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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

E agora?

Mudei-me para um bairro tão simpático que ontem, quando na passadeira quase passei uma velhinha a ferro e lhe levantei a mão para pedir desculpa, ela devolveu-me um aceno familiar e um sorriso que dizia “anda cá, filhinha, que te vou preparar uma refeição caseira”.

Não sei se me vou adaptar.

 
 

As alegrias de mudar de casa #1

É um balanço provisório, já que ainda a procissão vai no adro, mas vamos lá.

Unhas: duas. As restantes ficaram entaladas entre caixas e ombreiras de portas ou foram descascadas com o aplicador da fita adesiva (esse pequeno demónio).

Pernas: depois de dias a dar encontrões em caixotes e móveis fora do lugar, as minhas pernas parecem as de um dálmata. Nunca tive tantas nódoas negras. Se amanhã fosse nadar, não havia argumentos suficientes para os convencer que não tinha sido vítima de abuso sexual violento.

Cóccix: negro e dorido. Sim, porque levar com uma porta quando se está de rabo para o ar a apanhar uma caixa, não dá saúde a ninguém. Se eu fosse nadar e fizesse o som que me apetece fazer de cada vez de me sento, ninguém lhes tiraria da ideia que o abuso tinha incluído anal.

Alergias: impecáveis. Robustas e em grande forma. Já consumi mais papel higiénico nos últimos dias do que naquela vez em que comi uma salada com maionese no bar da praia. Sou uma cascata de muco.

Finanças: como já tinha dito, há sempre mais uma despesa que nos lixa o orçamento. A primeira coisa que aprendi no meu novo bairro foi o caminho para o multibanco.

Dieta: ahahahahahahahahah!! Não entra aqui um legume ou uma peça de fruta há dias. O meu colesterol está farto de bater palminhas. Cabrão.

Sentem a minha dor?