sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ele é que veio contra mim!

Após anos de avaliação, posso hoje afirmar com segurança que os sensores de estacionamento do meu carro e a minha mãe são primos.

Ainda o passeio está a distância suficiente para lá caberem dois cacilheiros e já estão os bons dos sensores com o seu pi-pi-pi-pi enervado a dar sinal. É tal a histeria que acho sempre que já matei alguém. E pior que tudo, sem a satisfação de dar por isso.
Já a minha mãe, apesar de ter a mesma escola, além da pressão auditiva, assegura-se sempre que a faz também de forma visual. Agarrar-se à pega por cima da porta, como se a própria existência dependesse disso, é um bom exemplo. O travão virtual é um grande clássico. E se formos na auto-estrada a conversa resume-me a monossílabos. Estou convencida que vai a rezar ao mesmo tempo.
E perguntam vocês: “Mas esta Mulher de Sonho conduz mal?”
E eu digo “Estejam calados! Sabem lá o que dizem! Esta Mulher de Sonho é uma exímia condutora e estacionadora (e inventora de novas palavras) de veículos automóveis. Esta Mulher de Sonho até já conduziu camionetas. E chegou ao destino sem velhinhas ou pombos agarrados à grelha frontal. Estão arrependidos? Pronto, então ajudem-me lá a encontrar um sítio para arranjar a jante que destruí num passeio e não se fala mais nisso”.



O dom da invisibilidade

O que é que se passa com os homens, as narinas e os carros?
Não saberão eles que os conseguimos ver no para-arranca a explorar sofregamente as covas do nariz? Alguém já lhes explicou que os vidros do carro (os normais) são transparentes?
Os cães escondem a cara e acham que não conseguem ser vistos. Será que eles estão convencidos do mesmo, em relação ao trânsito?
Que febre é esta que transforma os nossos homens em Indianas Jones do muco sólido e que os convence que não os conseguimos ver no semáforo com o braço metido na cara até ao cotovelo?
Haverá um macaco sagrado que só se materializa se o portador estiver numa fila? Será assim tão especial?
E só se manifestará na espécie masculina? É que ainda não apanhei uma menina nestes preparos – e homens é com fartura.
Se é assim tão importante, por que é que não mandam escurecer os vidros? A sério. Façam lá isso. Ou será que parte da graça é ser apanhado? Mesmo assim. Parem lá.
Faço questão de olhar fixamente sempre que cato um nestes propósitos. A maioria, quando percebe, disfarça (tããããõ mal) e para. Mas também já tenho apanhado alguns que me encaram, mantendo a atividade, e que desviam o olhar, de forma provocatória, sem parar de tentar alcançar o objetivo (que entretanto deve estar a meio do cérebro).
Homens que se dedicam a isto: eu não sou de julgar. Façam lá a vossa caça interior à vontadinha. Mas no trânsito não. Parem lá com isso. A sério.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Parecia tão fácil, não parecia?

(hora do almoço)
(entro no café)
(dirijo-me ao balcão)

Eu - Boa tarde
Ela - Boa tarde. Diga.
Eu - Estas sandes (apontando para sandes já feitas) são de quê?
Ela - Estas são de pasta de atum e estas são de delícias do mar.
Eu - Dê-me então uma de pasta de atum.
Ela - Uma de delícias?
Eu - Não. De pasta de atum.
Ela - Só um momento.

(vira-se para a bancada de preparação de comida e fica de costas para mim)
(compasso de espera)
(não sei o que passa já que as sandes já estão feitas)

(entra em cena uma segunda pessoa do café)
(segundos de conversa entre as duas)
(não consigo perceber sobre o quê)

(a primeira aparentemente desiste e permanece virada para a parede)
(aproxima-se do balcão a segunda)

Ela - Já está atendida?
Eu - Sim... Pedi uma sandes de pasta de atum.
Ela - Uma sandes de delícias?
Eu - Não. uma sandes de pasta de atum!
Ela - Ah. E podem ser destas já feitas?


Obviamente, almocei uma sopa.



Então não?!

Claro que amanhã conseguirei levantar-me novamente mais cedo para ir ao ginásio antes do trabalho.
Claro que terei comigo auscultadores para abafar, com música, os urros da malta que levanta ferro.
Claro que não terei a cara inchada como um balão e restos de rimel no canto do olho quando o tipo mais apetitoso do ginásio vier treinar para a passadeira do lado.
Claro que não me terei esquecido do amaciador, do creme, do blush, do perfume e de um segundo par de collants (ver post de ontem).
Claro que vou ter tempo para tomar o pequeno-almoço antes da primeira reunião.
Claro que o meu chefe não fará comentários sobre o meu cabelo desalinhado. À frente de outras pessoas.
Claro que à noite não terei que voltar ao carro para ir buscar o saco de treino esquecido no porta-bagagens.
Claro que sim.
Então não?!



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A minha cruz de inverno

Para quando uns collants elegantes, sem brilho, com um ligeiro tom bronzeado, no tamanho ideal e feitos de aço?
É que, por mais marcas que teste, por mais caras que sejam, já me começo a resignar ao facto de TODOS os meus collants serem descartáveis. Não há um que tenha vivido a mais do que uma utilização, para contar a história. Ou é durante o dia, ou quando os descalço, ou o grande clássico, logo de manhã, ao vesti-los. Não há falha de unha ou fecho de pulseira que não exista com o único propósito de se engalfinhar com uma puta de uma malha de meia e estragar-me a saída matinal (já de si habitualmente tardia).
Quem me dera estar aqui a dizer que são rasgados no calor de grandes momento de (pré-)sexo, mas a tristeza desta minha cruz é que estou convencida que se calçar uns collants, usando luvas de veludo, e ficar imóvel durante 1 hora, num tapete fofo catado de qualquer aresta microscópica, arrastar-me-ei depois até ao espelho para descobrir com horror que se materializou, no local mais visível e embaraçoso, uma comprida e gorda malha.
Durante os meses de verão esqueço sempre esta grande tragédia da minha vida. Mas agora que chegou o tempo frio (e que até já é Natal nos centros comerciais - morraaaaaam!) abre-se a minha torneira de euros para a malta dos collants.
A sério. Inventem lá isso.

 
O objetivo

 

A realidade
 
 

Have you been high today?

Não há explicação para quão bom isto é.

Deixem-me só ir preparar um mango lassi e vamos todos tentar perceber "who put the goat in there".
 
 
 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Carta aberta a gestores de centros comerciais

Caríssimos senhores,

Estamos nos primeiros dias de novembro.
Na semana passada era outubro.
Estamos a 25 dias de dezembro.
Agora todos comigo: faltam CINQUENTA dias para o Natal.
Dá para perceberem isto antes que eu tire a catana da arrecadação e desate a decapitar renas feitas de luzes? Que febre é esta com que cada vez nos brindam mais cedo? Hã?
O que têm a dizer às vossas vítimas?
Reparem, eu não desgosto do Natal. Vejo valor na reunião da família, na troca de afetos, nas mesas cheias de doces e nas arcas congeladoras a cuspir rabanadas até março.
Eu já tive a minha (gigante e plástica) árvore de Natal a ocupar metade da sala até fevereiro. Caramba, eu tenho o “Christmas”, um patético CD do Michael Bublé a cantar esta merda. E mais grave: oiço-o! (sim, sim, guilty pleasure)
Mas, por deus. Não é em setembro!
Qualquer dia não se pode entrar na Loja do Gato Preto depois de agosto e vamos andar a escolher bikinis e saídas de praia ao som do Jingle (fucking) Bells.
Eu até compreendo que queiram estimular o consumo. O que vier a acontecer nos vossos espaços comerciais, sobretudo. Nada contra. Mas terão os senhores noção dos instintos homicidas que andam a provocar nos consumidores?
Quem não desejou dar um pontapé nos testículos de espuma de um Pai Natal dançante que atire a primeira pedra. E se possível, que seja em direção à menina da perfumaria que faz embrulhos com a mesma qualidade com que os faz a minha tia Alcina (que já tem cataratas há 11 anos e nem um único dedo sem artrose).

Se oiço um “Boas Festas” antes de 15 de dezembro enfio um banano num lojista.
Ficam avisados.


Como assim "problemas de auto-imagem"?

 
Como me dizem que eu sou



Como eu acho que os outros me vêem, realmente



Como eu me vejo



Como eu sou, de facto



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O trabalho que ele dá

Entre o ginecologista e a depilação a laser, os últimos dias foram de intensa (inter)ação para o meu pipi.

Nunca deixa de ser estranho disponibilizar, para manuseamento de terceiros, uma parte do corpo que (me) é tão querida. Por mais à vontade que me tentem pôr, simplesmente não é natural.

Em ambos os casos (ginecologista e depilação a laser) havia luvas envolvidas (hey, cada qual com o seu fetiche). E ainda assim é uma invasão de espaço que não ultrapasso sem alguma dor.

Não falo de dor física, embora eu esteja absolutamente convencida de que preciso de um bico de pato tamanho XS (os senhores lá ao fundo que disseram “hã?” estão dispensados para ir googlar "espéculo vaginal"). E nem vamos falar de laser nas miudezas... É que nem vamos.

Pois que a dor de que vos falo é um dor no orgulho. E porquê? Porque falta ali qualquer coisa de quentinho. Andam para aqui, tira tira, mete mete, e depois do serviço feito - depois “daquilo” - não há nada. Nada! É que não há um abraço, não há uns minutos de carinho, não há um elogio. Não há nada. Nada.

E piora.

Quando, iludida pelo final das atividades, aconchego a(s) vergonha(s) longe da vista dos envolvidos e ensaio uma fuga com um mínimo de dignidade, chega a pièce de résistence.
Minutos depois de ser violada por dedos plásticos e objetos metálicos, ou de estrebuchar como um peixe no convés de uma traineira, ao ritmo frenético de disparos brilhantes e de cheiro a pelo queimado, esta Mulher de Sonho mete o rabinho entre as pernas (no fundo onde terceiros andaram metidos momentos antes), saca do cartãozinho multibanco e é vê-la ali a distribuir sorrisos amarelos enquanto euros, à razão de três dígitos de cada vez, se lhe escapam da conta bancária.

E nem a dor na alma nem o ardor no entrepernas me impedem de, no final de tudo isto, ainda choramingar pelo melhor horário para podermos regressar e repetir tudo de novo. Eu, o meu orgulho ferido e o meu saudável pipi careca.



Revelações

Telefonei ontem a um tipo com quem estou a trabalhar mas que nunca vi pessoalmente.
Ao atender, lançou-me o clássico “Não pode ser boa!”.

Mordi a língua para não responder. E marquei uma reunião para daqui a dois dias.
Pobre diabo.



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

No supermercado

O meu cesto de compras oscila entre o do dono de uma criação de coelhos e o de uma família com três adolescentes alarves.
Os tipos do Continente devem andar numa roda viva para escolher os meus cupões.





Polémicas à parte

Com a quantidade de cabeçadas que fui dando ao longo da vida - não as de aprendizagem, mas mesmo os violentos encontros que o meu crânio tende a ter com robustos e angulosos objetos - encaro a possibilidade de um dia fazer quimioterapia com um misto de curiosidade e horror.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dores maiores

Estava há 2 horas em profundo sofrimento com a língua inchada, tipo rolha de cortiça, depois de a ter queimado violentamente num fdp de um chá, quando passei um dedo no topo de uma folha. Fiz um profundo corte de papel.

Matem-me já.