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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mulheres 2.0

A partir de que momento é que uma mulher é tão moderna e emancipada que, num espaço comercial sueco, oferece ajuda a um homem de braços carregados de embalagens?

De ontem. A partir de ontem.

Fresca e segura lá seguia esta Mulher de Sonho, numa missão para comprar mais equipamento de apoio para o seu atafulhado composto roupeiro.

Eis que meus pestanudos olhos batem num espécime masculino que se debate, aflito, com sete ou oito artigos de nomes familiares e espetaculares como kalanchoe, försiktig ou tvingen. Entre eles, duas tigelas.

Num ato de bravura tola, o macho tenta tirar um carrinho do dispensador de carrinhos (ou lá como é que se chama àquela geringonça na parede que vomita carrinhos planos). Fá-lo, usando um dos pés. Deixando-se ficar ainda mais à mercê da força da gravidade.
Meu amigo, ninguém espera que um flamingo consiga fazer isso e ele está muito mais tempo ao pé coxinho. Sinceramente.

Então Mulher de Sonho intervém.

Não ia a cavalo, mas faz de conta
(cada um vive os seus momento como quer)

“Precisa de ajuda?”, sussurrei num tom morno e sensual.
Espanto. Uns segundos de silêncio.
“Ah... errr... não, deixe estar, obrigado”, respondeu o macho, claramente embaraçado pelo espetáculo amador de equilibrismo e sobretudo pela inversão dos papéis.

Novos segundos de silêncio, animados pelo tic-tac-ar de uma planta a tentar equilibrar-se numa almofada.

Resignada, encolhi os ombos, sorri e afastei-me.
Enquanto bamboleava as ancas, corredor fora, pensei "Isto não acaba bem".

Ainda consegui ouvir as tigelas a cair.


Menino.