quinta-feira, 6 de março de 2014

O tempo é o que (não) fazemos com ele

Aproveitando o feriado de terça-feira de Carnaval - a que tive direito por uma qualquer cláusula técnico-administrativó-legal aborrecida - marquei a segunda e a quarta-feira de férias. Três dias colados ao fim de semana viriam mesmo a calhar.

Precisava do descanso, fruto das repetidas violações da minha sanidade mental no trabalho. Precisava sobretudo de não ter quarenta novos emails de cada vez que me levanto para ir à casa de banho. Isso é importante para que consigamos viver em sociedade sem esfaquear outros seres humanos com colheres de chá. Nas pálpebras.

Como mudei de casa há pouco tempo, ainda tenho imensa coisa para organizar. Esses dias ajudariam a que finalmente o meu escritório deixasse de parecer o corredor 11 do armazém do Ikea.

Não tenho tido vontade de explorar o meu novo bairro - fruto do mau tempo e dos dias intensos de trabalho que só me fazem querer ancorar Sábados e Domingos inteiros no sofá, a escorrer contínuos fios de baba nas almofadas. Seria uma excelente oportunidade para o fazer, sem a confusão do fim de semana. Com o anúncio do alívio da chuva, o plano era perfeito.

E, claro, aproveitar os três dias para fazer uma desintoxicação das habituais asneiras alimentares do fim de semana e reforçar as doses de sopa, fruta e de sumos saudáveis.

Portanto, cinco dias recheados de afazeres, mais ou menos agradáveis, mas sobretudo necessários.

Balanço dos cinco dias recheados de afazeres, mais ou menos agradáveis, mas sobretudo necessários:

Não arrumei um caixote, um dossier, uma peça de roupa. Nada. Zero. Está tudo igual, num cenário entre o tal corredor 11, a Feira de Carcavelos e uma casa com sete poltergeists.
Não conheci uma nova rua, um novo vizinho, uma nova loja no meu bairro (mas fui várias vezes à Padaria Portuguesa) (que já conhecia) (bem).
Consultei o email do trabalho todos os dias. TODOS os dias.
Fiz um bolo e comi-o quase todo. Fiz arroz de marisco para quatro (não vou comentar). Descobri o tempo perfeito para as pipocas do Pingo Doce ficarem estaladiças no micro-ondas (não vou comentar).
Vi os Óscars em direto. Vi vários filmes e muita trash tv. Nunca me deitei antes da uma e meia da manhã. Esta noite deitei-me às três.
Num dos dias andei quase 30 kms de bicicleta (ao menos isso) e agora tenho a marca do selim gravada (para sempre) nas nádegas.

Portanto, de volta ao trabalho, com olheiras a rojar pelo chão, humor se-falas-comigo-apresento-o-meu-enrolador-de-pestanas-à-tua-massa-encefálica (via tuas-narinas), caramelo a (es)correr nas veias e um sentar elegante de quem foi sodomizada durante duas horas por um selim feito de cimento (só pode).

Não é tão bom ir de férias?



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Euforia plástica

Acabei de entregar um dos projetos mais importantes do meu ano profissional.

É um trabalho desafiador e complexo, inserido num contexto de restrições orçamentais e de vários narizes metidos no assunto.

O prazo terminava hoje. Entreguei-o há minutos.

Claro que é um alívio artificial porque depois de planear é preciso implementar. Até Dezembro. E isso não é mais simples nem mais fácil nem desprovido de narizes metediços.

Mas na verdade, depois das reuniões em fila indiana dos últimos dias, de navegar por entre mapas de Excel a 65% para conseguir visualizar toda a informação e de dormir umas magras 3 horas esta noite, parece que me tiraram um hipopótamo de cima.

Rápido, alguém me arranje um fato de sevilhana e um bilhete de expresso para Torres ou para Ovar. Preciso de um corso e preciso dele já!
(ou então não)


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Espaços cerebrais ventosos

A Britney Spears diz que nunca quis ir ao Japão porque não gosta de comer peixe.
Está explicada a razão pela qual nunca quis ir a um concerto dela. Não posso com gente estúpida.

Mas a cara deste burro, adoro.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O mundo ao contrário não é só dos Xutos

Esta manhã ao comer uma tosta com queijo de barrar, e já depois de vestida para as 3 reuniões que tenho hoje, assisti com horror à fração de segundo em que a puta da tosta me escorregou dos dedos e se atirou rumo às minhas calças de fato pretas e blusa de cetim verde-água (homens: sim, verde-água é uma cor).

Nos instantes que se seguiram, e que fizeram parar o mundo de girar, pensei que não teria tempo de mudar de roupa, que não podia chegar atrasada, que uma nódoa de queijo em tecido preto ou em tecido verde-água (existe, sim!) não seria aceitável, que não há justiça para a mulher de carreira, que eu devia era ter nascido com os genes das modelos da Sports Illustrated, que adoraria ter uma experiência de gravidade zero e que se tivesse ido ao supermercado ontem à noite comprar pão (em vez de ir enfiar a cara em sushi) nada daquilo teria acontecido porque não estaria a comer tostas e logo elas não se precipitariam rumo à minha roupa. Lado do queijo para baixo, como ditou Mr. Murphy.

Para quem não conhece a Lei de Murphy, ela diz que se algo puder correr mal, correrá mal. E isso normalmente é traduzido na queda de um pão com manteiga que, ao cair, inevitavelmente cairá com o lado da manteiga para baixo.

Há quem diga que a alimentos caídos se poderá aplicar a regra dos três segundos (se esteve menos de três segundos no chão ainda está comestível) mas a mim parece-me que nem a gula mais viçosa se manterá viçosa perante um pão com manteiga ornamentado com lá o que forem as coisas nojentinhas que viverem na superfície onde caiu o pão. Mmmmmmm, pão com manteiga e cotão. Não, obrigada.

Isto tudo para reportar que, numa bizarra mas agradável reviravolta das leis do Universo, a minha tosta escapista, apesar de escapista e acrobata (deu duas voltas no ar antes de cair - a exibicionista), aterrou nas minhas calças mas com o lado do queijo para cima!

Aqui estou, portanto, de estômago confortado e roupa impecável, pronta para deitar por terra mais uma ou duas destas leis. Aqui ficam algumas, para quem se quiser juntar a esta batalha.

Filosofia Murphy
Sorria. Amanhã será sempre pior.

Comentário de O'Toole à Lei de Murphy
Murphy era um otimista.

Lei de Hyman
A mediocridade reproduz-se.

Declaração de White
Não perca a cabeça.

Comentário de Owen à Declaração de White
Pode ser que lha queiram cortar.

Adenda de Byrd ao Comentário de Owen à Declaração de White
E não quererão que o processo se alongue muito.

Lei da Grande Ideia
Quando você finalmente chega com a grande solução que só se encontra uma vez na vida, outra pessoa qualquer terá acabado de resolver o problema.

Lei de Kranske
Acautele-se com o dia em que não tenha nada a incomodá-lo.

Postulado de Boling
Se está na maior, não se preocupe. Há-de passar-lhe.



Enquanto se preparam para a batalha vou só ali acudir a um dos grandes males do tecido empresarial nacional: a reunite. Crónica e severamente aguda. Duas em cada três empresas sofrem e fazem sofrer deste mal. Com a vossa licença.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Dos cinzentos

Hoje é dia de cinzentos.

De espaços e de silêncios. De ausências do ser.

Há dias assim. E não pedem desculpa por isso.

Acordamos com eles. Neles.
Abraçam-nos durante horas. Sussurram-nos maldades ao ouvido. Verdades, talvez. Mas das que aleijam.

Passamos por eles o melhor que conseguimos.
A correr, lágrimas ao vento. Ou a arrastar pés, desgastados e sem força (não há mais força).

Lembramos momentos em que virámos definitivamente a vida. Era uma coisa, agora é outra coisa. Num segundo. Em meio segundo. Num pestanejar rápido. Muda tudo. Mudou  tudo. Até o que ainda não foi.

Lembramos momentos em que nos morreram pessoas. Morreram-nos mesmo, ou só do alcance de um braço. E depois afinal, é o mesmo.

Lembramo-nos de rir de boca aberta. De achar que nada poderia ser mais perfeito. De sentir o universo na pele e na alma e de amar com a força de um camião. Com tudo. Como se fosse a primeira vez e nenhum muro existisse. Sem feridas, sem fantasmas, sem 30 anos de cicatrizes.

Queremos mais. Queremos regressar a nós. A quem já não conseguimos ser porque nos perdemos por caminhos cinzentos e crescer é isto mas eu não queria.

Há dias assim. Há dias fodidos assim.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

I'm gonna make him an offer he can't refuse. Steeeeeeella!

Ontem ao jantar, na fúria da mastigação, mordi o lábio.

Empenhada como sou, não o mordisquei ao de leve. Não. O que eu fiz foi fatiar um generoso e tosco bife e mudar a ementa do jantar para fusili de cabidela.
Amaldiçoei a vida, a dentição humana, o tamanho do interior dos meus lábios, o governo e a chuva (já que estava na onda).

Minutos depois, chorosa e humilhada pela violenta auto-mutilação, prossegui, convencida que o pior tinha passado.

Claramente nada me preparou para o berlinde com que acordei esta manhã dentro da boca. Não é um berlinde de tamanho normal. É um abafador. Um abafador feito de carne molestada por dentes. Agarrado ao meu lábio.

Estaria pronta para me juntar às tribos africanas que deformam os lábios com pequenas tigelas. Ou para recolher água da chuva no meu beiço saído, em caso de naufragar e ficar semanas à deriva no oceano. Ou mesmo a participar num casting para o Padrinho. Ou para o Rocky.

Fosse o que fosse, tudo seria melhor do que ter que repetir duas vezes num café cheio de gente “Éxh unh câfxê chêioch, xváfaxvorech”.

Caramba.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

É um alfinete? É um clarinete? Não, é um cunilingus!

Não tendo experiência de vida que me permita conhecer, em primeira mão, o que passa pela cabeça de quem se abeira de um pipi, abordo hoje este tema com base no que me chega de amigos (homens), alarmados pela complexidade da tarefa que se lhes apresenta, e de amigas (mulheres), alarmadas pelo pânico e desorientação de quem tem a tarefa em mãos. Por assim dizer.

Tiro já do caminho que não tenho relatos diretos de abordagens femininas, na qualidade de prestadoras de(ste) serviço. Acho que muitos de nós temos a ideia pré-concebida de que quem tem a maquinaria em casa, e que com ela pode treinar as horas que bem entender, terá a vida facilitada se quiser operar maquinaria alheia, de igual modelo. Preto no branco: uma mulher saberá, melhor do que um homem, o que é bom e o que é mau num cunilingus, caso o esteja a fazer a outra mulher. Não estou segura que seja assim tão linear. Afinal, todos temos pele, dedos, unhas e, às vezes, uma comichão, e nem toda a gente me sabe coçar as costas como eu realmente gosto que me cocem as costas.

Adiante.

Atrevo-me a dizer que todas as mulheres heterossexuais, com vida sexual ativa, e predispostas a receber a dádiva do sexo oral, já viram, num momento ou noutro, um homem panicar perante a enormidade que se lhe apresenta quando desliza abaixo do umbigo da sua parceira. Uns panicam para fora. A maior parte panica para dentro.

Seja como for, assim que mergulham no nosso ventre, já lhes estamos a radiografar a alma, a perceber a agilidade e, no pior dos cenários, a antever longos minutos de silêncio desconfortável.

Sejamos honestos: muitos homens não fazem a menor ideia do que ali andam a fazer. Não têm um plano. Não estão preparados. Não sabem o(s) caminho(s). Foram para a guerra sem estudar o inimigo. Até talvez já ali tenham estado - ou em terreno semelhante - mas acabam sempre perdidos. E como machos que são, nunca pedem indicações. Não pedem, e se as recebem, alguns amuam. É terreno pantanoso, o que atravessa uma mulher insatisfeita com a oralidade que lhe é oferecida. Não queremos quebrar os seus egos da mais fina porcelana, mas há limites para o aborrecimento/incómodo/ridículo.

Tenho uma amiga que namorou um rapaz que lhe fazia sexo oral nas virilhas. E estranhava que ela não urrasse de prazer.
Vocês não sei, mas o único prazer que eu consegui tirar das minhas virilhas foi no tempo da depilação a cera, quando a depilação acabava. E era mais um alívio, do que um prazer. No fundo, o mesmo que sentia a minha amiga, quando ele dava a coisa por terminada. Mas não, por mais que ela lhe dissesse “um bocadinho mais para aqui” ou “eu prefiro neste sítio”, ele lá achava que aquilo é que era. Que tinha uma técnica própria. E que ela é que estava avariada.
O namoro não durou.

Sejamos no entanto justos: alguns homens até têm boa vontade. São esforçados. Tentam isto, tentam aquilo, procuram sinais de contentamento, navegam à vista ao ouvido de um respirar mais ofegante ou de um ai mais prolongado. Os esforçados levantam os olhos, raiados de esperança, queixo húmido e lábios inchados, e pedem validação do que está a acontecer. A parte boa é quando lhes podemos devolver um olhar que diz “não pares, miúdo, estás a ir bem”. A parte má é quando só queremos que aquilo acabe e mentimos dizendo “anda cá, que te quero dentro de mim agora”.

Os manientos também olham. Mas esses olham para ter a certeza que são tão bons como eles sabem que são. Os manientos são os que se acham o Rei do Cunilingus. Os que desfiam promessas de orgasmos de dez minutos, com três passagens de língua e aplicação de uma falange. E que raramente fazem ideia de como dar prazer a uma mulher.
Acho sempre que os manientos nasceram de alguém que não estava para os aturar e que lhes disse que eram os maiores e “anda mas é cá para cima”, e aquilo alapou-se-lhes à alma. Os manientos não são bons porque normalmente vêm com uma fórmula mágica e o sexo não se presta a guiões. A mesma mulher com o mesmo homem pode ter sensações diferentes. Resultar num dia e no dia a seguir não resultar. É assim e há-que aceitá-lo.

Claro que também há os virtuosos. Os que são generosos e humildes e que respeitam as respostas do corpo feminino e que quase nos sabem na ponta da língua (teve que ser). Os que querem aprender os nossos caminhos e que compreendem que, se há mulheres que preferem um ritmo, outras preferem outro. Um dedo, ou dois, não é universal. Intensidade, profundidade, localização - é tudo singular. Faz tudo parte da pessoa com quem se está e no momento em que se está.

Crédito seja dado a muitos homens que retiram satisfação desta prática e que se colocam na arena do prazer de forma absolutamente altruísta. Homens que têm que lidar com depilações mal feitas ou inexistentes (amigas, se não querem arrancar, pelo menos aparem) ou com higienes duvidosas (tenho um amigo que já desistiu a meio do percurso devido a um persistente odor a docapesca e um outro que me diz que a solução, nestes casos, é respirar só pela boca) (f*da-se).

Tudo isto para dizer que:

Homens
Não tenham medo. Oiçam. Experimentem. Perguntem. Oiçam. Se não resultar, tentem mais para o lado. Não desistam. Oiçam. Empenhem-se. Sejam humildes. Oiçam!
E divirtam-se.

Mulheres
Não deixem de lhes dizer/demonstrar o que estão a sentir. Não desistam, nem à décima quarta vez. Sabemos que é mais fácil ensinar um cão a fazer um refogado, mas persistam. E sobretudo, não os enganem. Mentir neste contexto é comprometer a sexualidade feminina, pela qual tanto batalhámos (e além disso, pensem lá na próxima vítima) (temos que ser umas para as outras).


Se gostaram do tema e quiserem mais - "ai e tal tenho a mania que falo sobre estas coisas"- podem ter mais aqui (sobre fingimentos) e aqui (sobre sexo oral masculino).

 

 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Velhos clássicos

Quem é que ainda não conhece esta pequena maravilha?


Quem não conhece, nada tema. Chegou ao sítio certo. Vou hoje dar-vos a conhecer um pequeno tesouro.

Ponto prévio: eu adoro velhos. Gosto. Gosto das vozes trémulas, das histórias que têm para contar, das mãos marcadas. Derreto-me sempre que vejo um casal de velhos de mão dada e parte-me o coração ver um velho triste. Sim, é verdade que já escrevi sobre os super poderes que os velhos ganham quando circulam a pé e decidem mudar de passeio (não leu, não faz mal, leia aqui) mas até isso lhes dá graça. São temerários, os sacaninhas.

Poderão os estimados leitores argumentar “Mas ó enormíssima Mulher de Sonho, velhos são apenas pessoas já gastas por anos de uso”. E responderia eu “Sim, da mesma forma que as crianças - essas entidades amadas mundo fora - são apenas adultos incompletos”. E portanto prosseguimos, que não vale a pena estar aqui a esgrimir palavras para decidir se é mais válida uma fralda Dodot ou uma Lindor.

Como dizia, adoro velhos. E gosto sobretudo dos que são velhos por fora mas adolescentes palermas por dentro. Dos que se esquecem das ancas metálicas (e se aventuram em excursões ao Fundão) e dos que não querem saber de não ver um boi por causa das cataratas (e pintam os lábios com batom até aos pré-molares).

Foi exatamente um grupo desta malta bem disposta que, numa casa de repouso alemã, decidiu fazer um calendário, recriando cenas icónicas de grandes filmes.

Logo para começar, quem diria que havia alemães bem dispostos? Vá, não se enchouricem se tiverem um amigo ou um familiar alemão - é só uma brincadeira. Por Deus, toda a gente vê o lado galhofeiro que há ali na Merkel. Não..?
Depois, ok, não foram totalmente originais. Viram que aquilo do calendário dos bombeiros de Setúbal resultou (também tenho pensamentos sobre isso - ler aqui) e foram a correr tentar superar. Mas deixá-los. São velhos, pá. Não tarda nada já cá não andam.
E depois: que maravilha! Ter o espírito para se entregar a uma coisa destas é magnífico! Desfrutem das imagens, que valem bem a pena.

A primeira (lá em cima) é, claro, do filme O Pecado Mora ao Lado. Os protagonistas têm 84 anos (ela) e 88 (ele).

Meus ricos velhos.


The Blues Brothers
Cavalheiros com 76 e 77 anos

Titanic
86 (ela) e 81 (ele)

007 - O Homem da Pistola Dourada
89 anos

Dirty Dancing
79 (ela) e 92 (ele)

 
Grande cena do Rocky
80 anos

 
Boneca de Luxo aos 86 anos (a minha preferida)
"Sim, eu sei que se vê o meu cabelo por baixo da peruca mas quero cá saber! Estou tão liiiiinda!"


Não são maravilhosos? São, pois! E assim sendo, para quando a recriação do Amo-te Teresa na Casa de Repouso de Cernache? Ou d' O Crime do Padre Amaro no Centro Social e Paroquial de Santa Comba de Rossas? Alguém devia tratar disto. A sério.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sou tão mulher #1

(estaciono e escrevo no telemóvel)

Nunca me sinto mais feminina do que quando chego a um parque de estacionamento e preciso de abrir a porta do carro para tirar o talão da porcaria da máquina.

Claro que antes disto já tentei alcançá-lo pelo vidro (umas três vezes), já dei folga ao cinto (uma vez com direito a vergastada no peito, outra com palavrão a acompanhar), já tirei o cinto e dei balanço (pedindo desculpa pelo retrovisor ao pobre diabo que no carro atrás espera que o meu braço cresça 4 centímetros) e, em todas vezes, falhei miseravelmente.

Se vou à confiança, dou cabo da jante. Se tento ser moderada, fico de braço de fora, dedinhos a agitar no ar e a sangrar da axila.

Sou tão mulher.

(25 minutos depois, acrescento)

Nunca me sinto mais feminina do que quando chego a um parque de estacionamento e preciso de abrir a porta do carro para tirar o talão da porcaria da máquina.

Exceto quando, no regresso ao carro, despejo o conteúdo da carteira no banco do passageiro, desesperada depois de demasiado tempo de procura, unhas escavacadas em tudo o que é chave (mas por que raio transporto eu tantas chaves...?), porque não consigo encontrar a merda do talão para sair do estacionamento.

Sou um cliché. É isso que eu sou.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Experiências divinas leva-as o laxante

Neste Domingo, depois de mais um fim de semana obsceno ao nível da nutrição e do ócio, adormeci a sentir que as minhas artérias gordas precisavam de uma intervenção. E eis senão quando fui visitada por um anjo.

O anjo, que se chamava NãoSouUmaAlucinaçãoCausadaPelaGarrafaDeVinhoQueBebebesteAoJantar, levou-me pela mão a uma montanha. Na aterragem pousei com a graça que me é característica (tropecei num calhau e abri o lábio de cima).

Uma voz mandou-me pegar num ganso que por ali andava e sacar-lhe uma pena. Depois de me desviar dos outros sete gansos - histéricos e às bicadas a tudo, inclusive ao anjo NãoSouUmaAlucinaçãoCausadaPelaGarrafaDeVinhoQueBebebesteAoJantar, que entretanto afiambrou três socos num e dispersou os restantes, agitando a harpa descontroladamente - fiz o que a voz ordenava. “Vamos fazer um ditado”.

Eu nunca o vi o tipo que dava ordens mas acreditei que ele existia porque se não existia aquilo não fazia sentido e era tudo só porque sim.
Além do mais quando lhe perguntei pela tinta para molhar a pena, ele apresentou-me um cordeiro com meia dúzia de semanas e sacrificou-o ali à bruta só para eu usar o sangue para escrever.
É claramente o tipo de pessoa com quem não queremos entrar numa discussão. Sobretudo com argumentos como “Ah, tu não existes e isso.”

Preparei-me então para escrever e ele começou.

Mulher Mesmo de Sonho,

Ao fim de semana não comerás todo o pão disponível na Padaria Portuguesa.
- Espera, não! Ordeno-te que risques e escrevas antes assim (mas qual é o problema deste tipo?)

Ao fim de semana não comprarás pão, croissants açucarados ou palmiers simples da Padaria Portuguesa.
- Não! Risca e substitui (isto das ordens é uma cena de infância: aposto que não foi amamentado)

Ao fim de semana não entrarás na Padaria Portuguesa.
- E acrescenta (e eu entretanto caladinha, enquanto vejo o cordeiro degolado pelo canto do olho)

Ao fim de semana não entrarás nem aceitarás ofertas da Padaria Portuguesa. (pronto, já fui)

Ao fim de semana não comerás todas as refeições que confecionares (mesmo que fossem para oito pessoas) com a desculpa que não tens espaço no congelador.
Ao fim de semana não renegarás os legumes e a fruta.
Ao fim de semana não adorarás entidades divinas como a lasanha, a francesinha ou a mousse de lima.
Ao fim de semana não cobiçarás as sobremesas dos amigos, provando duas colheres de cada taça.
Ao fim de semana não mentirás a ti própria repetindo que tens “um metabolismo acelerado e que podes comer tudo sem engordar”.
Ao fim de semana não esquecerás que tens 230 de colesterol.
Ao fim de semana não beberás coca-cola suficiente para que os teus intestinos possam servir de boia de salvação, para uma família de dezassete náufragos cubanos.
Ao fim de semana não alaparás no sofá a ver filmes e séries até desenvolveres escaras nas nádegas.
Ao fim de semana não ignorarás a lida da casa, dando pequenos toques no cotão até que deslize para debaixo de um móvel.
Ao fim de semana não esquecerás o teu estatuto de Mulher de Sonho e farás o amor, apaixonada e longamente, transpirando calorias suficientes para poderes comer um pãozinho com chocolate a seguir.

Acabámos.
Ele pediu-me o texto.
Riscou a última frase (que eu tinha metido à pressão, a ver se passava) e todo lixado amaldiçoou-me. A mim e a sete gerações da minha família.

E num grito de trovão disse “Agora baza, ó hipopótama!”.

Apanhei o anjo NãoSouUmaAlucinaçãoCausadaPelaGarrafaDeVinhoQueBebebesteAoJantar de volta.
Saí na minha casa, comi um donut e voltei a deitar-me.

E isto passou-se.

O que nem o tipo, nem o anjo, repararam, é que nada daquilo foi escrito em pedra.
De maneiras que agora tenho meio rolo de Renova escrito a sangue de carneiro bebé que, se o Dulcolax-gotas de facto funcionar, daqui a 5 horas estará desfeito e a assomar na ETAR de Alcântara, juntamente com as três carcaças com manteiga de amendoim que comi no Domingo.

Pumbas!



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A injustiça do (cocó) mal entendido

Recebo, no âmbito da minha atividade profissional, várias publicações. Jornais e revistas. Chegam regularmente à minha secretária pelas mãos do rapaz do correio interno. Entrega-mas, pede que assine, sorri, se faço uma pergunta muda de cor como um camaleão avariado, e sai do gabinete o mais depressa possível. Tudo, de tacha sempre arreganhada. Parece um turista asiático que não fala a língua local mas que se desdobra em sorrisos para compensar. Ou um doente mental, momentos antes de nos espetar uma caneta bic no pescoço.

Há uns dias estava de saída do meu gabinete para ir à casa de banho. Um percurso que, desde que comecei a beber chá de cavalinha, já deixou um sulco no chão. Com profundidade de trincheira de guerra.
Uns metros à frente da porta, lá estava o rapaz, de sorriso rasgado e de revista Visão na mão.
Tentei explicar que ia sair mas foi como se a revista estivesse armadilhada. Passou-ma para as mãos e fugiu. A sorrir - sempre - até quando virou costas.

Resignada, enrolei a revista e levei-a comigo. À casa de banho.

Fiz o que tinha a fazer, peguei na revista e abri a porta da casa de banho para regressar.

Tudo certo. Não fosse o Diretor Geral, que normalmente faz questão de contar os sinais que eu tenho no decote (e às vezes tenta uni-los mentalmente, para ver se consegue formar uma figura) (das porcas), estar a abeirar-se da casa de banho dele no mesmo instante.

Eu, de revista na mão, a sair da casa de banho.
Ele, convencido que eu tinha estado a evacuar na hora de expediente, enquanto lia a crónica do Ricardo Araújo Pereira.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Eu pino, tu pinas, os vizinhos pinam às sete da manhã

Os meus vizinhos, numa atitude desafiadora e anarca, começaram este Dia de São Valentim a dar a cambalhota do amor. Eles não quiseram esperar pelo final do dia e pimbas. Logo p'la fresquinha. Sete da manhã, escuro lá fora e eles naquilo.
Ou isso ou não arranjaram baby-sitter para a noite e quiseram despachar a coisa enquanto os miúdos ainda dormiam.

Eu não sei se os miúdos ainda dormiam. Eu estava noutra casa e acordei.

Ouvi uns sólidos 6 minutos de ais e de uis e de coisas a bater em coisas mas, visto que aqui vivo há quase 3 meses e que esta foi a primeira vez que testemunhei os seus (deles) prazeres da carne, parece-me que foi sexo proforma. Pena.

Caro leitor, se ainda não teve oportunidade de o fazer, aproveite este dia para juntar qualquer coisa de diferente ao seu habitual cardápio de marotice. Não é por ser o Dia dos Namorados mas porque o sexo deve ser imaginativo e divertido e hoje é tão bom dia para começar como qualquer outro.

Vista uma lingerie sexy, faça uma massagem, depile isto ou aquilo, explore o elevador do prédio (mas deixe o vizinho sair primeiro), marque um "almoço" em casa e apareça só de avental e saltos altos (esta sugestão era para as senhoras, mas se há por aí homens entusiasmados com a ideia, força!) (hoje em dia já se encontram sapatos de salto alto até ao 44), envie fotos marotas, vá ao cinema e perca 15 minutos do filme, visite uma sex-shop com ele/ela e comprem um brinquedo para os dois - enfim, saia da rotina e relembre ao seu amor o seu cheiro, o seu gosto, o toque da sua pele.

Se não tem amor, mas tem alguém que lhe aquece os pés de vez em quando, também serve. O sexo faz bem a tudo e é grátis (errr... é grátis na maior parte dos casos) (mas não vamos agora falar sobre isso).

Um dia cheio de orgasmos é o que vos desejo. E de amor fofinho, como este (mas sem os animais, seus porcos!)





Esta relação precisa de trabalho

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E ter uma reunião de trabalho de 45 minutos...

...com uma pessoa que pinta as sobrancelhas?

E que se esqueceu que tinha pintado as sobrancelhas.
E que ao fim de 5 minutos de conversa passou o dedo por cima de uma das sobrancelhas.
E que edificou uma robusta ponte de lápis negro da sobrancelha à têmpora.

E fazer notas mentais sucessivas, durante 40 minutos? (“não olhes diretamente, não olhes diretamente, tu não olhes diretamente!”)

E não explodir quando a pessoa afirmou “eu, nem pintada!”

Claramente, não me estão a pagar o suficiente.