Mostrar mensagens com a etiqueta Mulher de Sonho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mulher de Sonho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Experiências divinas leva-as o laxante

Neste Domingo, depois de mais um fim de semana obsceno ao nível da nutrição e do ócio, adormeci a sentir que as minhas artérias gordas precisavam de uma intervenção. E eis senão quando fui visitada por um anjo.

O anjo, que se chamava NãoSouUmaAlucinaçãoCausadaPelaGarrafaDeVinhoQueBebebesteAoJantar, levou-me pela mão a uma montanha. Na aterragem pousei com a graça que me é característica (tropecei num calhau e abri o lábio de cima).

Uma voz mandou-me pegar num ganso que por ali andava e sacar-lhe uma pena. Depois de me desviar dos outros sete gansos - histéricos e às bicadas a tudo, inclusive ao anjo NãoSouUmaAlucinaçãoCausadaPelaGarrafaDeVinhoQueBebebesteAoJantar, que entretanto afiambrou três socos num e dispersou os restantes, agitando a harpa descontroladamente - fiz o que a voz ordenava. “Vamos fazer um ditado”.

Eu nunca o vi o tipo que dava ordens mas acreditei que ele existia porque se não existia aquilo não fazia sentido e era tudo só porque sim.
Além do mais quando lhe perguntei pela tinta para molhar a pena, ele apresentou-me um cordeiro com meia dúzia de semanas e sacrificou-o ali à bruta só para eu usar o sangue para escrever.
É claramente o tipo de pessoa com quem não queremos entrar numa discussão. Sobretudo com argumentos como “Ah, tu não existes e isso.”

Preparei-me então para escrever e ele começou.

Mulher Mesmo de Sonho,

Ao fim de semana não comerás todo o pão disponível na Padaria Portuguesa.
- Espera, não! Ordeno-te que risques e escrevas antes assim (mas qual é o problema deste tipo?)

Ao fim de semana não comprarás pão, croissants açucarados ou palmiers simples da Padaria Portuguesa.
- Não! Risca e substitui (isto das ordens é uma cena de infância: aposto que não foi amamentado)

Ao fim de semana não entrarás na Padaria Portuguesa.
- E acrescenta (e eu entretanto caladinha, enquanto vejo o cordeiro degolado pelo canto do olho)

Ao fim de semana não entrarás nem aceitarás ofertas da Padaria Portuguesa. (pronto, já fui)

Ao fim de semana não comerás todas as refeições que confecionares (mesmo que fossem para oito pessoas) com a desculpa que não tens espaço no congelador.
Ao fim de semana não renegarás os legumes e a fruta.
Ao fim de semana não adorarás entidades divinas como a lasanha, a francesinha ou a mousse de lima.
Ao fim de semana não cobiçarás as sobremesas dos amigos, provando duas colheres de cada taça.
Ao fim de semana não mentirás a ti própria repetindo que tens “um metabolismo acelerado e que podes comer tudo sem engordar”.
Ao fim de semana não esquecerás que tens 230 de colesterol.
Ao fim de semana não beberás coca-cola suficiente para que os teus intestinos possam servir de boia de salvação, para uma família de dezassete náufragos cubanos.
Ao fim de semana não alaparás no sofá a ver filmes e séries até desenvolveres escaras nas nádegas.
Ao fim de semana não ignorarás a lida da casa, dando pequenos toques no cotão até que deslize para debaixo de um móvel.
Ao fim de semana não esquecerás o teu estatuto de Mulher de Sonho e farás o amor, apaixonada e longamente, transpirando calorias suficientes para poderes comer um pãozinho com chocolate a seguir.

Acabámos.
Ele pediu-me o texto.
Riscou a última frase (que eu tinha metido à pressão, a ver se passava) e todo lixado amaldiçoou-me. A mim e a sete gerações da minha família.

E num grito de trovão disse “Agora baza, ó hipopótama!”.

Apanhei o anjo NãoSouUmaAlucinaçãoCausadaPelaGarrafaDeVinhoQueBebebesteAoJantar de volta.
Saí na minha casa, comi um donut e voltei a deitar-me.

E isto passou-se.

O que nem o tipo, nem o anjo, repararam, é que nada daquilo foi escrito em pedra.
De maneiras que agora tenho meio rolo de Renova escrito a sangue de carneiro bebé que, se o Dulcolax-gotas de facto funcionar, daqui a 5 horas estará desfeito e a assomar na ETAR de Alcântara, juntamente com as três carcaças com manteiga de amendoim que comi no Domingo.

Pumbas!



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Mangueiras ao alto

Terminou a votação para a Palavra do Ano 2013. Sem grandes surpresas, a eleita foi “bombeiro”.

Podem dizer que "ah e tal os incêndios" mas aposto que nos últimos dias a votação foi mais intensa, não é meus grandes queridos Bombeiros Sapadores de Setúbal?


 


Pessoalmente não gosto de homens musculados. Parecem feitos de plástico - e daquele mais rasca. Não gosto, pronto.

Admito que seja preconceito mas imagino-os sempre em grande autocontemplação antes, durante e depois do duche. Volta daqui, volta dali, flete isto, incha aquilo. No-jo.

Pior: imagino-lhes sempre a masculinidade como uma coisinha patética. No meio de tanto inchaço aposto que dá para guardar numa caixinha de fósforos.

Eu sei, é errado e argumentem o que quiserem, mas eu pretendo viver para sempre na ignorância. Recuso-me a partilhar o pipi com um espécime que está mais interessado nos peitorais dele do que nos meus. Coisas cá minhas.

Mas enfim, dito isto, tinha prometido neste post, que hoje revelaria também a minha Palavra do Ano.

As candidatas eram as seguintes:

          Amizade                  Blog
          Casa                       Conhecimento

          Liberdade               Mudança
          Orçamento             Orgasmo
          Paciência               Tempo

E a escolhida, depois de pouca reflexão, foi “mudança”.

O que era a minha verdade, o meu interior, a minha geografia, a minha vida em 2013, acabou. Mais do que mudar, mutou. E a curta distância, diria - com alguma segurança - que para melhor.

Abracinhos às coisas novas e desconhecidas da vida. Celebremos os reinícios com a coragem que só as mulheres parecem ter. 

Venha de lá esse 2014 que já tenho o capacete e as luvas anti-fogo calçadas. Só me falta uma vigorosa mangueira na mão. Anyone...?

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Senhores, eis aqui a solução!

Caríssimo leitor que ainda não comprou presente para a sua senhora: sim, sim, o cavalheiro aí do outro lado. Não tem vergonha? O que é que tem andado a fazer, para além de tirar macacos na fila de trânsito e de babar fins-de-semana inteiros em frente à playstation? Hã? Nada, não é? Uma ou outra masturbação e é isto a sua vida. Não tem desculpa, pois não? Claro que não.

E portanto, propõe-se o desesperado leitor a enfrentar hoje, ou mesmo amanhã, a fúria cega das massas que se enfiam num shopping em vésperas de Natal. As filas intermináveis, os artigos que já não há no tamanho dela, o talãozinho de troca que vai denunciar a sua falta de empenho.

É bom que seja uma joia. Depois não diga que não avisei.

E sabe o pior? É que de certeza que ela já escolheu o seu presente há semanas. Que já o foi comprar e esconder num cantinho lá de casa. Estará certamente num sítio onde ela sabe que o prezado leitor nunca irá. Talvez no armário dos tachos e das panelas. Ou na arrecadação, por trás daquele candeeiro que lhe prometeu que pendurava, já lá vão 6 meses. Ou mesmo dentro do cesto da roupa suja, cujo conceito, o limitado leitor, por ser possuidor de órgão reprodutor masculino, ainda não conseguiu compreender. Repita comigo: a cueca suja vai para DENTRO do cesto. Não fica À VOLTA do cesto nem POR CIMA do cesto.

Mas à frente, que divago.

Embora não mereça, nada tema! Esta Mulher de Sonho, por ser de sonho, tem infinita paciência para as particularidades masculinas (mas não vamos abusar, está certo?) e traz-lhe hoje a solução. O antídoto. A cura milagrosa!

Não só é algo de que a sua senhora certamente gosta (se não gosta, troque de senhora), como pouco pesará no seu orçamento. Mesmo que se esmere, nunca custará o mesmo que uma joia ou um trem de cozinha (seguido de lágrimas, seguido de greve de sexo, seguido de joia).

O empenho que vai exigir a sua preparação tornará este um presente verdadeiramente especial e estreitará os laços entre o casal. De forma simples: ela vai adorar.

Aproxime-se então, curioso leitor, e veja (e oiça) AQUI, o que lhe proponho, que eu não estou aqui para enganar ninguém. É tudo de coração.

É ou não é a solução que estava à procura? Claro que é!
Siga já para o chinês comprar uma caixa e uma tesoura e nem precisa de agradecer!

E se ela não gostar, já sabe: uma joiazinha faz milagres. E tente lá acertar à primeira para não ter que entregar o talão. Veja lá isso.

* Para grande alegria de uma larga quantidade de pipis, um dos moços do vídeo vem dar um concerto em Portugal no próximo ano. Percebeu quem era, certo? Pelo sim, pelo não, que tal juntar um bilhete para o Rock in Rio ao restante presente? Assim, até pode ser que o Pai Natal lhe deixe um felácio no sapatinho.

Quem é amiga, quem é?



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Comer sushi como um lenhador

Eu não sei se os lenhadores comem sushi.
Não sei se depois de uma longa jornada na floresta, a dar machadadas em grossos troncos, eles sacam da marmita, do termo e dos pauzinhos.
Eu acho que já nem há lenhadores. Daqueles de antigamente.

Mas se há e se comem sushi em quantidades industriais, sem querer saber o que os restantes convivas vão achar do festim, e sem qualquer interesse na questão inestética de um estômago deformado, então eu sou um lenhador-comedor-de-sushi.

Não há restaurante japonês que seja o mesmo, depois da minha passagem.
Há sorrisos nervosos, olhares incrédulos e até o ocasional comentário.

Façam o vosso melhor.
Tragam os sabores mais exóticos.
Apresentem o gengibre mais avinagrado e o wasabi mais picante.
Esta Mulher de Sonho estará (sempre) pronta.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A importante problemática dos cabides

Ontem no palácio da Mulher de Sonho sonhou-se um roupeiro de 2 metros de largura, com lindas portas de vidro fosco a deslizar como as atléticas patinadoras do gelo que tantas horas me fizeram sonhar em criança.

E do sonho se fez realidade, embora a montagem de alguns artigos do IKEA - como a deste cabrão deste roupeiro - pareça exigir a presença de dois engenheiros da NASA e não dos tipos sorridentes que aparecem nas instruções de montagem.


Como nunca fui miúda de voltar as costas a um desafio, aconteceu magia. O lindo, imponente e, muito em breve, demasiado pequeno roupeiro foi construído com suor, zero lágrimas e algum sangue (cortei o dedo numa caixa de cartão).

Agora que o bicho está de pé (vá lá, não sejam ordinários), e porque este roupeiro veio fazer companhia a um irmão ainda maior que já me levou todos os cabides, precisei de arranjar mais soluções para pendurar camisas e blusas.

Embora prefira os cabides de madeira e os utilize para casacos e blazers, os de arame (da lavandaria) são a solução ideal para as restantes peças. Quem tem alguma muita roupa, como eu, sabe a dificuldade que é organizar roupeiros por causa do espaço que os cabides de madeira ocupam. Quando comecei a usar estes magritos, o meu espaço triplicou e nunca mais os larguei.

E perguntam vocês: mas ó maravilhosa Mulher de Sonho, como conseguimos deitar mão a esses cabides mágicos sem fazer obscenos investimentos em lavagem a seco? Ora bem, eu perguntava-me o mesmo até encontrar a Loja dos Cabides, que podem visitar aqui. Há para todos os gostos, mas estes custam 0,07€ por unidade (vendem-se em conjuntos de 100) e são entregues no conforto da vossa morada. Não é espetacular? Eu acho que sim e já os tenho a caminho.

Outra vantagem destes cabides é que podem ser reaproveitados para fazer coisas bem giras. Vejam algumas sugestões abaixo e digam lá se o metal não é o que está a dar.







E para as mais habilidosas



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Se hoje não fosse sexta-feira....

...tinha que ser.
 
Estou arrasada.
Entre as mudanças, as arrumações e o (excesso de) trabalho, não tenho dormido mais do que cinco horas por noite. 
 
Ontem estive quase uma hora à procura de umas calças. UMA HORA!
Não há Mulher de Sonho que resista.
 
Tenham um bom fim-de-semana, sim?

 
 

35 and single

Queridas leitoras, queiram tirar 7 minutos do vosso dia para ver este filme feito por uma argentina de 35 anos, sobre as suas opções de vida. É clicar aqui.

Tantas vezes nos tentam fazer seguir o trilho do "que é suposto ser", que nos deixam a questionar quem somos. A pôr em causa o que queremos para a nossa vida. A procurar a felicidade em locais onde ela, para nós, nunca existirá.

Namorar, casar, ter filhos, por esta ordem, na idade "adequada", pode ser maravilhoso, se for essa a nossa opção. Se não for, deixem lá as perguntas e as pressões e sigam com a vossa vidinha.

Talvez seja o tamanho do nosso sorriso que incomoda. Ou as olheiras que exibimos com orgulho, depois de uma noite de sexo divertido, sem fins reprodutivos. Seja como for, guardem com unhas e dentes o direito às vossas escolhas e empinem esse nariz - até ao céu! - se alguém se atrever a pôr em causa a vossa vida.

Se forem das que seguiram o caminho mais tradicional (ou "normal", como diria a minha mãezinha), parem lá de atormentar aquela amiga giríssima que não há meio de assentar. Suspendam os jantares lá em casa para lhe apresentar os amigos do vosso marido. Ou de lhe oferecer DVDs de séries sobre lésbicas...

Se calhar, tem 35 anos, é solteira e está feliz assim!



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Mau demais para ser verdade (mas é)

Deambulava esta Mulher de Sonho por uma grande superfície tipicamente masculina, embalando no seu caminhar incautos consumidores em busca de uma placa de aglomerado ou de uma telha curva, quando meus pestanudos olhos bateram naquilo.

Quando achava que já tinha visto todo o tipo de atrocidades natalícias, eis que fico frente a frente com a entidade divina das coisas feias. Com a padroeira dos pirosos. Com a prova provada que há (maus) gostos para tudo.
O horror dos horrores natalícios existe. E vive no Leroy Merlin.

Ali, à vista de toda a gente, sem qualquer pudor estético, estava uma árvore de Natal roxa. ROXA!

UMA-ÁRVORE-DE-NATAL-ROXA. ROOOOOXAAAAAAA!

Porquê? Como? Onde?
QUEM...?

Não estou a ver qualquer cenário em que isto seja aceitável. Nenhum.

Preciso que seja janeiro.
JÁ!


 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Palavra do Ano 2013

Ficaram a conhecer-se esta semana as finalistas para Palavra do Ano 2013.

A votação que já começou e decorre até 31 de dezembro (podem votar aqui), é lançada pela quinta vez pela Porto Editora, e, segundo comunicado visa “enaltecer o património da língua portuguesa, sublinhando a importância das palavras e dos seus diferentes sentidos no nosso quotidiano”. As finalistas são:

 
 
Esta Mulher de Sonho, ciente da importância das palavras - no geral e na minha vida, em particular -, aproveitou o embalo para fazer uma seleção e refletir sobre a Palavra do Ano da Mulher de Sonho 2013. As minhas finalistas são:

          Amizade                  Blog
          Casa                       Conhecimento
          Liberdade               Mudança
          Orçamento             Orgasmo
          Paciência               Tempo

No dia 3 de janeiro conhecer-se-ão os resultados de ambas as iniciativas.
Sei que mal podem esperar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Para a semana, mudo de vida

No passado, quando formulei este pensamento ou disse este conjunto de palavras, estaria seguramente a referir-me a uma destas coisas:

a) começar uma dieta e/ou parar de comer como um hipopótamo
b) (re)começar a ir ao ginásio ou a correr
c) reavaliar uma (má) relação

Desta vez o motivo é d).
Não é que não precisasse de começar a comer melhor (que é como quem diz, pior) mas agora é diferente.

A busca por uma nova toca a que pudesse chamar lar, terminou. É tempo de pegar nos tarecos e começar uma vida diferente. A Mulher de Sonho vai mudar de casa.

Das muitas mudanças que fiz nos últimos anos, esta é a mais difícil. De longe. Não só porque quando chegamos à sétima, o entusiasmo diminui (sim, sim, sétima) mas sobretudo porque já se conhecem todas as dramáticas fases que temos que atravessar até a nova casa estar confortável. É como ir à depilação: queremos ter pele de golfinho bebé, conhecemos o processo, sabemos que vai custar, mas na verdade nada nos prepara para ter um laser apontado ao ânus.

Portanto, como o que tem que ser diz que tem muita força, esta Mulher de Sonho vive agora dias de glória por entre caixas de cartão grosso, papel de revista e rolos de papel bolha.
Ainda nem comecei a embalar e já tenho suores frios de cada vez que olho para o papel bolha e ele olha de volta e me diz, numa voz arrastada e sensual, “vá, rebenta comigo, de que é que estás à espera?”. E eu suo, porque na verdade, eu quero lá embalar alguma coisa! O que eu quero realmente é sentar-me no chão e rebentar uma – bolha – de – cada – vez. Paac! Paac! Paac! Paac! E depois rebolar por cima do plástico vazio, mandar vir uma pizza, ver uma série e esperar que a Fada das Mudanças apareça durante a noite e que trate de tudo por mim (também não tenho dormido muito) (nota-se?)

A vertigem que se segue - e que vem lá a enorme velocidade - é a de meter a vida em caixas e em sacos, e meter as caixas e os sacos, e a vida lá dentro, na mão de estranhos, e perceber que anos de existência cabem em camionetas de tamanho médio. E que se alguma coisa explodir durante a viagem e tudo pegar fogo, nem os cartões das caixas posso aproveitar para dormir debaixo da ponte. Dramática, eu?

Admitamos que tudo corre bem. Tudo intacto espalhado pela casa. E agora? Agora serão dias a fio à procura disto e daquilo. E, do que for que eu preciso, estará sempre na última caixa em que procurar. Ou na primeira, mas debaixo de uma coleção de bigornas. Ou de pianos de cauda. Vocês entendem.

E o clássico momento em que odiarei toda a Humanidade por ter escolhido aquela casa nova? Pois é. Há sempre um momento que me faz questionar tudo. Pode ser uma torneira que pinga toda a noite, uma fresta de janela impossível de tapar ou o contador na parede no qual darei uma cabeçada por semana. No mínimo! (quem é que pôs aquela merda naquele sítio?) (viviam ali anões, era?) (não se vê mesmo que aquela aresta é para matar?)

Desejem-me pois muita sorte e muito vigor pois o que lá vem não é fácil.
Sou de sonho mas não sou de ferro.



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Mulher de Sonho, Rainha dos Soluços

Se eu fosse uma rainha, seria a Rainha dos Soluços.

Eu já tive soluços em todas as ocasiões: nas aulas do liceu, nas aulas da faculdade, nas aulas durante um exame, em reuniões de trabalho, em jantares românticos (era um jantar romântico, depois passou a ser o circo Chen), na praia, num concerto e até num velório.

Os meus soluços já fizeram rir, já interromperam e já incomodaram.
Eles já mobilizaram amigos, conhecidos e até desconhecidos, ávidos por testar nesta freak todos os truques para os fazer parar.
Eu conheço todos mas só um funciona comigo - e, mesmo assim, nem sempre.

Os meus soluços vão de “hic” a “hucc” e até a “ai que não aguento mais, é desta que me fico”.

Os meus soluços já duraram menos de um minuto (sem contar com os falsos alarmes) e já duraram mais de 1 hora (do mais divertido que possam imaginar).

Alguns têm graça (na verdade, os primeiros cinco têm quase sempre), outros envergonham e muitos magoam.

Genericamente, as causas que geram soluços são variadas: comer depressa, rir muito, falar durante muito tempo, ingerir bebidas alcoólicas em excesso, chorar compulsivamente, e vomitar, são algumas delas.

Concluo, portanto, que ou o meu diafragma sempre quis protagonismo (mesmo quando ainda não havia decote para exibir) ou ando há anos a vacilar, num alarmante quadro mental, entre a euforia, a depressão e o alcoolismo.





quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quem não se deita com o Vitinho tem problemas com as cuecas

Ando a dormir pouco. Muito pouco. Não são insónias e o motivo é bom, mas ainda assim, é pouco.
E como é que eu sei isto? Porque sabes que andas a falhar demasiadas horas de sono quando vais à casa de banho a meio da manhã e percebes que tens a tanga ao contrário. Sim, a parte de trás para a frente, a parte da frente para trás.
Já nem questiono o facto de não ter reparado/sentido a etiqueta no entrepernas, mas como raio não percebi que, não só a parte de trás estava mais para o grandinho, como a da frente roçava o obsceno...?
Agarro-me ao facto de pelo menos a ordem estar certa: cuecas por dentro, calças por fora. A este ritmo, já nem isso posso dar por garantido.
Se um dia destes virem passar uma Mulher de Sonho de pijama, saltos altos e um pente metido no cabelo, shiiiu!, deixem dormir só mais cinco minutinhos.





terça-feira, 12 de novembro de 2013

Depois de Paris, NY e Milão: Alfragide

E andar 20 minutos a desfilar no estacionamento do IKEA sem saber do carro?

Sapatos de saltos (muito) altos: sim.
Confiança e sensualidade: sim.
Chãozinho de cimento e gases tóxicos: sim.
Duas toalhas azul-bebé, uma frigideira e um vaso com um cacto, tudo quase a cair das mãos: enfim...


 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Tenho um part-time e não sabia

Esta coisa de pôr os clientes a desempenhar papéis fundamentais para o processo de compra tem a sua graça. Tenho percebido ultimamente que tenho part-times no Continente, no Jumbo, na Decathlon, na FNAC e no IKEA. E cheira-me que não ficarei por aqui.

Com uma lata bestial, estes senhores sugerem que, se não queremos ficar na fila para pagar – PORQUE ELES NÃO DISPONIBILIZAM CAIXAS EM QUANTIDADE SUFICIENTE (ficava mais caro, não era?) – que o façamos nós em locais que nos transformam em perfeitos mentecaptos sem capacidade para conseguir que o fdp do leitor encontre o fdp do código de barras.
Avançamos alegremente para esta modalidade self-service, satisfeitos, por ter caixas “rápidas” e lá ficamos, em quase 100% das vezes, com ar de rafeiros abandonados, à procura de quem nos ajude a registar o saco das cebolas ou a caixa de gilletes que vem fechada num cofre-forte.
(a propósito, qual é o bando que anda aí a roubar gilettes como se não houvesse amanhã?)
(eu acho que mais valia fecharem as tabletes de chocolate ou os bollycaos, mas eles lá saberão).

Tudo isto para dizer que eu nem me importo de acumular estes part-times, mas senhores, mandem lá o chequezinho, sim?
Já bem basta dar-vos o privilégio de deixar o meu perfume nos vossos corredores.
Rápido e à ordem de Mulher de Sonho. Vá.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ele é que veio contra mim!

Após anos de avaliação, posso hoje afirmar com segurança que os sensores de estacionamento do meu carro e a minha mãe são primos.

Ainda o passeio está a distância suficiente para lá caberem dois cacilheiros e já estão os bons dos sensores com o seu pi-pi-pi-pi enervado a dar sinal. É tal a histeria que acho sempre que já matei alguém. E pior que tudo, sem a satisfação de dar por isso.
Já a minha mãe, apesar de ter a mesma escola, além da pressão auditiva, assegura-se sempre que a faz também de forma visual. Agarrar-se à pega por cima da porta, como se a própria existência dependesse disso, é um bom exemplo. O travão virtual é um grande clássico. E se formos na auto-estrada a conversa resume-me a monossílabos. Estou convencida que vai a rezar ao mesmo tempo.
E perguntam vocês: “Mas esta Mulher de Sonho conduz mal?”
E eu digo “Estejam calados! Sabem lá o que dizem! Esta Mulher de Sonho é uma exímia condutora e estacionadora (e inventora de novas palavras) de veículos automóveis. Esta Mulher de Sonho até já conduziu camionetas. E chegou ao destino sem velhinhas ou pombos agarrados à grelha frontal. Estão arrependidos? Pronto, então ajudem-me lá a encontrar um sítio para arranjar a jante que destruí num passeio e não se fala mais nisso”.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Inquietações

Quando foi que as minhas sardas passaram a ser manchas na pele e por que é que a menina da perfumaria não se vai sentar numa bilha de gás?



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Casa nova, inferno privado

Procurar casa para arrendar é como andar nos campos minados de África. É terreno hostil onde com a maior facilidade podemos ser derrubados por algo tão insuspeito como uma casa-de-banho com azulejos dos anos 70 ou por um casal com dois filhos ranhosos, um peixe e mais 15 euros para oferecer por mês.
Sites de imobiliárias, sites de arrendamento, páginas de Facebook, emails de amigos, telefonemas da Remax, da Century XXI e do Vão de Escada, quando eu nem me lembro de lhes ter ligado a eles. Caramba. Eu só quero uma casa com cachet que encaixe no meu cachet (tão desnecessário mas agora já está – deal with it).
Já lhes adivinho as manhas todas. Aprendi, por exemplo, que há pelo menos um médico e/ou um advogado em todos os prédios. Em todos. Não há uma casa com vizinhos que põem a tocar kuduru às sete da manhã de sábado e que só desligam no domingo à noite para ver a Casa dos Segredos. Não há. As prostitutas que recebem em casa recebem todas noutro bairro. E é frequente que, em cima de uma lista telefónica (há quanto tempo não vejo eu uma coisinha destas), apoiada num banco alto, no telhado do prédio, se consiga ver um bocadinho de mar. Mais 50 euros de renda! Pumba!
Tenho pelo menos o consolo de saber que vou animando a cena do imobiliário nas minhas zonas-alvo. Sim, que eu bem vejo o brilho nos olhos dos arrasados agentes imobiliários quando me veem chegar lá ao longe. Desgraçados, que passam horas num frenesim de sobe-e-desce de casas miseráveis a tentar encontrar formas criativas de nos fazer acreditar que aquela toca é a toca com que sempre sonhámos. “Acolhedor” e “simpático” são adjetivos para me fazer fugir imediatamente na direção contrária. Mas sei de fonte segura que ainda há quem caia. Meninos.
Enquanto percorro os corredores que gemem pela minha presença, bem os vejo a tentar cheirar-me o perfume, de língua de fora, a perguntar pateticamente “A casinha é só para si?”. Sim, meus queridos, a casinha é só para mim mas também acolherá os felizardos que eu deixar entrar no meu mundo - um de cada vez, que sou de sonho mas não sou galdéria.
Depois de dar alegrias ao mundo da ginecologia entrando-lhes no gabinete com tudo isto (coitados, horas de vida a ver pipis mal cheirosos e cuspidores de matérias peganhentas - merecem!), e depois de proporcionar matéria para semanas de pensamento masturbatório ao pessoal do arrendamento, o que se seguirá para a Mulher de Sonho?
Retalhistas da Zara Home e da Area, será a vossa vez? Tremam de alegria. Ordeno-vos!




terça-feira, 15 de outubro de 2013

O meu primeiro

Num momento em que já não será cool ter um blog, em que os bloggers populares já são semi rockstars, em que os outros são meros seguidistas que deixam comentários a pedir que visitem os seus patéticos pardieiros, acordei uma manhã e achei que seria imperativo a Mulher de Sonho ter um blog. Mais por vocês do que por mim. Claro.

Este é o meu primeiro.

Entro nisto com paixão total, absolutamente dedicada, embora duvide que dure muito. Uma Mulher de Sonho é efémera. Chega intensamente e rapidamente desaparece num sopro, deixando saudade eterna.

Não chorem. Vai ser bom enquanto durar.