Há quem ache que há um número mínimo de posições a percorrer até se poder apitar para o fim da partida.
Há mesmo quem rotule um coito como coito aborrecido se os corpos se mantiverem paralelos durante a sua duração. E se a sua duração for curta.
Eu discordo.
Lá porque conhecem 143 posições em que um pénis é capaz de entrar numa vagina (e sair) (e voltar a entrar) (e por aí fora), não significa que, em todas as vezes que se entregam aos prazeres da carne, seja necessário passar revista a tooodas as posições. Às vezes, menos é mais, ou simplesmente, é o que é, não é o que tudo o que poderia, em teoria, ser.
Uma relação sexual pode ser plenamente satisfatória sem o vosso dedo grande do pé ser apresentado à testa do parceiro. Sentir é sentir, de cócoras ou em conchinha. E tenho de fonte segura que se podem atingir orgasmos sem passar pelas aulas do Chapitô. Juro.
Acho lindamente que se descubram novos prazeres, que se afinem posições, que se teste a resistência dos candeeiros de teto. Sou pela felicidade sexual e acho que ela (também) depende da variedade. Mas não de forma imposta ou forçada.
Porque se não desfizermos a cama, não foi bom. Porque se não te fizer suar 3 litros, não te chego. Porque “primeiro chupas tu, depois chupo eu, depois tu em cima, depois eu em cima, depois de quatro, agora de pé e no fim vamos para o telhado” é um guião. E os guiões não têm lugar no sexo. Só nos filmes de sexo. E mesmo nesses...
Convenhamos: há alturas em que não estamos para inventar. Ou porque estamos mais cansados ou porque há menos tempo ou porque há crianças, ou porque contra a mesa de jantar onde comeram os sogros na noite anterior já é suficientemente radical.
Há momentos em que estar apenas deitado em cima - ou em baixo - de quem se gosta, é muito melhor do que f*der à porn star.
Dez minutos de manhã, depois de tocar o despertador, podem ser bastante mais divertidos do que quatro horas de pele a cheirar a queimado. O Sting que me venha dizer que não gostaria de se vir nos 7 minutos que leva o esparguete do jantar a cozer. Pois sim.
Tirar dias completos para sexo? Totalmente a favor. Mas não me parece que haja tempos mínimos para o coito se poder qualificar como tal.
Desde que os envolvidos estejam envolvidos, tanto faz estar-se em posição missionária durante nove minutos, ou quarenta e cinco num mortal encarpado à retaguarda.
Portanto, guardem lá os kamasutras de bolso, os cronómetros e o red bull porque o que verdadeiramente importa, como dizia o poeta, “(…) é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício”.
Não era sobre sexo. Mas podia ser.
Para os casais, recomendo este livrinho. Estão lá as posições todas.
Reconhecem alguma?



