O que faz uma mulher jovem, no viço da idade, no pico dos seus instintos reprodutores, quando sentada numa sala de espera vê um homem atraente entrar?
Cruza a perna? Mexe no cabelo? Pega no telemóvel para parecer interessante e cheia de contactos? Hipóteses válidas, sim senhor. Mas nenhuma das que optei por seguir quando na sexta-feira me encontrei neste cenário.
Eram oito da noite. Estava sentada numa sala de espera.
Calças de ganga justas e botas de salto alto. Cabelo solto.
Ouvi a porta a abrir.
Entrou um homem atraente.
Num impulso, levantei-me.
Num segundo, tropecei num tapete.
No que me pareceram três horas, caí desamparada no chão, literalmente aos pés do homem atraente.
Pernas, braços e cabelo por todo o lado, carteira pelo chão a vomitar pacotes de lenços, chaves e corretor de olheiras. Tudo espalhado pelo chão de uma sala de espera numa sexta-feira à noite, aos pés de um assustado homem atraente.
O que faria uma mulher jovem caída de quatro - publicamente humilhada - lançada sem glória aos pés de um homem atraente?
Levantar-se-ia num fósforo, fazendo por apagar da memória o triste momento? Sorriria ao homem, lançando-lhe uma frase inteligente e sexy que abrisse caminho a um convite para jantar? De novo, hipóteses válidas.
Mas esta Mulher de Sonho nada disto fez.
Não. Esta Mulher de Sonho ficou de mãos e pés no tapete a rir de boca aberta. Tão aberta quanto a do homem que lhe oferecia ajuda, entre o embaraçado e o muito embaraçado. Vergonha alheia, está claro.
E portanto ali fiquei, desmanchada pelo chão, a rir como uma hiena bêbeda, numa sexta-feira à noite aos pés de um homem atraente.
E depois fui para casa.
Jantar sozinha.
Tapetes, odeio-vos.
Inteligente, bonita, bem humorada, culta, aventureira, amiga, afetuosa, desinibida. Se não fosse ter mau feitio e nenhum talento para conversa de circunstância, dir-se-ia que sou uma Mulher de Sonho. Mesmo.
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segunda-feira, 24 de março de 2014
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