de sacos bonitos. Pode ser uma caixa mas também pode ser uma prateleira, um armário ou um saco maior onde as mulheres guardam - com a vida - estes troféus. Ali é onde moram os sacos que queremos guardar para sempre.

Estes sacos não são os da Zara, que usamos para levar um casaco a limpar. Não são os da Primark, que acomodam uma sobremesa que fizemos para uma festa de aniversário. Não. Estes são os outros.

Os sacos bonitos podem ter sido sacos de uma compra importante, de uma loucura, de uma oferta. Podem ser de um sítio onde fomos felizes. Ou de outro, onde fomos muito felizes. Às vezes nem sabemos porquê. Talvez porque o sacana do saco é mesmo bonito.

Estes sacos pertencem à categoria pela qual algumas mulheres considerariam assassinar o seu homem, caso ele ousasse meter a corrente de bicicleta num deles para a levar a arranjar.
Estes são os sacos que nos fariam enfiar a travessa do empadão, para levar para casa dos pais, no saco que trouxemos de uma sex-shop em Amsterdão. Antes a vergonha que um pedaço de alma.
Estes são os sacos pelos quais uma mulher, em caso de amputação de três falanges na cozinha - mesmo prestes a perder os sentidos - lutaria corpo a corpo com quem ensaiasse usar um deles para levar os decepados membros, em gelo, ao hospital.

Os sacos bonitos são os que usamos com orgulho quando sabemos que a viagem é de ida e de volta. Quando não há perigo de serem arrancados da nossa vida.

Lembro-me de Natais em que, depois de abertos os presentes, e de intensos olhares gulosos, alguém lançava para o ar "Não queres o saco, pois não? Posso ficar com ele?". E era ver a minha Tia Alcina, olhos raiados de sangue (por entre a catarata), largada em voo picado por cima do sofá, a repetir, em tom agudo "Claro que preciso. Faz-me muita falta. Fica antes com este (e a apontar com o dedo retorcido para um saco ranhoso, feito de plástico colorido). Esse eu quero guardar".

Ontem, ao passar os olhos pelos meus (queridos) sacos bonitos viajei por anos de consumo feliz. Por carteiras e por sapatos. Por roupa que ainda tenho pendurada com etiqueta. Por grandes loucuras. Por presentes inesquecíveis.

No meio do meu festim estético vi sacos bonitos desconhecidos. Tentei recordar compras que não me lembro de fazer e localizar lojas onde não me recordo de ter estado. Dei mil voltas à cabeça mas algumas respostas não chegaram.

Uma coisa eu sei: se eu tenho os sacos, e se não me lembro de terem sido ofertas, eu estive lá.
Uma mulher não se separa de um saco bonito sem dor.

Ou serei só eu?



7 comentários:

  1. Como a entendo! Não está sozinha nessa aventura! É garantido!
    Mulher que é mulher, tem um saco/prateleira/gaveta/caixa de 'sacos bonitos' que guarda com a sua vida!

    :)

    Tem aqui uma leitora assídua, que apesar de não comentar, vem cá todos os dias 'lê-la'.

    Adoro a sua boa disposição.

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  2. Quanto à T ainda não sei... Mas a minha mãe não guarda sacos bonitos sem ser os do Natal. Mas guarda os laços e os papéis de embrulho mais bonitos!

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  3. Identifiquei-me imenso com este texto porque, também eu, tenho a minha colecção de sacos que adoro! (E também etiquetas :o)

    Quanto aos hambúrgueres, não posso garantir que haja uma opção vegetariana porque não foi o que tinha em mente em comer quando lá fui, portanto, não dei assim tanta atenção aos que havia disponíveis no menu! E concordo na parte do atendimento, podiam ser um pouco mais simpáticos, ainda assim, penso que vale a pena :)

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  4. eu sou assim com fotografias :p

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  5. The weirdest people are the only people, pá.

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  6. Pensava que era só eu!! Já vi que não estou sozinha. Ufa!

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  7. Oh meu Deus. Só descobri o seu blog hoje mas já ganhou mais uma seguidora. ;)

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