quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Kamikazes a cheirar a naftalina

A partir de que idade é que deixamos de querer saber em que sítio atravessamos a estrada? Em que momento é que uma pessoa, olhando para dentro, decide: “que se lixe! se eu tenho que atravessar, atravesso, quero cá saber se são três faixas de auto-estrada para cada lado”? O que é que se passa com os velhos para se sentirem imunes ao impacto que a carroçaria automóvel poderá ter nos seus carcomidos ossos?

Quer-me parecer que há um sentimento generalizado de imortalidade rodoviária (do ponto de vista do peão) que acompanha o início da utilização de produtos Corega.

E não só sentem que, se viveram até ali não será um Kia que lhes vai limpar o sebo, como ganham super poderes ao nível da velocidade. Não há velha de 79 anos que, quando decide mudar a trajetória - e, literalmente, fazer-se à estrada -, não o faça com a energia do Usain Bolt (versão 100 metros andarilho). Um minuto estão aqui, no outro têm a placa cravada num para-choques.

Na razão inversa, temos o condutor idoso que aparentemente esqueceu que há vida para além da terceira e que os automóveis já são capazes de circular a mais de trinta e cinco.

Coisas que me apoquentam sobre estas pessoas que um dia seremos nós.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Com este tempo, não tarda nada estamos todos numa arca

De maneiras que há um sítio, no Arkansas (Estados Unidos), onde vivem cerca de 60 animais. E por que é que este sítio é especial? Porque diz que por lá, apesar de pertencerem a diferentes espécies, os bichos convivem alegremente. Claro que não há leões a jogar à bisca com as zebras mas isto é malta que prefere comer ração a mastigar o vizinho do lado (calões) e vive tudo em harmonia.

Este pedaço de céu chama-se The Rocky Ridge Refuge e foi criado há 20 anos como refúgio animal. O objetivo é tratar os que precisam de apoio médico e encontrar casas para os que estão restabelecidos e são adotáveis.

Vocês, não sei, mas eu era menina para viver aqui. Não me agrada o (mau) tempo que por lá faz, mas saltitar por entre animais no meio do campo é o meu conceito de felicidade (tenho uma Branca de Neve dentro de mim).

Atentem pois nestas fotografias de derreter o mais empedernido dos corações e, se quiserem saber mais sobre este sítio, consultem o site aqui ou a página de facebook aqui.


Adoro o ar solene da capivara


 
O massagista lá do sítio

 
 Este ainda está a estagiar. Ou então é especialista em massagem tradicional tailandesa.

 
Mas esta capivara está em todas?


“Mamã, cheiras mal”


Outra vez a comer? Quer-me parecer que a capivara tem uma desordem alimentar.

 
De que é que falarão um ganso e um canguru? De bola? Eu acho que é de bola.


“Sou tão cabra, não sou?”

 
Ó senhora, dê lá isso ao bambi, coitado, que ainda não se refez de ver a cabeça da mãe pendurada na sala. E, a propósito, a capivara precisa de acompanhamento psicológico.

Ok, o bambi também é um sonso


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O cupido acertou nos zombies e agora quem me dá chocolates?

Só há uma razão válida para a existência do Dia dos Namorados e é esta.



Este é o espírito. Receber chocolates - à palete e nunca à caixa -, e trabalhar para bater recordes na modalidade - que devia ser olímpica - de velocidade da embalagem à boca ("ah e tal e passado pouco tempo é ver-te a transbordar das calças") (calem-se! deixem uma miúda sonhar, caramba!).

Não quero cá saber de jantares melosos, disfrutados na companhia de pelo menos dezassete casais com cara de lá-teve-que-ser, em restaurantes com menus especiais cujos nomes fazem vomitar um bocadinho na boca. Não, obrigada. Prefiro uma cotovelada.

Mas sim, chocolates pode ser. E flores. Flores também pode ser (no fundo sou uma fraca) (não sou) (querem ver?). Não podem ser umas flores quaisquer! Ah não. Se avisto uma rosa vermelha, ou meia dúzia delas, é garantido que alguém dará entrada no Santa Maria acompanhado de relatório do INEM: "O paciente apresenta lacerações profundas no esófago devido a introdução continuada de caule com espinhos".
Sejam originais, sim? Com tanta flor que para aí anda. E se não quiserem falhar, sugiro que comecem a dar corda aos sapatos. Neste dia as floristas enchem, e à hora que se lembrarem (que vai ser tarde) poderão ficar sem opções. Se aparecerem com um arranjo da área de serviço da autoestrada, depois não se queixem que não há felácio. Até julho. Muitas floristas aceitam encomendas, por isso, vá, tudo a contrariar a portugalidade que vos nos corre nas veias e é tratar já hoje do assunto.

Para quem gosta da palavra escrita, há também estes cartões fofinhos.




 

Não são românticos? E sem ursinhos e corações e outras coisas que fazem deitar cocó pelos olhos. São perfeitos.

Eu não sou pessoa de apreciar zombies. Não  gosto. Acho que aquela malta deve cheirar mal e não ter maneiras nenhumas à mesa. Além disso - e admitindo à partida que não sou conhecedora destas versões mais recentes em que os mortos-vivos já correm e andam de avião e tal - parece-me espetacular como é que uma criatura com o QI de um participante de reality show, a mesma velocidade de locomoção com que eu me arrasto para o ginásio, e ainda grunhindo metade do tempo (igualzinho a mim, a caminho do ginásio), consegue comer um cérebro que seja. Comatosos e surdos distraídos, ainda dou de barato. Tudo o resto é pouco credível.

Apesar disso, os cartões são o máximo e no último, o zombie parece-me o Marilyn Manson. Perfeito para o enamorado apreciador de música da pesada.

Aqui ainda não tinha almoçado a mioleira


Resumindo: deixem-se de merdas seguidistas, não se enfiem em restaurantes, e se é para acreditar em cenas estranhas, acreditem que alguns amores ainda têm hipótese de ser eternos. Nem que seja enquanto durarem.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A pergunta para a qual nunca estaríamos preparados

De certeza que já viram o pedaço de "televisão" mais abjeto e cruel dos últimos dias. A viralidade das redes sociais assegurou que a quantidade certa de horrorizados espectadores desenvolvesse em si a quantidade certa de asco.

Carlos Dias da Silva, numa rasca imitação de um popular programa de televisão, "entrevista" jogadores de futebol, para a Benfica TV, aparentemente achando-se no direito de ali escarafunchar de forma alarve no desgosto alheio.
E pelo caminho aleijar-nos as córneas com o branco dos seus dentes de porcelana.

Se não viram, devo insistir para que invistam (percam) alguns minutos do vosso dia, garantindo que criam em vós o sentimento certo para a pergunta que vos quero colocar. É nojento mas aconteceu. Para os mais apressados, podem começar no minuto 8.


Então já está? Tudo a sentir? Vamos lá então. "Preparados para a pergunta?"
Prezado leitor, trocaria o prazer de sodomizar o Carlos Dias da Silva com um cacilheiro, seguido de uma exfoliação da sua (dele) zona perianal com ácido, seguido da aplicação continuada de uma tábua com pregos ferrugentos na sua (dele) zona genital, por... Esquecemos isto, certo? A resposta é clara.

Contorce-me o coração ver o Silvio, feliz pelo momento profissional que está a atravessar, com um filho a caminho, a vida a correr bem, e que, quando confrontado com este homenzinho oco, sem um pingo de empatia e respeito, tenta secar as lágrimas e falar por entre soluços, e ainda aceita o abraço que este pequeno canalha lhe dá no final do programa. Merecia melhor. Muito melhor. Merecíamos todos, incluindo a Benfica TV.

Eu já tenho o ácido, os pregos e a tábua. Quem é que fala com a malta dos cacilheiros?

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Too soon?

Acabam de me chamar a atenção para isto.


Será que a menina que violentou o ânus do meu amigo (ver post anterior) estava afinal a praxá-lo? Teria sido apenas isso?

Caramba. Bom, se era, pelo menos ainda bem que não estavam a comer-se à noite na praia do Meco.


Era uma vez um ânus

Quando eu pensava que já tinha visto e ouvido muito sobre sexo, eis que um amigo me surpreende, à hora do almoço (porque não?), com o maravilhoso relato da vez em que lhe introduziram uma colher de pau no ânus. Durante o sexo. De forma consentida.

Eu sei, eu sei. Mas não fiquem preocupados. Foi o cabo.

Proponho que façamos agora um minuto de silêncio (ou vinte) pelo esfíncter do meu amigo, agradecendo ao universo por ter permitido que a concha da sopa estivesse para lavar.




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

E agora algo completamente diferente

Juntem-se, mulheres de ovários robustos, sem manchas de ranho nas blusas de seda, com blusas de seda e em cujas vidas uma mamada não envolve a passagem de leite de um mamilo para uma boca forrada a gengivas.

Contemplem comigo esta opção, cada vez menos exótica, mas ainda capaz de fazer a minha mãezinha prometer ir a Fátima se eu me casar este ano e produzir um três bebés antes "que seja tarde demais".


Talvez esteja a perder a melhor coisa do mundo, dirão as mulheres de olheiras até onde antes tinham mamilos e mamilos a bater onde antes faziam depilação brasileira. Talvez, digo eu, enquanto leio um livro à beira-rio, depois de sair do trabalho e antes de ir para um apartamento cheio de mobiliário com arestas e sem perigo iminente de amputação-de-membros-inferiores-gangrenados-por-aplicação-forçada-de-legos-esquecidos.

São opções que se fazem e que eu respeito, vivendo a máxima "cada um deve ter na sua vida as mamadas que escolheu".

Eu sou uma Mulher Mesmo de Sonho e esta mensagem não foi aprovada pela minha mãezinha.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Viva e aos coices! (em inglês, soa melhor)

Querido(s) leitor(es): cá estou! Quase não me reconheciam, certo? A dieta continua e já perdi um monstruoso quiloemeio. Vá, não se riam. Também não tenho quinze para perder! E não esqueçamos que a minha dieta é só de segunda a sexta. Ao fim-de-semana sou menos regrada.
Que é como quem diz que sou uma besta.
Sou uma ceifeira debulhadora.
Sou quatro, vá.

Mas isso agora não interessa nada. Em dez dias úteis perder quilo e meio é bom. Sobretudo quando o total a perder são quatro. Sinto-me bem. Sem vontade de comer porcaria nos dias de dieta e a gostar dos resultados.

Não estou a fazer uma dieta louca. Já fui acompanhada por uma (excelente) nutricionista que me ensinou a comer. E é mesmo isto: temos que ser ensinadas. Para não andarmos a beber seivas mágicas durante dez dias, que nos prometem um lugar nas passarelas do próximo Portugal Fashion, e que afinal resultam apenas em visões de girafas voadoras antes de desmaiarmos de fraqueza no emprego. O que a Mariana Abecassis (cujo livro acaba de ser editado e pode ser comprado aqui) me ensinou foi a comer bem, a não chegar a ter fome, a variar os alimentos, a ter atenção às quantidades e a permitir-me a ocasional asneira (não era todo um fim de semana, mas isso ela não precisa de saber).

Por isso, de segunda a sexta, o meu bucho está entupido de sopa. Sem batata. Se tiver um acidente, temo que o INEM me encontre inanimada numa papa mal digerida de courgette e nabo. Mas oiçam o que esta Mulher de Sonho vos diz: a sopa é amiga. Lembrem-se disso se quiserem perder peso de forma saudável (a propósito, sopinha da pedra não vale, ok?).
E cenouras? Muita cenoura tenho comido por estes dias. O polícia do Pingo Doce já olha para mim de lado quando, dia sim, dia não, lá estou eu a ensacar cenouras. Aposto que em maio vou ter visão raio-x. Como-as cruas, à dentada, ao almoço, antes da sopa, o que também acalma os meus anseios sexuais. Mas isso fica para outro post.

Alface. Tomate. Espinafres. Grelos. Cogumelos. Queijo fresco. Mini tartes de ovo e iogurte. Peixe (desde que não seja frito). Eu não como carne, mas para quem come, carnes brancas são as mais amigas, embora tudo dependa da quantidade e das molhangas que usem/abusem. Sementes de linhaça. Bolachas de água e sal. Tortilhas de milho, que eu prefiro às de arroz, que mais parece que estamos a mastigar contraplacado. A Biocentury (que compro no Continente) tem umas  ótimas, com chocolate negro. Ideais para um lanche porque já vêm separadas em embalagens de duas. O que interessa é variar e gostar. Se começar a ficar infeliz, não há dietazinha que me prenda.

Para além da alimentação mais cuidada, estou a acompanhar este regime com massagens, que são fundamentais para não substituir volume por (mais) flacidez. E até nas massagens noto diferença. Se nas primeiras, de cada vez que a menina se entusiasmava, eu dava quatro voltas ao planeta e desfiava todos os palavrões que conheço, agora já consigo falar durante o tratamento sem soluçar e deixar ranho na marquesa. Nódoas negras nas pernas? Tenho. Menos tempo para vegetar no sofá? Certo. Menos uns euros na carteira para gastar em roupa? Também. Mas prefiro usar o que tenho – calças e collants opacos – e sentir-me menos prima da Popota. São escolhas.

Num próximo post escreverei sobre alguns truques simples para ajudar, quer na alimentação, quer no gasto calórico. Porque aqui não há vudus: para emagrecer é preciso gastar mais calorias do que as que se ingerem.

Portanto, se vos der um ataque de pânico e comerem um chocolate, sigam para casa com a vossa pessoa e façam-na pagar pelo vosso erro, em sexo do bom. Garanto que vão começar a receber mais chocolates. Se tiverem a mais, aceito donativos ao fim-de-semana.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Chegou a minha próxima segunda-feira

Depois de vários meses a correr livre por entre Padarias Portuguesas, panfletos da Telepizza e prateleiras de supermercado, chegou o momento de canalizar a supermodelo que há em mim (que há!) e de fechar esta boca.
Não completamente, claro, pois as (parvas) vezes em que ensaiei dietas de fome o resultado foram violentas tendências homicidas. Num caso, em que a duração foi maior, cheguei a piscar o olho ao genocídio. Não foi bonito.

O truque (que não é truque nenhum) é ter uma alimentação que não dê espaço para chegar ao momento de fome. Porque se o meu cérebro tem fome, é ele quem manda no resto das argumentações que pudessem ser produzidas.
Por ele próprio.
O meu cérebro é fascinante.
E cabrão. Porque mesmo que ele saiba que um bollycao é feito de porcaria recheada com porcaria e que as minhas artérias e as minhas coxas (primas dele) não beneficiam nada com aqueles minutos de prazer, ele está perfeitamente a cagar-se para isso. Ele quer aquela gratificação. Ele quer a gordura que fica nos dedos. Ele quer comer tudo à volta para ficar com o último pedaço de chocolate com pão. Ele é um cabrão guloso.

Planeio por isso distrai-lo com saladas coloridas, com maior variedade em troca de maior quantidade, com o açúcar da fruta, com o ocasional quadrado de chocolate negro e com o pecado de fim-de-semana que não dá para dispensar.
Vou também cansá-lo com exercício físico porque se me deitar mais cedo faço menos raides noturnos ao frigorifico. E eu sou um marine-do-snack-fora-de-horas. In&out da cozinha com 500 calorias no bucho, em menos de 7 minutos. Uma máquina de matar (comida).

Já comecei também a fazer massagens. Na verdade é a receber mas que querem vocês que eu diga se é assim que nos habituámos a pôr a coisa? Deixem-me!
Diz a menina que me dá tareias de 50 minutos (a quem passo metade do tempo a insultar de “puta” para cima) (mas só para dentro, que eu sou uma senhora) que retenho muitos líquidos. Ora, analisando a larga quantidade de vezes que me sento (ou acocoro) num trono de cerâmica para urinar e a rara atividade que tenho ao nível intestinal (não sou gaja de merdas), temo que o que a menina está a sentir nas minhas coxas não seja aguinha... Serei eu a primeira mulher a guardar fezes nos tornozelos, depois de todo um dia sentada? Será que quando me incham as coxas, é sinal que devo aplicar um Microlax? Será que em caso de comer um prato de couve portuguesa, poderei libertar gases pelos poros das pernas?

São tudo questões válidas nas quais refletirei enquanto roo uma cenoura crua e fantasio com uma piscina cheia de mousse de chocolate na qual daria mergulhos de boca aberta.

Darei conta dos progressos em futuros posts. Não percam.

Dia 1: não tenho fome mas comia já de seguida dois croissants do Careca. Só porque sim.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sangue no pénis causa acidentes

Adoro observar homens a observar mulheres. Adoro.

A tentar apreciar e caminhar sem tropeçar nos próprios pés - o que para eles, já sabemos, não é tarefa leve. Ou a olhar de soslaio enquanto respondem, em absoluta desatenção, à namorada que levam pelo braço. Ou - um grande clássico - a acelerar o passo para tentar ver a cara da miúda cujo rabo lhes agradou momentos antes. Maravilhoso.

Gosto das caras de parvos. Dos queixos que não poucas vezes descaem mesmo. Das cotoveladas tããão discretas que dão no amigo que segue ao lado. Da falta de noção de que o mundo à volta não parou.
É tudo tão bom.

O meu gostar é genuíno. Pois se eu sou mulher e também olho!
Adoro pernas bem torneadas e dou mil pontos se acabarem nuns sapatos bonitos, com um salto elegante. Gosto de um decote cheio mas discreto, de umas mãos cuidadas, de uma cara arranjada (não necessariamente maquilhada e nunca, NUNCA, excessivamente colorida). Ou apenas, de ver passar uma mulher com um rasgo de “eu sei quem sou e gosto de mim so go fuck yourselves”. Sabem como é? Claro que sabem.

Nós, mulheres, somos raios de Sol. Temos linhas curvas e recantos e cheiros, que eles não conseguem ter. Por mais metro que sejam. Há uma graça em nós que é só nossa. Uma força, uma luz, um colorido, um deslizar. Não sei o que é. Mas sei que está lá/cá e que é bom de se ver.

Dito isto, à hora do almoço vi um homem a cair para cima de um carro quando tentava não perder pitada de uma mini-saia branca que seguia mais ao lado.
Made my day.


 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Zézinho na la-la-land


A propósito do mais recente gesto do papa Francisco, que podem ver aqui, José Sócrates veio dizer que recorda com muita alegria o 30 de fevereiro de 1964, dia em que quando caminhava para a escola, num triciclo, pelas 21h, o papa Francisco também lhe ofereceu boleia no papamóvel.

Diz Sócrates "O Sol brilhava e o veículo, conduzido pela princesa Grace do Mónaco, ia todo enfeitado com castanhas e folhas secas por ser S. Martinho."

Emocionado, conta que à chegada à escola, todos - alunos, professores e escovas de cabelo - festejaram a feliz ocasião plantando uma árvore, cantando as janeiras e comendo amêndoas coloridas.

"Esse dia acabou por ser ainda mais especial porque, no intervalo das aulas, pudemos ver na bola de cristal da diretora da escola, o fantástico Eusébio a defender, sem luvas, o penalti da Inglaterra no Estádio da Luz. São quinzenas que não se esquecem."

Ó Sôdona Assunção Cristãs, e levar este senhor a consultar um médico especialista, ficaria em quanto? Veja lá isso e diga qualquer coisa, que eu acho que a malta até se organiza para pagar a continha. Combinado?




terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Estou com a mosca

Não é a expressão popular. É a nova composição do meu agregado familiar.

A mosca que se mudou cá para casa, há vários dias, é pequena (entre um mosquito e uma mosca comum), chama-se Psychoda (é o nome da espécie, não a batizei) e é muito pouco ativa (nunca a vi a voar). Só sei que é real, e não a materialização de um colapso nervoso, porque ela vai mudando de parede. Já a vi na cozinha, na casa-de-banho e no corredor (pensando bem, não é impossível alucinar uma mosca em várias divisões) (merda).

Enquanto não marco a consulta de psiquiatria, o animal vive alegremente numa casa onde a matriarca (eu) é incapaz de matar animais (nem mesmo moscas nojentinhas) (dá-me pena, não consigo, pronto!) e os instintos de caça do gato residente resumem-se à perseguição de bolas de papel alumínio e do ocasional naco de queijo. Coincidência ou fomos escolhidos…?

E agora? Abro a janela e peço-lhe para sair (com esta chuva?) ou anuncio-a no OLX (“Dá-se mosca, excelente ouvinte, perfeita para serões tranquilos junto a águas paradas”)?

Enquanto não me decido, fica já escrito: moscas, formigas e ratos serão alvo de consideração de soluções; agora, se me aparece uma puta duma barata, grito histérica durante 17 minutos, meto o gato debaixo do braço e só me apanham a três horas de distância.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Mangueiras ao alto

Terminou a votação para a Palavra do Ano 2013. Sem grandes surpresas, a eleita foi “bombeiro”.

Podem dizer que "ah e tal os incêndios" mas aposto que nos últimos dias a votação foi mais intensa, não é meus grandes queridos Bombeiros Sapadores de Setúbal?


 


Pessoalmente não gosto de homens musculados. Parecem feitos de plástico - e daquele mais rasca. Não gosto, pronto.

Admito que seja preconceito mas imagino-os sempre em grande autocontemplação antes, durante e depois do duche. Volta daqui, volta dali, flete isto, incha aquilo. No-jo.

Pior: imagino-lhes sempre a masculinidade como uma coisinha patética. No meio de tanto inchaço aposto que dá para guardar numa caixinha de fósforos.

Eu sei, é errado e argumentem o que quiserem, mas eu pretendo viver para sempre na ignorância. Recuso-me a partilhar o pipi com um espécime que está mais interessado nos peitorais dele do que nos meus. Coisas cá minhas.

Mas enfim, dito isto, tinha prometido neste post, que hoje revelaria também a minha Palavra do Ano.

As candidatas eram as seguintes:

          Amizade                  Blog
          Casa                       Conhecimento

          Liberdade               Mudança
          Orçamento             Orgasmo
          Paciência               Tempo

E a escolhida, depois de pouca reflexão, foi “mudança”.

O que era a minha verdade, o meu interior, a minha geografia, a minha vida em 2013, acabou. Mais do que mudar, mutou. E a curta distância, diria - com alguma segurança - que para melhor.

Abracinhos às coisas novas e desconhecidas da vida. Celebremos os reinícios com a coragem que só as mulheres parecem ter. 

Venha de lá esse 2014 que já tenho o capacete e as luvas anti-fogo calçadas. Só me falta uma vigorosa mangueira na mão. Anyone...?