quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Portanto...

...hoje é dia onze do doze do treze e são catorze e quinze.
Vou listar dezasseis coisas de que eu gosto.
Vou publicar uma imagem do número dezassete.
E vou deixar-vos vibrar ao som de uma música que inclui o número dezoito.

Porquê?
Estimado leitor que pertence ao grupo de pessoas que se anima com estas sequências de números, siga para a resposta a).
Estimado leitor que é uma pessoa normal, siga para b).

a) Gostou? Ainda bem. Aqui a sua Mulher de Sonho quer que se sinta confortável e bem disposto. Repare como, por baixo de cada post, tive o cuidado de indicar a hora a que foi publicado. Com algarismos. Para que possa acompanhar as suas letras com os seus números. Feliz? Espero que sim. Agora vá lá consultar o Facebook para ver quantos likes teve o seu texto sobre os desejos que pediu às nove e dez deste dia (sim, porque certamente se irão realizar) (é garantido). Volte mais logo, sim? Um grande bem haja.

b) FODA-SE!


Coisas de que eu gosto (por ordem alfabética, para os freaks das letras):

1. Abraços
2. Animais (todos, menos as filhas de Satanás) (as baratas)
3. Balões
4. Chocolate
5. Conversas inteligentes
6. Gestos de ternura
7. Livros
8. Material de escritório (podia viver semanas no Staples)
9. Nadar
10. Ópera
11. Pequenos-almoços de hotel
12. Queijo
13. Sexo
14. Silêncios confortáveis
15. Stand-up comedy
16. Surpresas





Estava escrito

Tinha uma reunião fora, às 15h.
Almocei no gabinete.
Distraí-me com as horas e saí já a queimar.
Cheguei ao estacionamento do edifício onde tinha a reunião às 14h55. Afinal ia correr bem.
Saí do carro para pegar, pelo lado do pendura, a carteira, o computador e as luvas.
Abri a porta, e vinda sabe-se lá de onde, entrou uma vespa.

Fiquei a olhar, incrédula, cabelo num novelo, por causa do vento, boca aberta de espanto, mãos a tremer de frio.
E a puta ali, desafiadora, com o seu rabo magro enfiado num fatinho de riscas amarelas e pretas, pousada no meu volante, a olhar-me de esguelha.
“E agora?”, pensei eu. “E agora??”

Não a iria matar (não seria capaz) mas não podia arriscar deixá-la fechada. O regresso ao carro só se daria já de noite e nessa altura o mais provável é que estivesse fula e me presenteasse com o seu afiado ferrão. Tendo já sido vítima de uma coisinha dessas, preferi não arriscar.

TIC-TAC
TIC-TAC

Já estava atrasada. Era oficial.

Dei a volta para abrir a porta do condutor, numa patética tentativa de a fazer perceber que não era bem-vinda. “É favor pôr-se na alheta que ninguém a convidou!”. Não disse, mas pensei, com muita força.
Mas ela nada.
Ainda com receio de fazer gestos bruscos, peguei numa luva. Era branca.
Na encenação mais patética e desadequada da expressão “bofetada de luva branca” tentei convencê-la à força de material polar que o lugar dela não era dentro daquela viatura.

Consegui. Recompus-me.

Peguei na carteira e no computador e, quando triunfante, caminhava para o edifício, quentinha por dentro, por saber que não tinha tirado a vida à criatura inocente, pisei um caracol.

Estava escrito.

 
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Elementar, ele vai voltar!



Afinal não se finou (que enorme surpresa) e regressa não tarda muito.
Meu querido Benedict, vinde cá à sua Mulher de Sonho, para um grande colinho.


O meu obrigada ao Sir Arthur Conan Doyle por nos estender a passadeira para o que viria a ser um deslumbre para os sentidos.
Adoro esta série, que tem muito mérito por si só, sim senhor, mas que dá 15 a 0 porque conta com o fenomenal ator que é o Benedict Cumberbatch.
Ora oiçam-no aqui a declamar, no programa do Jimmy Kimmel, a letra de uma música do R. Kelly.
Se ele podia ler-nos o Guerra e Paz? Podia! Ai se podia...



Casta Diva, cortesia de Jean Paul Gaultier

Os meus habituais instintos homicidas para com os senhores dos perfumes - que nesta época entopem os nossos espaços publicitários televisivos - este ano estão reduzidos para menos de metade. E porquê? Porque este ano alguém teve o bom gosto de musicar um deles com a melhor ária de ópera que conheço. E eu conheço algumas.

Sim, esta Mulher de Sonho ama ópera como ama chocolate: alarvemente. E ama particularmente Maria Callas, uma voz sem igual que me faz chorar de emoção e de lamento por nunca a poder ver e ouvir ao vivo.

Já sei que muitos não partilharão deste meu gosto - passei anos a ouvir palavras como “gritos”, “histeria” ou “ruído” - mas ver-me feliz era levar-me a ver a Norma à ópera de Paris ou, para os que acreditam que não há impossíveis, trazer a Maria Callas até à minha sala e pedir-lhe para me cantar isto.

O Casta Diva, da Norma, é coisinha para quebrar o mais frio dos corações. Ora oiçam.



A Norma é uma mulher despeitada, trocada por outra mais jovem. O traidor é o homem com quem tem dois filhos, um sacana de um romano que andava a invadir a Gáulia. E agora digam lá que não é um género musical moderno e para todas as gerações!

Seja como for, obrigada, senhores do Jean Paul Gaultier Parfums, cujo making of do anúncio aqui deixo. Não é o que está a passar cá mas ficam com uma ideia.



Eu nem tinha dado pelo rapaz musculado. Se ao menos ele cantasse ópera...

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Se em 2065 me encontrares com uma doença-filha-da-puta destas (desculpem, mas não há outro nome para isto), e visto que até sou uma alma gentil (err...), venho pedir-te que me ponhas no sapatinho um marido assim.

Bem sei que devia tratar eu deste assunto, mas sem garantias que vá mesmo ser necessário, prefiro não lavar meias encardidas e aturar delírios futebolísticos durante 50 anos, para depois o tipo me morrer tranquilamente durante a noite e me deixar sozinha sem saber se sou uma pessoa ou uma couve.

Combinado?

Tua,

Mulher de Sonho


Quem chegar ao fim disto sem um aperto no coração, é um xisto.



Mau demais para ser verdade (mas é)

Deambulava esta Mulher de Sonho por uma grande superfície tipicamente masculina, embalando no seu caminhar incautos consumidores em busca de uma placa de aglomerado ou de uma telha curva, quando meus pestanudos olhos bateram naquilo.

Quando achava que já tinha visto todo o tipo de atrocidades natalícias, eis que fico frente a frente com a entidade divina das coisas feias. Com a padroeira dos pirosos. Com a prova provada que há (maus) gostos para tudo.
O horror dos horrores natalícios existe. E vive no Leroy Merlin.

Ali, à vista de toda a gente, sem qualquer pudor estético, estava uma árvore de Natal roxa. ROXA!

UMA-ÁRVORE-DE-NATAL-ROXA. ROOOOOXAAAAAAA!

Porquê? Como? Onde?
QUEM...?

Não estou a ver qualquer cenário em que isto seja aceitável. Nenhum.

Preciso que seja janeiro.
JÁ!


 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Warning: animal lover post

Deixei o meu gato em casa alheia para fazer a minha mudança.

Quem tem animais e já fez uma mudança de casa sabe que não são elementos compatíveis. A menos que se tenha um elefante ou dez jumentos – nesse caso até pode dar jeito.

Não era o caso. O gato foi de férias.

A mudança fez-se, mas como parece que estou a viver na Feira da Ladra depois da passagem de um furacão, ainda não o fui buscar. Mas fui visitá-lo. Sou uma mãe de coração dilacerado (sim, mãe, oquéquefoi?!). Tinha saudades do bicho e medo que ele se esquecesse de mim e mais um chorrilho de mariquices que não vou reproduzir aqui.

A visita foi relativamente curta (não por opção minha) mas deu para tirar algumas notas. Atentem:

- Na casa onde o meu gato está vivem mais três gatos. O meu gato já manda nos outros. Ali vive um gang de gatos e o meu é o líder.

- O meu gato é gordo. Não é largo de ossos, não está rechonchudo, não é de estrutura larga. Não. O meu gato é mesmo gordo. É só quando o vejo ao pé de outros felinos que tenho a real noção da desgraça que vai naquela barriga. Tenho que fazer qualquer coisa quanto a isto ou o veterinário ainda me faz um exame rectal a mim.

- O meu gato é lindo. Não desfazendo (caro leitor com felino, queira desde já desculpar) mas a verdade é que é mais bonito do que a maior parte dos gatos. Isto não conta nada no dia-a-dia, claro - é um diabrete -, mas quando bate a saudade vêem-se as coisas com outros olhos. O meu gato podia estar na capa da Vogue ou da Elle. Ou da Playboy (dependendo do cachet).

- Tirar a água do bebedouro, presenteando o chão com vigorosas poças onde depois se aninha para deixar marcas por toda a cozinha, é um hábito que o meu gato achou por bem manter, apesar de ser um convidado. Ele não quer saber onde está: faz o que lhe apetece. E como lá a tijela da água é maior, há regularmente um elegante carreiro de impressões de patas de gato (do meu) da cozinha até à sala. E uma mancha no sofá.

- O meu gato amua. Isto eu já sabia. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que aconteceu, mas quando precisei de o deixar com alguém, no regresso a casa vem sempre com uma beiça de amuo que diz “tentaste abandonar-me, odeio-te, dá-me aquela comida especial para ver se me passa”. Ele está sentido. Eu sei-o. Ele sabe que eu sei.

Portanto é isto. Sou uma fraca, amo o bicho e não vejo a hora de o levar para a nossa casa/acampamento, para que ele possa continuar a destruir-me o sofá, as toalhas e os cachecóis (aos quais gosta de puxar fios e lambê-los – sim, é um gato “especial”) e revirar as muitas caixas que ainda por lá continuam.

Nesta nova morada vai aprender finalmente o que é um pombo (animal que nunca viu) e suspeito que vai ser amor à primeira vista.

Hoje é o dia!


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Agora que o Inverno está à porta

Se está a pensar comprar uns bons pneus para a neve, considere esta marca japonesa.


Este anúncio é recomendado para quem precise de curar soluços (comigo não funciona), provocar gaguez ou libertar instestinos presos.

Quem é amiga, quem é?



Dizer adeus ao xixi

Sempre que vou a uma casa-de-banho com um sistema de iluminação ligado a um detector de movimento é inevitável que termine a minha tarefa fisiológica a acenar estupidamente ao tecto.

Serei a única a padecer deste mal ou aquilo está regulado para gente numa trip de speed?

Será que alguém pode fazer o favor de comunicar a quem quer que programa aqueles demónios, que estar acocorada por cima de uma sanita, a tentar não apanhar doenças de pipi alheio, enquanto se segura a carteira, porque não há nunca há onde a pousar, ao mesmo tempo que se controla a ponta das calças, porque infelizmente ainda há por aí muita mulher que parece não conseguir acertar no buraco, não é compatível com braços agitados freneticamente no ar?

E quando, nem depois de abanar tudo o que se tem à disposição, a puta da luz se acende e temos que encontrar o papel higiénico com a lanterna no telemóvel? Uma delícia.

Ah, mas não me apanham mais! Da próxima vez que der com um sistema destes, guardo o meu xixi para um sítio onde até o Christopher Reeve pudesse tratar dos seus assuntos com a iluminação adequada. Juro.



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Palavra do Ano 2013

Ficaram a conhecer-se esta semana as finalistas para Palavra do Ano 2013.

A votação que já começou e decorre até 31 de dezembro (podem votar aqui), é lançada pela quinta vez pela Porto Editora, e, segundo comunicado visa “enaltecer o património da língua portuguesa, sublinhando a importância das palavras e dos seus diferentes sentidos no nosso quotidiano”. As finalistas são:

 
 
Esta Mulher de Sonho, ciente da importância das palavras - no geral e na minha vida, em particular -, aproveitou o embalo para fazer uma seleção e refletir sobre a Palavra do Ano da Mulher de Sonho 2013. As minhas finalistas são:

          Amizade                  Blog
          Casa                       Conhecimento
          Liberdade               Mudança
          Orçamento             Orgasmo
          Paciência               Tempo

No dia 3 de janeiro conhecer-se-ão os resultados de ambas as iniciativas.
Sei que mal podem esperar.

As alegrias de mudar de casa #2

Não sei se já fizeram uma mudança com recurso a uma empresa especializada. Eu já.
Há uma dinâmica na relação que se estabelece com os técnicos que contratamos para esta tarefa. E esta dinâmica organiza-se em quatro fases distintas.

Fase um: A estranheza
Começa por ser uma relação distante e estranha. Temos dentro de casa pessoas que nunca vimos. Estas pessoas estão a mexer nos nossos pertences, a levá-los escada abaixo, sabe-se lá bem para onde. Queremos confiar que tudo correrá pelo melhor, que tudo chegará completo e intacto, mas desconfiamos, porque na verdade ninguém sabe como é que aquilo vai acabar.
Esperamos o melhor, tememos o pior.

Fase dois: O enamoramento
Há então um estreitar de sentimentos. Afinal já conhecemos aqueles indivíduos há umas horas, quiçá já lhes oferecemos água ou uma cerveja esquecida no frigorifico. Já partilhámos momentos de angústia - como quando o sofá não dá a volta na escada, e agora? -, já vivemos grandes alegrias - como quando afinal, depois de 40 minutos de tentativas, lá se consegue fazer descer o sofá. Somos uma equipa unida. Trocamos olhares cúmplices. Já observámos que as nossas caixas estão a ser transportadas para a carrinha das mudanças e não entregues a um primo mafioso que ali anda a rondar. Relaxamos.
Somos agora companheiros de viagem, na epopeia que é fazer uma mudança.

Fase três: O declínio
Quando metade do dia já passou, e sobretudo quando contratamos uma mudança paga à hora, o nosso bom humor começa a desaparecer pouco depois da hora do almoço (assumindo que começámos de manhã). Estamos cansados porque passámos os últimos dias a fazer caixas e a embrulhar biblots que nem sabíamos que tínhamos. Somos incapazes de compreender porque raio precisam aqueles tipos de descansar 3 minutos depois de nos levarem o piano de cauda para casa. Já não há sorrisos, já não há conversa de circunstância.
E é mútuo. Eles também já não gostam de nós, não ligam aos avisos “FRÁGIL” escritos nas caixas da loiça. Atiram com tudo como se estivessem a fazer birra.
A relação está por um fio.

Fase quatro: Preciso de um duche, de uma caixa de chocolates e de um filme de amor
É então que a mudança termina. Estamos felizes e damos saltinhos. Alguns dão só por dentro, outros até exteriorizam. Não há nada que mais queiramos do que ficar na nossa nova toca, a sós com uma vida envolvida em plástico e cartão.
Já os técnicos podem finalmente ir fazer as suas coisas e não levar mais com os nossos bufos enervados de cada vez que uma caixa é pousada/atirada. Também eles estão felizes.
Antes de separarmos caminhos, chega o momento do pagamento. O temível momento em que descobrimos que gastámos quase tanto naquela operação (+ materiais + IVA + seilámaisoquê), do que na renda. E pagamos - que remédio - de nó na garganta e sorriso amarelo.
Dizemos adeus entredentes (já não somos amigos!), fechamos a porta e ficamos ali, no silêncio, a sentirmo-nos sujos, usados, a desejar comida calórica e um filme que justifique as lágrimas que precisamos de fazer correr. O fim nunca é fácil.

Mudar de casa é um processo merdoso. Já tinha dito, certo?
Preciso de chocolate. Preciso de muito, muito, mesmo muito chocolate.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

E agora?

Mudei-me para um bairro tão simpático que ontem, quando na passadeira quase passei uma velhinha a ferro e lhe levantei a mão para pedir desculpa, ela devolveu-me um aceno familiar e um sorriso que dizia “anda cá, filhinha, que te vou preparar uma refeição caseira”.

Não sei se me vou adaptar.