Como só jogo quando há um prémio gordo, é um exercício já mais ou menos oleado. Sei o que faria no imediato, as loucuras, as ofertas e o futuro. Mas isso não me impede de continuar a rever e a fazer ajustes, se necessários.
No fundo, é como que uma mão quente que me embala ao som de dinheiro a ser depositado na minha conta. Dinheiro daquele que nunca conseguiríamos contar à mão, que nem imaginamos o que será ter, que parece que resolveria todos os nossos problemas.
Faço esta gestão de forma organizada mas sempre cheia de fé. Acredito que é desta. É agora que me sai a mim. Como é que poderia ser de outra forma se já tenho tudo pensado? Impossível continuar a viver sem aquele prémio.
Discuto os planos com a minha mãe. Sonhamos juntas. E chega a acontecer que ela se incomode por discordar da forma como vou gerir a fortuna. E entregamo-nos a isso porque quanto mais argumentamos, mais a mudança de vida parece real. “Mas não era preferível viveres no sítio tal? Porquê ir para tão longe?” ou “Ó filha, e depois só te via de seis em seis meses?” ou ainda “Mas não deixavas de trabalhar, pois não?”. Não, mãe. Claro que não. Cem milhões de euros e eu continuava a ter reuniões de quarenta e cinco minutos com pessoas a cheirar a cinzeiro, para chegar ao fim do mês e receber o equivalente à conta do veterinário do rebanho de lamas que viveria no meu jardim.
Enfim.
Saíram-me 4,31€. E agora, como é que eu estico isto?

