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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Portanto...

...hoje é dia onze do doze do treze e são catorze e quinze.
Vou listar dezasseis coisas de que eu gosto.
Vou publicar uma imagem do número dezassete.
E vou deixar-vos vibrar ao som de uma música que inclui o número dezoito.

Porquê?
Estimado leitor que pertence ao grupo de pessoas que se anima com estas sequências de números, siga para a resposta a).
Estimado leitor que é uma pessoa normal, siga para b).

a) Gostou? Ainda bem. Aqui a sua Mulher de Sonho quer que se sinta confortável e bem disposto. Repare como, por baixo de cada post, tive o cuidado de indicar a hora a que foi publicado. Com algarismos. Para que possa acompanhar as suas letras com os seus números. Feliz? Espero que sim. Agora vá lá consultar o Facebook para ver quantos likes teve o seu texto sobre os desejos que pediu às nove e dez deste dia (sim, porque certamente se irão realizar) (é garantido). Volte mais logo, sim? Um grande bem haja.

b) FODA-SE!


Coisas de que eu gosto (por ordem alfabética, para os freaks das letras):

1. Abraços
2. Animais (todos, menos as filhas de Satanás) (as baratas)
3. Balões
4. Chocolate
5. Conversas inteligentes
6. Gestos de ternura
7. Livros
8. Material de escritório (podia viver semanas no Staples)
9. Nadar
10. Ópera
11. Pequenos-almoços de hotel
12. Queijo
13. Sexo
14. Silêncios confortáveis
15. Stand-up comedy
16. Surpresas





quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Higiene social

Não há relação direta entre duas notícias que ocuparam tantos (tele)jornais nos últimos dias. No entanto apetece-me relacioná-las, numa esfera de comportamento em sociedade e nas preocupações de quem (formalmente) nos governa.

Num momento tão particular como o que estamos a viver nos últimos anos, quando há tanto para fazer na “legislação animal”, quando ainda se abatem animais perdidos, com chip, sem o cuidado de se verificar se não há uma família à procura, em desespero, faz sentido o governo lançar a questão do número de cães e de gatos por apartamento? Faz sentido chegar-se a um número concreto, ignorando tantas outras questões – as mais relevantes?
E se forem dois cães e o dono lhes bater todos os dias? E se for apenas um gato e só tiver comida uma vez por mês? E se forem três pinschers e o apartamento tiver 300 m2? E 50 hamsters numa gaiola escura e mal cheirosa, não contam?
Num país aonde ainda se torturam animais numa arena e se permite que os pais levem as crianças a assistir a esta barbaridade, faz isto algum sentido?
E que tal reunir esforços para implementar campanhas de esterilização? De adoção consciente? De penalização de quem maltrata um animal toda a sua vida? Não estará o Ministério da Agricultura e do Mar com as prioridades do avesso?
Higiene social não é ter até dois cães ou quatro gatos num apartamento. Higiene social é ter animais bem tratados, saudáveis e amados, em espaços adequados à sua quantidade e dimensão.

Higiene social não é ter casamentos de toda uma vida. Para toda a vida. Higiene social é respeitar o espaço privado de um relacionamento. Mesmo quando ele acaba. É zelar pelo bem estar das vidas que se geraram. Guardá-las com a própria vida.
Não sabemos o que se passou entre os cidadãos Bárbara e Manuel. A verdade está com eles e é possível que nem seja igual para ambos. Mas sabemos que milhares de crianças vivem expostas a situações de violência de forma continuada. Sabemos que muitas continuam expostas a ela, mesmo depois dos pais se separarem.
Porque a violência não obriga a espaço comum. Vive nas palavras e em gestos que produzem feridas mais fortes do que uma cicatriz na pele. São momentos que permanecem para sempre.
Repito: para sempre.
Não saberá o cidadão Manuel isto? Dizer em público o que disse acerca da mãe dos seus filhos – sendo ou não verdade – não tem consequências? As autoridades de direito não atuam perante afirmações que, com 100% de certeza, chegarão a estas crianças (hoje, amanhã ou daqui a 3 anos)? Fica impune um pai que tenta entrar em casa a meio da noite, acompanhado de desconhecidos e recorrendo a violência, sabendo que os filhos estão do outro lado da porta? Terá o Tribunal de Menores isto em consideração? Caramba.

Se querem regular o que se passa nos apartamentos dos portugueses, deixem lá os bichos de quatro patas e vamos primeiro tratar destes animais.