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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sou tão mulher #1

(estaciono e escrevo no telemóvel)

Nunca me sinto mais feminina do que quando chego a um parque de estacionamento e preciso de abrir a porta do carro para tirar o talão da porcaria da máquina.

Claro que antes disto já tentei alcançá-lo pelo vidro (umas três vezes), já dei folga ao cinto (uma vez com direito a vergastada no peito, outra com palavrão a acompanhar), já tirei o cinto e dei balanço (pedindo desculpa pelo retrovisor ao pobre diabo que no carro atrás espera que o meu braço cresça 4 centímetros) e, em todas vezes, falhei miseravelmente.

Se vou à confiança, dou cabo da jante. Se tento ser moderada, fico de braço de fora, dedinhos a agitar no ar e a sangrar da axila.

Sou tão mulher.

(25 minutos depois, acrescento)

Nunca me sinto mais feminina do que quando chego a um parque de estacionamento e preciso de abrir a porta do carro para tirar o talão da porcaria da máquina.

Exceto quando, no regresso ao carro, despejo o conteúdo da carteira no banco do passageiro, desesperada depois de demasiado tempo de procura, unhas escavacadas em tudo o que é chave (mas por que raio transporto eu tantas chaves...?), porque não consigo encontrar a merda do talão para sair do estacionamento.

Sou um cliché. É isso que eu sou.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ele é que veio contra mim!

Após anos de avaliação, posso hoje afirmar com segurança que os sensores de estacionamento do meu carro e a minha mãe são primos.

Ainda o passeio está a distância suficiente para lá caberem dois cacilheiros e já estão os bons dos sensores com o seu pi-pi-pi-pi enervado a dar sinal. É tal a histeria que acho sempre que já matei alguém. E pior que tudo, sem a satisfação de dar por isso.
Já a minha mãe, apesar de ter a mesma escola, além da pressão auditiva, assegura-se sempre que a faz também de forma visual. Agarrar-se à pega por cima da porta, como se a própria existência dependesse disso, é um bom exemplo. O travão virtual é um grande clássico. E se formos na auto-estrada a conversa resume-me a monossílabos. Estou convencida que vai a rezar ao mesmo tempo.
E perguntam vocês: “Mas esta Mulher de Sonho conduz mal?”
E eu digo “Estejam calados! Sabem lá o que dizem! Esta Mulher de Sonho é uma exímia condutora e estacionadora (e inventora de novas palavras) de veículos automóveis. Esta Mulher de Sonho até já conduziu camionetas. E chegou ao destino sem velhinhas ou pombos agarrados à grelha frontal. Estão arrependidos? Pronto, então ajudem-me lá a encontrar um sítio para arranjar a jante que destruí num passeio e não se fala mais nisso”.