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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Se em 2065 me encontrares com uma doença-filha-da-puta destas (desculpem, mas não há outro nome para isto), e visto que até sou uma alma gentil (err...), venho pedir-te que me ponhas no sapatinho um marido assim.

Bem sei que devia tratar eu deste assunto, mas sem garantias que vá mesmo ser necessário, prefiro não lavar meias encardidas e aturar delírios futebolísticos durante 50 anos, para depois o tipo me morrer tranquilamente durante a noite e me deixar sozinha sem saber se sou uma pessoa ou uma couve.

Combinado?

Tua,

Mulher de Sonho


Quem chegar ao fim disto sem um aperto no coração, é um xisto.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Carta aberta a gestores de centros comerciais

Caríssimos senhores,

Estamos nos primeiros dias de novembro.
Na semana passada era outubro.
Estamos a 25 dias de dezembro.
Agora todos comigo: faltam CINQUENTA dias para o Natal.
Dá para perceberem isto antes que eu tire a catana da arrecadação e desate a decapitar renas feitas de luzes? Que febre é esta com que cada vez nos brindam mais cedo? Hã?
O que têm a dizer às vossas vítimas?
Reparem, eu não desgosto do Natal. Vejo valor na reunião da família, na troca de afetos, nas mesas cheias de doces e nas arcas congeladoras a cuspir rabanadas até março.
Eu já tive a minha (gigante e plástica) árvore de Natal a ocupar metade da sala até fevereiro. Caramba, eu tenho o “Christmas”, um patético CD do Michael Bublé a cantar esta merda. E mais grave: oiço-o! (sim, sim, guilty pleasure)
Mas, por deus. Não é em setembro!
Qualquer dia não se pode entrar na Loja do Gato Preto depois de agosto e vamos andar a escolher bikinis e saídas de praia ao som do Jingle (fucking) Bells.
Eu até compreendo que queiram estimular o consumo. O que vier a acontecer nos vossos espaços comerciais, sobretudo. Nada contra. Mas terão os senhores noção dos instintos homicidas que andam a provocar nos consumidores?
Quem não desejou dar um pontapé nos testículos de espuma de um Pai Natal dançante que atire a primeira pedra. E se possível, que seja em direção à menina da perfumaria que faz embrulhos com a mesma qualidade com que os faz a minha tia Alcina (que já tem cataratas há 11 anos e nem um único dedo sem artrose).

Se oiço um “Boas Festas” antes de 15 de dezembro enfio um banano num lojista.
Ficam avisados.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Homens unicórnio

Arrisco dizer que todas temos um.
Um homem unicórnio é uma criatura mítica de que já ouvimos falar mas que nunca vimos.
Um homem unicórnio é algo com que sonhamos, mágico, mas cuja existência muitas já deixaram de aceitar como possível.
O homem unicórnio varia. É diferente para cada uma de nós.
Um homem unicórnio pode ser um homem alto, moreno, de olhos verdes, que corre para o nosso abraço numa praia ventosa, com os seus jeans gastos, camisola de malha e cabeça bem resolvida.
Um homem unicórnio pode ser um homem que adora crianças e cuja vida não esteja completa sem sete catraios a correr pela casa.
Um homem unicórnio pode ser um homem inteligente, desafiador, que nos faz rir pela manhã e que respeita a nossa carreira.
Um homem unicórnio pode ser o que vem para casa todas as noites, que nunca levanta a voz e que ajuda a levar a sogra ao Centro de Saúde.
Um homem pode ser unicórnio pela sua beleza, pelo seu caráter, pelo estatuto social ou, a minha favorita, pelo tamanho do seu sexo.
Um homem unicórnio é aquele que, quando temos uma lista de requisitos para o próximo namorado, preenche dez das dez exigências.

Um homem unicórnio nunca entrará na nossa vida.
Não, não estou a dizer que não existe. Mas o mais provável é que esteja de cuecas e meias a jogar Playstation com o Pai Natal e o Gollum.