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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Como uma traça de roda de um candeeiro

Desde que ontem vi uma notícia no Público sobre um edifício abandonado em Monsanto, que não consigo largar esta fotografia.


É uma de dezassete imagens que acompanham a notícia e que o fotógrafo Rui Gaiola registou neste lugar mágico, construído em 1968, e atualmente no estado que podem ver. Foi um restaurante, agora é um fantasma de cimento e cacos de vidro.

Sempre adorei edifícios abandonados.
Há uma dignidade nas paredes destruídas e nos corredores vazios que não se explica.
É como uma talentosa bailarina, chegada aos 90 anos: o mesmo porte altivo, a mesma graça, mas o corpo amassado da idade e a maquilhagem já borrada, pela falta de vista.

Gosto de pensar nas pessoas que percorreram esses locais, nos encontros e nos desencontros, no significado que poderão ter tido para uma história de amor.
De um grande amor.

Adoraria que alguém pegasse nisto e, mantendo a traça original, o recuperasse. De preferência que fosse a minha tia Alcina e que depois me o deixasse em testamento.
Tia, veja lá isso.

Enquanto ela trata dos papéis de compra, esta imagem não me larga.
Quero imprimi-la e fazer um quadro.
Quero memorizar todos os detalhes. O retorcido do ferro e as manchas do vidro.
Quero lá ir, e ter a certeza que é real, não obra de um qualquer vudu digital.

Vejam mais algumas fotografias e encontrem a vossa obsessão (esta é minha, esqueçam lá isso).




 



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ir nadar ao final do dia

Positivo, até passar pelo espelho antes do duche e me ver, pálida como um fantasma, fato de banho até às orelhas, touca branca deformada pelo carrapito em que transformei o meu cabelo e pastosas olheiras de rímel desbotado – descaradamente impingido pela menina da perfumaria como sendo à prova de água (odeio-te, menina da perfumaria).

Sou uma mistura entre a minha tia Alcina, um espermatozoide obeso e o Pierrot.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Carta aberta a gestores de centros comerciais

Caríssimos senhores,

Estamos nos primeiros dias de novembro.
Na semana passada era outubro.
Estamos a 25 dias de dezembro.
Agora todos comigo: faltam CINQUENTA dias para o Natal.
Dá para perceberem isto antes que eu tire a catana da arrecadação e desate a decapitar renas feitas de luzes? Que febre é esta com que cada vez nos brindam mais cedo? Hã?
O que têm a dizer às vossas vítimas?
Reparem, eu não desgosto do Natal. Vejo valor na reunião da família, na troca de afetos, nas mesas cheias de doces e nas arcas congeladoras a cuspir rabanadas até março.
Eu já tive a minha (gigante e plástica) árvore de Natal a ocupar metade da sala até fevereiro. Caramba, eu tenho o “Christmas”, um patético CD do Michael Bublé a cantar esta merda. E mais grave: oiço-o! (sim, sim, guilty pleasure)
Mas, por deus. Não é em setembro!
Qualquer dia não se pode entrar na Loja do Gato Preto depois de agosto e vamos andar a escolher bikinis e saídas de praia ao som do Jingle (fucking) Bells.
Eu até compreendo que queiram estimular o consumo. O que vier a acontecer nos vossos espaços comerciais, sobretudo. Nada contra. Mas terão os senhores noção dos instintos homicidas que andam a provocar nos consumidores?
Quem não desejou dar um pontapé nos testículos de espuma de um Pai Natal dançante que atire a primeira pedra. E se possível, que seja em direção à menina da perfumaria que faz embrulhos com a mesma qualidade com que os faz a minha tia Alcina (que já tem cataratas há 11 anos e nem um único dedo sem artrose).

Se oiço um “Boas Festas” antes de 15 de dezembro enfio um banano num lojista.
Ficam avisados.