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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Estou com a mosca

Não é a expressão popular. É a nova composição do meu agregado familiar.

A mosca que se mudou cá para casa, há vários dias, é pequena (entre um mosquito e uma mosca comum), chama-se Psychoda (é o nome da espécie, não a batizei) e é muito pouco ativa (nunca a vi a voar). Só sei que é real, e não a materialização de um colapso nervoso, porque ela vai mudando de parede. Já a vi na cozinha, na casa-de-banho e no corredor (pensando bem, não é impossível alucinar uma mosca em várias divisões) (merda).

Enquanto não marco a consulta de psiquiatria, o animal vive alegremente numa casa onde a matriarca (eu) é incapaz de matar animais (nem mesmo moscas nojentinhas) (dá-me pena, não consigo, pronto!) e os instintos de caça do gato residente resumem-se à perseguição de bolas de papel alumínio e do ocasional naco de queijo. Coincidência ou fomos escolhidos…?

E agora? Abro a janela e peço-lhe para sair (com esta chuva?) ou anuncio-a no OLX (“Dá-se mosca, excelente ouvinte, perfeita para serões tranquilos junto a águas paradas”)?

Enquanto não me decido, fica já escrito: moscas, formigas e ratos serão alvo de consideração de soluções; agora, se me aparece uma puta duma barata, grito histérica durante 17 minutos, meto o gato debaixo do braço e só me apanham a três horas de distância.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Warning: animal lover post

Deixei o meu gato em casa alheia para fazer a minha mudança.

Quem tem animais e já fez uma mudança de casa sabe que não são elementos compatíveis. A menos que se tenha um elefante ou dez jumentos – nesse caso até pode dar jeito.

Não era o caso. O gato foi de férias.

A mudança fez-se, mas como parece que estou a viver na Feira da Ladra depois da passagem de um furacão, ainda não o fui buscar. Mas fui visitá-lo. Sou uma mãe de coração dilacerado (sim, mãe, oquéquefoi?!). Tinha saudades do bicho e medo que ele se esquecesse de mim e mais um chorrilho de mariquices que não vou reproduzir aqui.

A visita foi relativamente curta (não por opção minha) mas deu para tirar algumas notas. Atentem:

- Na casa onde o meu gato está vivem mais três gatos. O meu gato já manda nos outros. Ali vive um gang de gatos e o meu é o líder.

- O meu gato é gordo. Não é largo de ossos, não está rechonchudo, não é de estrutura larga. Não. O meu gato é mesmo gordo. É só quando o vejo ao pé de outros felinos que tenho a real noção da desgraça que vai naquela barriga. Tenho que fazer qualquer coisa quanto a isto ou o veterinário ainda me faz um exame rectal a mim.

- O meu gato é lindo. Não desfazendo (caro leitor com felino, queira desde já desculpar) mas a verdade é que é mais bonito do que a maior parte dos gatos. Isto não conta nada no dia-a-dia, claro - é um diabrete -, mas quando bate a saudade vêem-se as coisas com outros olhos. O meu gato podia estar na capa da Vogue ou da Elle. Ou da Playboy (dependendo do cachet).

- Tirar a água do bebedouro, presenteando o chão com vigorosas poças onde depois se aninha para deixar marcas por toda a cozinha, é um hábito que o meu gato achou por bem manter, apesar de ser um convidado. Ele não quer saber onde está: faz o que lhe apetece. E como lá a tijela da água é maior, há regularmente um elegante carreiro de impressões de patas de gato (do meu) da cozinha até à sala. E uma mancha no sofá.

- O meu gato amua. Isto eu já sabia. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que aconteceu, mas quando precisei de o deixar com alguém, no regresso a casa vem sempre com uma beiça de amuo que diz “tentaste abandonar-me, odeio-te, dá-me aquela comida especial para ver se me passa”. Ele está sentido. Eu sei-o. Ele sabe que eu sei.

Portanto é isto. Sou uma fraca, amo o bicho e não vejo a hora de o levar para a nossa casa/acampamento, para que ele possa continuar a destruir-me o sofá, as toalhas e os cachecóis (aos quais gosta de puxar fios e lambê-los – sim, é um gato “especial”) e revirar as muitas caixas que ainda por lá continuam.

Nesta nova morada vai aprender finalmente o que é um pombo (animal que nunca viu) e suspeito que vai ser amor à primeira vista.

Hoje é o dia!


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Poltergeists, sacos de pasteleiro e papel higiénico

Fazer uma mudança é - há que dizê-lo com frontalidade - uma grande merda.

Implica embalar e desmontar o que temos no local A, para transportar para o local B, onde nos aguarda a tarefa de desembalar e montar tudo de novo. Dá trabalho e perturba-nos a vida. O processo é normalmente demorado e cansativo, faz-nos perder a paciência em menos de nada e deixa-nos com meia dúzia de coisas partidas.
Como disse, uma merda.

Ando nesta vida. Ainda na fase de preparação mas já com a paciência por um fio. Daqueles muito finiiiinhos.
Infelizmente, em vez de me aparecer a Fada das Mudanças durante a noite (sim, é real, calem-se) ou de encontrar um baú bem fundo, cheio de euros que pagassem uma mudança profissional (daquelas que, na casa nova, até as molduras e os detergentes nos deixam alinhados), está esta Mulher de Sonho a preparar tudo sozinha.

No meio de lamentos recheados de obscenidades e de colossais nódoas negras que vou colecionando devido ao embate em caixotes e móveis fora do lugar, elaborei uma lista mental de coisas que não ajudam no momento de fazer uma mudança.
Partilho-a convosco. Sintam a minha dor.

Gostar de dormir
Há mil coisas para tratar. Nunca há tempo suficiente durante o dia. Dormir, agora só lá para janeiro. Se gostam de dormir, fiquem na vossa casa. Para sempre.

Querer ter as mãos arranjadas
Tenho as mãos de um estivador com 15 anos de carreira. Podia facilmente fazer esfoliação sem precisar de creme esfoliante.

Ter um gato
Eu adoro o meu gato. É fofinho e lânguido e dorme várias horas ao Sol, contorcendo-se de prazer e de contemplação felina. Mas ter um gato enquanto se faz uma mudança, é ter um poltergeist connosco. A sério. Não há caixote aberto no qual ele não entre. Não há saco que ele não explore. Não há loiça deixada casualmente numa bancada cuja resistência ele não queira testar, atirando-a ao chão. O meu gato já trepou pelas pernas do tipo do MEO, já se assanhou ao senhorio, já evacuou durante uma visita de potenciais arrendatários. A casa de banho dele é na cozinha. Eles estavam na cozinha. Eles nunca mais deram notícias.

Ter alergias
Preciso de uma máscara de cirurgia feita de papel de fralda para absorver toda a água que me escorre do nariz quando mexo em roupa e em coisas guardadas há mais de 3 horas. Sou uma carpideira profissional combinada com um caracol: choro e largo ranho em todo o sítio por onde passo.

Fazer refeições em casa
Esqueçam. Tudo o que é utensílio que precisam já estará embalado. Por outro lado, por uma razão que desconheço, o saco de pasteleiro e a tesoura do peixe serão sempre as últimas coisas a guardar. O ideal é comer fora ou encomendar qualquer coisa. Mas nem isso é pacífico: ontem ao jantar limpei a boca a quatro folhas de papel higiénico. E apesar de ser patético, oiçam o que vos diz esta pessoa com vasta experiência em mudanças: embalem os guardanapos, embalem o papel de cozinha, embalem tudo, mas nunca, NUNCA, caiam no erro de embalar o papel higiénico antes do exato dia da mudança. Nunca.

Ter orçamento limitado
Há sempre um cabo, uma lâmpada, um móvel de apoio, um pequeno ou grande eletrodoméstico, uma abertura de contador, um encerramento de contrato, um parquímetro, um técnico, dois técnicos, um jantar que se oferece a um amigo que nos ajudou a transportar um saco de hipopótamos para um sexto andar sem elevador, que chegam para surpreender as nossas escanzeladas finanças. Se estiverem a preparar uma mudança contem sempre com um acréscimo ao valor inicial para estes imprevistos. Nunca falham.

De maneiras que é isto. E o tempo a passar.
Portanto, se me dão licença, vou só ali sentar-me no chão e desesperar um bocadinho.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Higiene social

Não há relação direta entre duas notícias que ocuparam tantos (tele)jornais nos últimos dias. No entanto apetece-me relacioná-las, numa esfera de comportamento em sociedade e nas preocupações de quem (formalmente) nos governa.

Num momento tão particular como o que estamos a viver nos últimos anos, quando há tanto para fazer na “legislação animal”, quando ainda se abatem animais perdidos, com chip, sem o cuidado de se verificar se não há uma família à procura, em desespero, faz sentido o governo lançar a questão do número de cães e de gatos por apartamento? Faz sentido chegar-se a um número concreto, ignorando tantas outras questões – as mais relevantes?
E se forem dois cães e o dono lhes bater todos os dias? E se for apenas um gato e só tiver comida uma vez por mês? E se forem três pinschers e o apartamento tiver 300 m2? E 50 hamsters numa gaiola escura e mal cheirosa, não contam?
Num país aonde ainda se torturam animais numa arena e se permite que os pais levem as crianças a assistir a esta barbaridade, faz isto algum sentido?
E que tal reunir esforços para implementar campanhas de esterilização? De adoção consciente? De penalização de quem maltrata um animal toda a sua vida? Não estará o Ministério da Agricultura e do Mar com as prioridades do avesso?
Higiene social não é ter até dois cães ou quatro gatos num apartamento. Higiene social é ter animais bem tratados, saudáveis e amados, em espaços adequados à sua quantidade e dimensão.

Higiene social não é ter casamentos de toda uma vida. Para toda a vida. Higiene social é respeitar o espaço privado de um relacionamento. Mesmo quando ele acaba. É zelar pelo bem estar das vidas que se geraram. Guardá-las com a própria vida.
Não sabemos o que se passou entre os cidadãos Bárbara e Manuel. A verdade está com eles e é possível que nem seja igual para ambos. Mas sabemos que milhares de crianças vivem expostas a situações de violência de forma continuada. Sabemos que muitas continuam expostas a ela, mesmo depois dos pais se separarem.
Porque a violência não obriga a espaço comum. Vive nas palavras e em gestos que produzem feridas mais fortes do que uma cicatriz na pele. São momentos que permanecem para sempre.
Repito: para sempre.
Não saberá o cidadão Manuel isto? Dizer em público o que disse acerca da mãe dos seus filhos – sendo ou não verdade – não tem consequências? As autoridades de direito não atuam perante afirmações que, com 100% de certeza, chegarão a estas crianças (hoje, amanhã ou daqui a 3 anos)? Fica impune um pai que tenta entrar em casa a meio da noite, acompanhado de desconhecidos e recorrendo a violência, sabendo que os filhos estão do outro lado da porta? Terá o Tribunal de Menores isto em consideração? Caramba.

Se querem regular o que se passa nos apartamentos dos portugueses, deixem lá os bichos de quatro patas e vamos primeiro tratar destes animais.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Coisas que me fazem rir

Os escoteiros acharem que pôr crianças a tentarem vender-me calendários solidários irá funcionar a favor, em vez de contra eles.
Ahah.
Ainda se fossem cães ou gatos.