Podia ser um guia rápido, daquela coleção “qualquercoisa for dummies” (já que essa malta explica tantos temas, por que não isto?). Ou mesmo um guia exaustivo, com todos os meandros e variações, resultando num monstro tipo Guerra e Paz. Assimcomássim, alguém se apressaria a fazer o filme.
Tanto faz. Mas era fazer-se.
O que eu queria era algo que nos ajudasse a navegar por entre o desconforto e o desconhecido de quando se está com alguém em situações de maior intimidade: a etiqueta sexual (Paula Bobone, onde é que a menina anda quando mais de si precisamos?)
Uma boa ajuda é, claro, dar esse passo quando já se tem cumplicidade e à vontade com a outra parte. É uma excelente ajuda. E, quanto a mim, acrescenta mil pontos a toda(s) a(s) experiência(s).
Mas a cumplicidade sexual constrói-se e até se lá chegar há muito terreno hostil.
Rir também é um excelente aliado. Aligeira qualquer momento constrangedor e é a minha política preferida para o embaraço (nem sempre podemos fugir ou esconder a cara num livro).
Por isso, este guia ajudaria em pequenas coisas que, quanto a mim deviam estar definidas. Era isto que eu queria poder consultar.
Por exemplo: quanto tempo, após o “fim” devem os corpos permanecer encaixados? Sim, quanto? 10 segundos? 30? 1 minuto? De imediato? Alguém sabe?
É um momento doloroso porque não queremos desacoplar (nunca uma palavra foi tão bem utilizada) demasiado cedo, não é? Sobretudo se gostamos da outra pessoa. Arriscamos passar a imagem de “ora bem, agora que já está, chega-te mas é para lá, que eu tenho mais que fazer”. Por outro lado, também não queremos ficar ali até criar teias de aranha. Sobretudo se a posição não for a mais cómoda. Ou se o parceiro pesar mais de 90 quilos e tiver tendência para o soninho pós-coital. Amor sim, mas com as costelas intactas.
Então o que fazer? E se estão ambos à espera que o outro ensaie um movimento de fuga? E se lhes dá para a teimosia? Hã? Não concordam que isto devia estar escrito?
Outro momento de incerteza: e se um deles tem que se levantar cedo no dia a seguir e está na casa do outro? Quanto tempo de miminhos pós-amor é o tempo mínimo para não parecer que só lá fomos para olear as juntas? De quanto tempo precisa um homem para não se sentir sujo ou usado ou lá o que for que os homens se sentem nestas alturas? E será que sentem? Se calhar nem sentem! Mas nesse caso, e as mulheres? Quanto tempo, minhas senhoras?
O meu livro é democrático e gender-free. Todos poderiam e deveriam lê-lo. Proponho até uma versão audio-book para se ouvir durante a intimidade. Não era giro?
Mais uma: o dedo no rabo. Sim, sim. Uma inquietação premente na sexualidade moderna. Diz que é do mais agradável que pode haver - um dedinho maroto pelo rabo do vosso homem acima. Mas como lá chegar? Não me interpretem mal: eu sei o caminho. Mas como dar início a essa prática? É que ainda há por aí muito macho a achar que isso é coisa de gay. E ninguém se quer arriscar a levar uma palmada na mão ou um “olhááááííííí!” no calor do momento. Então como introduzir (mais uma excelente utilização de forma verbal) a questão? Ao jantar? No sofá, enquanto se vê um filme? E que tipo de filme: ação, musical, de suspense? E se for de desenhos animados vamos ser olhadas de lado?
É o que vos digo. Isto seria uma excelente ajuda.
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Vejam lá isso.
